IPCA de janeiro sinaliza início de cortes nas taxas, mas gera divergências sobre a velocidade das reduções.

Reunião do Copom e Expectativas para a Selic

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para março, ganhou importância após a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro. O indicador apresentou uma alta de 0,33%, conforme as expectativas do mercado.

Ponto de Virada na Política Monetária

Este encontro do Comitê é considerado um momento crucial para a política monetária, uma vez que o Banco Central deve, segundo sinalizações na última ata, iniciar o processo de redução da Selic, que atualmente permanece em 15% ao ano. A indecisão, no entanto, gira em torno da magnitude do primeiro corte: será de 0,50 ponto percentual, sugerindo uma confiança maior na convergência da inflação, ou uma abordagem mais conservadora, com a redução de 0,25 ponto percentual?

Desafios do Copom

Especialistas do mercado financeiro apontam que, embora a inflação ainda esteja acima do centro da meta, há indícios de desaceleração. O Copom enfrentará o desafio de equilibrar dois riscos: uma redução controlada pode prolongar a taxa de juros em níveis restritivos, enquanto um corte excessivo pode prejudicar a ancoragem das expectativas de inflação.

A entidade monetária tem enfatizado que suas decisões dependerão dos dados disponíveis e que a inflação, ainda acima da meta estipulada de 3%, continua como a principal variável de atenção.

Expectativas de Especialistas

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, acredita que o Copom deverá optar por uma redução de 0,25 ponto percentual, estabelecendo a Selic em 14,75%. Ela nota que, apesar de as comunicações recentes terem sugerido a possibilidade de um movimento mais ousado, as condições atuais ainda demandam cautela. O banco prevê que, ao final do ano, os juros possam ficar em 12,5%.

O Itaú, por sua vez, ressaltou uma leitura qualitativa que se mostra menos otimista do que o esperado, registrando surpresas altistas em setores de serviços e na indústria subjacente. Apesar da previsão de inflação em 4% para 2026, a análise indica que o Copom adotará uma postura mais cautelosa ao iniciar o ciclo de cortes.

Possibilidade de Ação Mais Ousada

Há, no entanto, especialistas que enxergam espaço para um movimento mais acelerado de 0,50 ponto percentual já na próxima reunião. Bruno Shahini, da Nomad, argumenta que o IPCA apresentou dados razoavelmente positivos e que a desaceleração nos serviços, além da valorização recente da moeda nacional, sustentam um processo gradual de desinflação. Ele observa que o Boletim Focus revisou as previsões para baixo, o que reforça sua expectativa de um corte de 50 pontos-base.

Projeções de Outras Instituições

A XP Investimentos também compartilha a perspectiva de uma redução mais significativa. Segundo o economista Alexandre Maluf, embora a inflação nos serviços ainda seja elevada, há sinais indicativos de moderação. A tendência desinflacionária observada nos bens abriria espaço para que o Banco Central inicie o ciclo de cortes com uma redução de 0,50 ponto percentual.

Assim, o cenário atual permite a observação de diferentes possíveis ações por parte do Banco Central em sua próxima reunião, com um horizonte de incertezas que será acompanhado de perto por analistas e economistas.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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