PicPay Estreia na Nasdaq
O banco digital PicPay, que é controlado pela família Batista, realiza sua estreia na Nasdaq nesta quinta-feira, após captar um total de US$ 434 milhões em uma oferta pública inicial (IPO). Esta é a primeira nova listagem de ações de uma empresa brasileira em um intervalo superior a quatro anos.
Fundamentos e Avaliação
Fundado em 2012, o PicPay foi adquirida em 2015 pela J&F Investimentos, que é a holding por trás da gigante do setor de embalagem de carne JBS. A empresa colocou à venda 22,86 milhões de ações na quarta-feira, com cada ação sendo negociada ao preço de US$ 19, e estas ações poderão ser referenciadas sob o código PICS.
A oferta resultou em uma diluição de cerca de 21% para os acionistas existentes, avaliando a companhia em aproximadamente US$ 2,6 bilhões, conforme informações publicadas pelo jornal Valor Econômico. Além disso, a empresa também disponibilizou aos subscritores a opção de adquirir ações adicionais ao preço da oferta pública inicial, o que poderia elevar o total do negócio para cerca de US$ 500 milhões.
Conquista para os Batista
A listagem do PicPay representa uma importante conquista para os irmãos Wesley e Joesley Batista, que detêm mais de 90% do poder de voto na empresa. Eles conseguiram superar um escândalo de corrupção ocorrido no Brasil há uma década, e atualmente, seu conglomerado abrange setores diversos, como frigoríficos, energia, mineração, fintech, mídia e cosméticos, com operações em pelo menos 20 países.
Apoio de Investidores
A Bicycle Capital, um fundo de crescimento liderado por ex-executivos da SoftBank, que inclui o bilionário boliviano Marcelo Claure, comprometeu-se a investir US$ 75 milhões na oferta, segundo um comunicado oficial. A oferta pública inicial, que havia sido avaliada pelo PicPay anteriormente, mas que foi interrompida em 2021, foi coordenada por instituições financeiras como Citigroup, Bank of America e Royal Bank of Canada.
Quatro Anos de Hiato em IPOs
Essa oferta rompe um período de quatro anos sem IPOs por empresas brasileiras e pode abrir possibilidades para novas operações no futuro.
Anderson Brito, chefe de banco de investimento do UBS BB no Brasil, mencionou que uma pesquisa realizada com investidores institucionais prevê a realização de mais de 10 IPOs brasileiros em 2026, seja no Brasil ou fora dele. A empresa de tecnologia financeira Agibank, avaliada em R$ 9,3 bilhões no final de 2024, protocolou um pedido neste mês para ser listada na bolsa de Nova York.
Contexto das Fintechs e Comparações
As fintechs brasileiras têm se destacado com suas listagens nos Estados Unidos, especialmente quando comparadas a seus pares globais. A mais recente empresa brasileira a abrir capital foi o banco digital Nubank, que fez sua estreia na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) no final de 2021. O Nubank arrecadou US$ 2,6 bilhões e teve uma avaliação que superou a marca de US$ 40 bilhões, consolidando-se como o maior banco da América Latina em termos de capitalização de mercado.
Por outro lado, a última oferta pública inicial na bolsa de valores brasileira ocorreu em setembro de 2021, com a empresa produtora de fertilizantes Vittia.
Menos Apetite no Mercado Interno
Segundo o analista de investimentos Pedro Galdi, da fintech AGF, Nova York pode continuar a ser um destino atraente para a abertura de capital de grupos brasileiros, uma vez que os retornos das ações nos mercados locais são considerados insignificantes em comparação com os rendimentos da dívida doméstica. Ele questionou: “Com a taxa básica de juros em 15% ao ano, quem iria querer investir em uma oferta pública inicial no Brasil?”.
Em contrapartida, o sucesso da operação do PicPay denuncia uma demanda considerável nos Estados Unidos. Ulrike Hoffmann, diretora global de ações da UBS Global Wealth Management, comentou em uma conferência no Brasil que espera ver um aumento na quantidade de IPOs nos Estados Unidos neste ano, não somente de empresas brasileiras, mas também de empresas de tecnologia americanas.
Além disso, essa dinâmica poderia, em última análise, incentivar a demanda no Brasil. O diretor da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), César Mindof, afirmou ter convicção de que o mercado local verá uma recuperação através de grandes transações, especialmente em setores mais defensivos, como o de infraestrutura.
Fonte: www.moneytimes.com.br