Impacto da Guerra com os EUA na Economia Iraniana
Os líderes iranianos reconhecem a gravidade do impacto econômico resultante da guerra com os Estados Unidos. O líder supremo do Irã pediu ao governo que encontre soluções para as dificuldades enfrentadas pelo país, enquanto o presidente iraniano indicou que o comércio exterior caiu em um terço devido às sanções e ao bloqueio impostos pelos americanos.
Apesar disso, Teerã não demonstrou sinais de recuo em sua postura, reafirmando, no último sábado (29), seu compromisso em resistir à pressão dos Estados Unidos, manter as acaloradas negociações diplomáticas e assegurar o controle sobre o Estreito de Ormuz. Esta passagem estratégica é fundamental, pois permite ao Irã influenciar os mercados globais de energia.
De acordo com um comunicado divulgado por órgãos de comunicação estatais, o governo iraniano enfatizou que afrontar as dificuldades econômicas geradas pelas sanções e pela guerra é uma de suas prioridades principais. O documento ainda aborda questões como o controle da inflação, a gestão dos mercados internos, a criação de empregos, a incidência de investimentos na produção nacional e a crescente diminuição da dependência do dólar americano.
Seis meses após o início das hostilidades entre os Estados Unidos e Israel, as negociações estão estagnadas e o governo do presidente Donald Trump intensificou os esforços no sentido de penalizar financeiramente o Irã, estratégia que foi denominada por ele como “Dia D econômico”.
Sanções Aumentam os Desafios Econômicos do Irã
A administração americana tem alertado outros países sobre a necessidade de cortar relações comerciais com o Irã, como uma forma de evitar sanções secundárias. Embora o Departamento do Tesouro não tenha imposto penalidades contra parceiros comerciais significativos do Irã, como a China e a Índia, tal medida poderia ter repercussões negativas tanto para os EUA quanto para a economia global.
Recentemente, o Departamento do Tesouro aplicou sanções ao Banque Misr do Egito, argumentando que a instituição realizou negócios com Teerã. A determinação proposta visa impedir que as agências do banco localizadas nos Emirados Árabes Unidos realizem transações em dólares americanos.
O Banco Central do Egito revelou que está em diálogo com o Ministério das Relações Exteriores e autoridades dos Estados Unidos acerca desse tema, ressaltando que a medida restringe apenas as transações em dólares americanos do Banque Misr nos Emirados com bancos correspondentes.
O banqueiro anunciou que está avaliando a notificação do Tesouro dos EUA e que sua filial nos Emirados Árabes Unidos continuará a prestar serviços bancários aos clientes.
Adicionalmente, os Estados Unidos implementaram sanções contra uma entidade situada em Hong Kong, assim como uma pessoa relacionada ao Banco Melli do Irã, conforme um comunicado emitido pelo site do Departamento do Tesouro.
A sequência de sanções tem intensificado as dificuldades econômicas enfrentadas pelo Irã, onde a taxa de inflação anual atingiu 66% no último mês.
O líder supremo, Aiatolá Mojtaba Khamenei, que não é visto publicamente desde que sofreu ferimentos em um ataque ocorrido em 28 de fevereiro, que resultou na morte de seu pai, o Aiatolá Ali Khamenei, solicitou ao governo que enfrente com seriedade as dificuldades econômicas.
“É imprescindível abordar de maneira concreta a cadeia de desafios econômicos e de subsistência, como a inflação, o desemprego, a gestão de preços e o funcionamento do mercado de bens e serviços”, afirmou ele, segundo um comunicado atribuído a Khamenei.
O presidente Masoud Pezeshkian declarou à mídia estatal que as exportações e importações do Irã caíram quase 35% em decorrência das sanções impostas pelos EUA e do bloqueio naval que afeta os portos iranianos.
No entanto, ele destacou que o Irã conseguiu vender aproximadamente 90 milhões de barris de petróleo durante um breve memorando de entendimento que o Irã e os EUA firmaram em junho, quando Washington autorizou a venda de petróleo iraniano.
No mesmo dia, Pezeshkian solicitou na televisão estatal a reintegração do acordo provisório, que foi assinado em 17 de junho, mas que rapidamente se desfez devido a diferenças sobre o que havia sido previamente acordado, especialmente no que tange ao status do Estreito de Ormuz.
“Podemos solucionar nossos problemas e conquistar nossos direitos com o memorando de entendimento”, ressaltou, referindo-se a um documento que oferecia ao Irã, entre outras medidas, alívio imediato das sanções americanas e a liberação de seus ativos congelados.
Compromisso Iraniano com a Diplomacia e Defesa
Enquanto os Estados Unidos intensificam sua estratégia de pressão econômica, outros países têm se empenhado em retomar as iniciativas diplomáticas com a intenção de alcançar um fim para a guerra.
O primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, encontrou-se com líderes iranianos em Teerã na última quinta-feira. Durante essa reunião, enfatizou a importância de restabelecer o status de livre navegação pelo Estreito de Ormuz, conforme existia antes do início do conflito.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, caracterizou as discussões com Al Thani como “criativas”.
Em uma declaração divulgada no último sábado, Teerã ressaltou que a diplomacia e a defesa são “duas vertentes complementares, coordenadas e inseparáveis” para a proteção dos interesses nacionais, da segurança e da integridade territorial do país, afirmando que seguirá ambas as frentes de forma equilibrada.
O Catar, aliado dos Estados Unidos e vizinho do Irã no Golfo Pérsico, assim como o Paquistão, participaram como mediadores no memorando de entendimento estabelecido em junho.
Antes do início da guerra, o Estreito de Ormuz era responsável pela movimentação de 20% do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) mundial. Comandantes militares dos Estados Unidos afirmam que as forças armadas norte-americanas removeram minas marítimas do estreito que haviam sido colocadas pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã meses atrás.
O ex-presidente Donald Trump afirmou reiteradamente que o estreito está aberto, enquanto a Marinha da Guarda Revolucionária contrargumentou, afirmando que tais declarações “são uma mentira óbvia”, reafirmando que a hidrovia continua fechada para embarcações que não possuam a permissão do Irã.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
