Variação dos Preços da Indústria Brasileira em Dezembro de 2025
Os preços da indústria brasileira apresentaram uma variação de 0,12% em dezembro de 2025 em comparação a novembro, período em que houve uma queda de 0,35%. Embora tenha ocorrido uma leve alta no final do ano, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) acumulou uma diminuição de -4,53% em 2025, um resultado que também se reflete no acumulado dos últimos 12 meses. Esse índice representa o segundo menor valor para um mês de dezembro desde o início da coleta de dados em 2014.
Setores com Aumento de Preços em Dezembro
Durante o mês de dezembro, 12 das 24 atividades industriais pesquisadas apresentaram aumento de preços. As variações mais significativas foram registradas em indústrias extrativas, com uma alta de 3,13%, seguidas pela metalurgia, que teve uma variação de 2,24%. Também houve aumentos em máquinas, aparelhos e materiais elétricos, com uma elevação de 1,87%, e em outros equipamentos de transporte, com um incremento de 1,74%.
Peso Negativo do Setor Alimentício
O setor de alimentos foi o principal responsável pela influência negativa sobre o resultado agregado mensal. Essa atividade contribuiu com -0,19 ponto percentual na variação de 0,12% da indústria geral. Outras atividades que impactaram negativamente foram metalurgia, com uma contribuição de -0,15 p.p.; indústrias extrativas, que influenciaram em -0,13 p.p.; e outros produtos químicos, que afetaram em -0,09 p.p.
Variações Acumuladas em 2025
No total do ano de 2025, as mais expressivas variações foram observadas na impressão, que apresentou um aumento significativo de 16,63%. Por outro lado, indústrias extrativas sofreram uma retração de 14,39%, enquanto o setor alimentício teve uma queda de 10,47%. Também a indústria de madeira registrou um recuo de 9,85%. As maiores influências negativas no ano vieram da indústria alimentícia, com -2,70 p.p.; indústrias extrativas, com -0,69 p.p.; refinação de petróleo e biocombustíveis, com -0,56 p.p.; e metalurgia, também com -0,56 p.p.
Desempenho por Grandes Categorias Econômicas
Em dezembro, foram observadas altas de 0,53% em bens de capital e 0,34% em bens intermediários. Em contraste, os bens de consumo recuaram 0,25%, apresentando estabilidade quase nula nos duráveis e uma queda de 0,30% nos semiduráveis e não duráveis. No acumulado anual, os bens intermediários foram responsáveis por -4,02 p.p. da variação total de -4,53%, destacando o impacto dessa categoria na dinâmica industrial.
Indústrias Extrativas e Setor Alimentício
Na análise das indústrias extrativas, a alta de 3,13% em dezembro representa a mais acentuada do ano, embora não tenha sido suficiente para reverter a retração acumulada de 14,39% em 2025. Os “minérios de cobre e seus concentrados, tanto brutos quanto beneficiados” auxiliaram na mitigação do resultado negativo anual, em consonância com a performance dos mercados internacionais.
Por outro lado, no setor alimentício, os preços reduziram em 0,76% em dezembro, marcando o oitavo mês consecutivo de queda. No acumulado de 2025, a diminuição foi de 10,47%, a mais expressiva desde julho de 2023. Essa queda é atribuída a vários fatores, incluindo uma ampla oferta internacional de açúcar e soja, além da valorização do real frente ao dólar ao longo do ano, que foi de 10,6%.
Refino de Petróleo e Biocombustíveis
O setor de refino de petróleo e biocombustíveis registrou um aumento mensal de 0,56%, mas o acumulado em 12 meses continuou apresentando um desempenho negativo de -5,64%. Esse setor foi a terceira maior influência negativa no resultado anual, contribuindo com -0,56 p.p.
Desempenho da Indústria Química
A indústria química finalizou 2025 com uma queda acumulada de 6,42%. Em dezembro, os preços tiveram uma redução de 1,19%, com impactos principalmente relacionados à diminuição dos preços de defensivos agrícolas e fertilizantes à base de NPK, em um contexto de menor demanda doméstica ao término da janela de plantio da soja.
Desempenho da Metalurgia
A metalurgia, por sua vez, apresentou uma alta de 2,24% em dezembro, impulsionada por metais não ferrosos, incluindo “ouro para usos não monetários”, e “barras, perfis e vergalhões de cobre e ligas de cobre”, além de “chapas e tiras de alumínio com espessura superior a 0,2mm” e “alumínio não ligado em formas brutas”. Apesar desse aumento mensal, o setor acumulou uma queda de 8,06% ao longo do ano, pressionada pela siderurgia, que teve uma contração de 11,07% em 2025 devido ao aumento da oferta interna e ao crescimento das importações.
Impactos no Mercado Financeiro
A interpretação do IPP, com uma deflação acumulada significativa ao longo de 2025, tende a afetar as expectativas em relação à inflação ao consumidor e à política monetária. Um cenário com preços industriais mais baixos pode aliviar as pressões sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), influenciando a curva de juros futuros negociados na B3 e a percepção de risco associada aos ativos domésticos. Ao mesmo tempo, setores mais vulneráveis a commodities e exportações continuam suscetíveis às flutuações da taxa de câmbio e aos preços internacionais.
(ibge)
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Fonte: br.-.com