Recomendação do Itaú BBA para Gerdau
O Itaú BBA reduziu a recomendação para as ações da Gerdau (GGBR4) para market perform, que é equivalente a uma classificação neutra. Essa mudança ocorre após um aumento de 30% na valorização das ações nos últimos seis meses, o que inclui a distribuição de dividendos. O banco manteve a projeção de Ebitda para 2026 e o preço-alvo de R$ 24 por ação até o final de 2026.
Motivos para a Redução da Classificação
De acordo com a instituição financeira, a decisão foi influenciada principalmente por questões relacionadas à avaliação das ações. Após a alta significativa, o potencial de valorização parece agora mais equilibrado em comparação com os riscos associados à execução de projetos e as condições do cenário macroeconômico, conforme destacaram os analistas Daniel Sasson e sua equipe.
O fluxo de caixa livre (FCF) projetado para o curto prazo é considerado “decente”, mas não é suficientemente robusto para proporcionar uma perspectiva otimista, conforme afirmaram os analistas. O rendimento estimado de FCF, que gira em torno de 6% para 2026, é o mais alto entre as siderúrgicas localizadas na América Latina, porém, a assimetria em relação ao risco já não é tão relevante.
Pontos de Preocupação
O banco Itaú BBA identifica o Brasil como o principal fator de preocupação. A rentabilidade da empresa continua sob pressão devido à intensa concorrência de produtos importados, além do aumento da capacidade de produção por dois concorrentes nacionais, segundo a avaliação do banco.
Os resultados financeiros referentes ao quarto trimestre de 2025, assim como as orientações para o primeiro trimestre de 2026, enfatizaram a fragilidade do ambiente de negócios. Isso se reflete em margens comprimidas, o que ocorre devido a volumes de vendas e mix de produtos mais fracos, além de custos elevados, segundo comunicados do banco.
Mesmo que haja alguns reajustes pontuais nos preços, o Itaú BBA acredita que, no curto prazo, o cenário tende a ser mais de desgaste do que de recuperação.
Suporte aos Resultados Financeiros
Segundo a análise do Itaú BBA, a economia prevista de cerca de R$ 400 milhões proveniente do avanço do projeto Miguel Burnier, que deve ocorrer a partir do segundo semestre de 2026, é um fator que deve ajudar a manter a margem Ebitda da divisão brasileira próxima de 10% ao longo do ano.
A América do Norte, conforme apontado pelo banco, continua sendo um suporte significativo para os resultados da companhia. A combinação de sazonalidade favorável e preços mais elevados do aço deve resultar em aumento dos spreads no primeiro trimestre de 2026, com margens Ebitda superiores a 23% nessa região.
O desempenho robusto nos Estados Unidos compensou a revisão para baixo prevista para o Brasil, mantendo estável a projeção de Ebitda consolidado.
Incertezas no Cenário do Aço
Entretanto, o Itaú BBA alerta que há incertezas relacionadas à revisão do USMCA, que podem impactar os preços do aço nos Estados Unidos. Além disso, uma parada programada que deve ocorrer entre 40 a 50 dias na unidade de Midlothian, no segundo semestre de 2026, é necessária para a conclusão da primeira fase da expansão das operações da empresa.
Potenciais Catalisadores para Desbloqueio de Valor
Os analistas do Itaú BBA indicam que a possível listagem das operações da Gerdau nos Estados Unidos poderia funcionar como um catalisador claro para desbloquear valor. De acordo com as estimativas do banco, o múltiplo implícito EV/Ebitda das operações norte-americanas da empresa está entre 4,0 e 4,5 vezes, que é aproximadamente 50% a 55% inferior à média de empresas do setor nos Estados Unidos, como Nucor e Steel Dynamics. Uma listagem teria potencial para ampliar a base de investidores e reduzir esse desconto observado atualmente.
Outra possível estratégia para gerar valor seria a venda de ativos florestais não essenciais, conforme apontou o banco. A companhia possui aproximadamente 220 mil hectares de terras, principalmente localizadas em Minas Gerais. Segundo a estimativa apresentada pelo Itaú BBA, a venda de 50 mil hectares produtivos poderia resultar em uma arrecadação de entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão, quantia esta que ainda não está incorporada no preço-alvo estabelecido.
Fonte: www.moneytimes.com.br