Compromisso do Irã com restrições no Estreito de Ormuz
O Irã reafirmou sua determinação em limitar a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz, enquanto perdurar o bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos.
As dificuldades surgidas dessa situação complicaram as tentativas de mediação conduzidas pelo Paquistão e geraram incertezas acerca da possibilidade de prorrogação da trégua, que já dura duas semanas. Em entrevista concedida à televisão estatal no último sábado (18), Mohammed Bagher Qalibaf, presidente do parlamento iraniano, declarou: “É impossível que outros passem pelo Estreito de Ormuz enquanto nós não podemos”.
Resistência às imposições dos EUA
Qalibaf, que ocupa a posição de principal negociador iraniano nas conversas com os Estados Unidos, descreveu o bloqueio norte-americano como uma “decisão ingênua, tomada por ignorância”. Ele ressaltou a busca do Irã pela paz, apesar da desconfiança em relação aos Estados Unidos. “Não haverá recuo no campo da diplomacia”, afirmou, reconhecendo, contudo, que as distâncias entre os dois lados permanecem significativas.
Reabertura do Estreito sob tensão
O Irã havia anunciado anteriormente a reabertura do estreito após a implementação de uma trégua de 10 dias entre Israel e o grupo Hezbollah, localizado no Líbano, na última sexta-feira. Entretanto, a situação tornou-se mais tensa após o presidente dos EUA, Donald Trump, declarar que o bloqueio aos portos iranianos “permanecerá em pleno vigor” até que um acordo seja alcançado entre as partes. Diante desse cenário, o Irã confirmou que continuaria a manter as restrições no estreito.
No último sábado, o aumento das tentativas de trânsito na região do Golfo Pérsico não obteve sucesso, e as embarcações permaneceram em suas posições, após disparos contra dois navios de bandeira indiana, os quais foram forçados a retornar. Esse retrocesso restabeleceu uma situação de impasse no estreito, que é crucial para o comércio global de petróleo, respondendo por cerca de 20% desse mercado. Essa dinâmica coloca em risco um aprofundamento da crise energética mundial, à medida que o conflito persiste em sua oitava semana.
Novas propostas nas negociações EUA-Irã
Com a aproximação do término do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, o governo iraniano revelou, no mesmo dia, que recebeu novas propostas advindas dos Estados Unidos. Mediadores do Paquistão estão envolvidos na organização de uma nova rodada de negociações diretas entre os dois países.
As autoridades paquistanesas reforçaram a segurança em Islamabad, em função da delicada situação. Um funcionário da região, que participa das atividades de mediação e pediu para não ser identificado, informou que as preparações para as negociações estão sendo finalizadas e que as equipes de segurança dos EUA já se encontram na área.
Implicações do impasse no Estreito de Ormuz
Apesar da manutenção do cessar-fogo, o impasse gerado no Estreito de Ormuz levanta sérias preocupações acerca do retorno ao conflito, que já resultou na morte de aproximadamente 3 mil pessoas no Irã, mais de 2.290 no Líbano, 23 em Israel e mais de uma dúzia de vítimas nos estados árabes do Golfo. Além disso, quinze soldados israelenses no Líbano e treze militares dos EUA na região também foram mortos durante esse período de hostilidades.
Fonte: www.moneytimes.com.br

