Irã promete retaliar se os EUA atacarem, diante de protestos.

Supporters iranianos se reunem em frente a uma grande bandeira do Irã na Praça de São Pedro. Protestos eclodiram em todo o mundo após a divulgação de que pessoas foram mortas pelo regime da República Islâmica durante manifestações no Irã.

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Ameaças de Retaliação

Teerã ameaçou no último domingo retaliar contra Israel e bases militares dos EUA caso haja ataques americanos ao Irã. A advertência foi emitida em um momento em que fontes israelenses informaram que Israel estava em alta alerta devido à possibilidade de uma intervenção dos EUA.

Com o establishment clerical do Irã enfrentando os maiores protestos antigovernamentais desde 2022, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez ameaças de intervenção nos últimos dias, alertando líderes iranianos contra o uso da força contra os manifestantes. No sábado, Trump declarou que os EUA estão “prontos para ajudar”.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, fez um alerta em sessão parlamentar no último domingo sobre “um erro de cálculo”.

“Deixemos claro: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados (Israel), assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”, afirmou Qalibaf, que é um ex-comandante da Guarda Revolucionária do Irã.

Elevação do Número de Mortes

As autoridades intensificaram os esforços para controlar a agitação que se espalhou pelo Irã desde 28 de dezembro. Um grupo de direitos humanos com sede nos EUA, HRANA, relatou que o número de mortos chegou a 116, sendo a maioria manifestantes, mas também incluindo 37 membros das forças de segurança.

Os protestos começaram em resposta à inflação crescente, antes de se voltarem contra o establishment clerical que governa desde a Revolução Islâmica de 1979. O governo acusa os EUA e Israel de instigar a agitação.

Três fontes israelenses que participaram de consultas de segurança no fim de semana afirmaram que Israel estava em estado de alerta elevado, mas não elaboraram sobre o que isso implicava.

Um porta-voz do governo israelense se absteve de comentar. O exército israelense não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Israel e Irã travaram uma guerra de 12 dias em junho do ano passado, na qual os EUA se uniram a Israel em ataques aéreos. O Irã retaliou aqueles ataques dos EUA disparando mísseis contra uma base aérea americana no Catar.

A circulação de informações no Irã foi dificultada por um apagão na internet imposto pelas autoridades desde quinta-feira passada. O watchdog de monitoramento da internet, Netblocks, informou que os níveis de conectividade nacional permanecem cerca de 1% do normal.

Um vídeo postado em redes sociais no último sábado mostrava grandes multidões reunidas no bairro Punak, em Teerã, durante a noite, batendo ritmicamente nas grades de uma ponte ou em outros objetos de metal como forma de protesto. A Reuters verificou a localização.

A TV estatal iraniana exibiu procissões fúnebres em cidades do oeste do Irã, como Gachsaran e Yasuj, em homenagem a membros das forças de segurança mortos nas manifestações. As autoridades não divulgaram quantas pessoas foram mortes.

A TV estatal reportou que 30 membros das forças de segurança seriam enterrados na cidade central de Isfahan, e que seis membros foram mortos por “rioters” em Kermanshah, na região oeste. Também foi relatado que uma mesquita foi incendiada por “rioters” em Mashhad, no nordeste, na noite de sábado.

As Guardas Revolucionárias acusaram no sábado “terroristas” de atacar instalações de segurança.

Ahmad-Reza Radan, chefe da polícia do Irã, afirmou que as forças de segurança intensificaram os esforços para enfrentar “rioters”.

Os governantes do Irã conseguiram reprimir episódios anteriores de agitação, o mais recente em 2022, após a morte de uma mulher sob custódia acusada de violar os códigos de vestimenta.

Oficiais dos EUA Veem um “Jogo de Resistência” no Irã

Trump, por meio de uma postagem em redes sociais no sábado, disse: “O Irã está buscando LIBERDADE, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar!!!”

Em uma ligação telefônica no sábado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discutiram a possibilidade de intervenção americana no Irã, conforme relatado por uma fonte israelense que estava presente na conversa.

Um oficial dos EUA confirmou que os dois se falaram, mas não revelou quais temas foram discutidos.

Um alto oficial de inteligência dos EUA descreveu a situação no Irã como um “jogo de resistência”. A oposição está tentando manter a pressão até que figuras-chave do governo tenham que fugir ou mudem de lado, enquanto as autoridades tentam semear medo suficiente para desocupar as ruas sem oferecer justificativas para uma intervenção dos EUA, segundo o oficial.

Israel não sinalizou o desejo de intervir, com as tensões entre os dois arquiinimigos elevadas em relação às preocupações israelenses sobre os programas nucleares e de mísseis balísticos do Irã.

Em uma entrevista ao Economist publicada na sexta-feira, Netanyahu afirmou que haveria graves consequências para o Irã se este atacasse Israel. Aludindo aos protestos, disse: “Em relação ao resto, devemos observar o que está acontecendo dentro do Irã.”

Fonte: www.cnbc.com

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