Irã continua exportando milhões de barris de petróleo mesmo com o bloqueio em Ormuz

Conflito no Oriente Médio e o Estreito de Ormuz

Situação Atual do Estreito de Ormuz

As expectativas dos Estados Unidos, que acreditavam que o Irã hesitaria em fechar o Estreito de Ormuz devido ao receio de obstruir suas próprias exportações de petróleo, demonstraram-se equivocadas. Desde o início do último conflito no Oriente Médio, há duas semanas, o tráfego através do estreito, por onde normalmente passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo, foi significativamente reduzido. Pelo menos 16 embarcações na região foram atingidas por drones ou outras armas, com o Irã assumindo a responsabilidade por alguns desses ataques.

Exportações de Petróleo do Irã

Apesar dos conflitos, o Irã continua a enviar petróleo pelo estreito em volumes quase equivalentes aos registrados antes do início da guerra, garantindo recursos financeiros essenciais para sua economia e para os esforços de guerra. Além disso, já existiam milhões de barris de petróleo bruto iraniano em trânsito, à procura de compradores, antes do início do atual conflito.

De acordo com dados de rastreamento de navios e imagens de satélite, o petróleo bruto iraniano continua fluindo pelo estreito, mesmo enquanto as exportações de petróleo bruto e gás natural dos países vizinhos do Golfo Pérsico estão paralisadas. Analistas da empresa de dados e análises comerciais Kpler estimaram que desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o Irã exportou cerca de 12 milhões de barris. A empresa de inteligência marítima TankerTrackers apresenta uma estimativa ainda maior, de 13,7 milhões de barris até o meio da semana passada.

Volume Diário de Exportações

Essas informações sugerem que o volume de exportações do Irã está em torno de 1 milhão de barris por dia (bpd), comparáveis à média de 1,69 milhão de bpd registrada no ano anterior, de acordo com dados da Kpler.

Os Estados Unidos, por sua vez, parecem não ter tomado medidas concretas para interceptar os petroleiros iranianos, mesmo após a destruição de uma parte significativa da marinha iraniana. Ademais, os Estados Unidos têm evitado atacar, na maior parte, as infraestruturas petrolíferas, como refinarias e oleodutos, embora ataques israelenses tenham causado danos significativos a tanques de armazenamento nas proximidades de Teerã.

A Ilha de Kharg e o Controle do Estreito

Quase todo o petróleo iraniano é exportado a partir de terminais de águas profundas na Ilha de Kharg, localizada a cerca de 30 quilômetros da costa iraniana. Na última sexta-feira, ataques intensos dos Estados Unidos foram direcionados a alvos militares na ilha, mas não afetaram a infraestrutura petrolífera.

O ex-presidente Donald Trump, em declarações, indicou que reconsideraria a decisão de evitar ataques às instalações petrolíferas em Kharg, caso o Irã continuasse a impedir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, afirmou que Trump “não descartaria nenhuma opção” se a situação persistisse.

Tráfego de Navios pelo Estreito

Atualmente, Washington parece estar "de acordo" com a passagem de alguns navios iranianos, bem como indianos e chineses, pelo Estreito de Ormuz, conforme relatado pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent. A infraestrutura petrolífera de Kharg continuava operando normalmente, segundo informações da TankerTrackers, que indicaram que, com base em imagens de satélite, todos os 55 tanques de armazenamento de petróleo bruto na ilha estavam intactos, enquanto dois petroleiros iranianos estavam carregando 2,7 milhões de barris de petróleo bruto.

Embora o petróleo iraniano ainda esteja sendo exportado pelo estreito, grandes quantidades já estavam em petroleiros nos oceanos, procurando compradores, antes do início do conflito. A empresa de dados sobre energia Vortexa estimou que aproximadamente 170 milhões de barris de petróleo iraniano estavam no mar em janeiro.

Aceleração nas Exportações e Aumento do Gás Natural

Em uma possível antecipação a ataques dos EUA e de Israel, o Irã acelerou as exportações de petróleo em fevereiro, alcançando um volume médio diário de 2,04 milhões de barris, representando um aumento de cerca de 25% em relação à média de exportações do ano anterior. A agência de notícias iraniana semi-oficial Fars também reportou um aumento nas exportações de gás natural, citando o Ministério da Eletricidade do Iraque, que indicou uma triplicação das importações de gás iraniano, atingindo 18 milhões de metros cúbicos por dia na semana passada.

Uso Estratégico do Estreito de Ormuz

Teerã parece estar utilizando seu controle sobre o Estreito de Ormuz como uma barganha nas relações com países interessados em petróleo do Oriente Médio, especialmente com seus clientes asiáticos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que "o Estreito de Ormuz está aberto; ele está fechado apenas para os petroleiros e navios pertencentes aos nossos inimigos, para aqueles que nos atacam e seus aliados. Os demais estão livres para passar."

A Índia, conforme relatado pelo jornal iraniano Sharq, liberou três petroleiros iranianos que haviam sido apreendidos no mês anterior, buscando a permissão do Irã para que dois navios indianos atravessassem o Estreito de Ormuz. O Ministério da Marinha Mercante da Índia confirmou que dois petroleiros, ambos transportando gás liquefeito, conseguiram cruzar com segurança o estreito na madrugada de sexta para sábado.

Diplomacia e Negociações

O ministro das Relações Exteriores da Índia, S. Jaishankar, mencionou ao Financial Times que as negociações permitiram a passagem dos petroleiros indianos como um exemplo do que a diplomacia pode alcançar. Ele afirmou: “No momento, estou conversando com eles, e minhas conversas já deram alguns resultados. Certamente, do ponto de vista da Índia, é melhor que dialoguemos, nos coordenemos e cheguemos a uma solução do que não o façamos.”

O Irã também está considerando a possibilidade de permitir um número limitado de petroleiros a atravessarem o estreito, desde que a negociação do petróleo seja feita em yuan chinês, segundo uma autoridade iraniana. Tradicionalmente, o petróleo é negociado quase que exclusivamente em dólares, com exceção do petróleo russo, que é comercializado em rublos ou yuan.

Perspectiva Futura

Ao longo prazo, o Irã depende do Estreito de Ormuz de maneira semelhante aos seus vizinhos. Seus navios também estão vulneráveis a serem interceptados nesse estreito caso os Estados Unidos decidam agir. O Irã possui rotas terrestres limitadas para exportar seu petróleo e uma capacidade muito reduzida de utilizar portos fora do Golfo Pérsico, especialmente em comparação com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que contam com alternativas como o porto de Yanbu no Mar Vermelho e Fujairah no Golfo de Omã.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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