Liquidação Extrajudicial da Gestora de Fundos Reag
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da gestora de fundos Reag na quinta-feira, 15 de setembro. O empresário João Carlos Mansur é o fundador e ex-CEO da empresa.
Mansur atuou como presidente do conselho de administração da Reag até outubro de 2025, período em que a empresa se tornou alvo de uma grande operação do Ministério Público de São Paulo, a qual investigou um esquema de fraudes bilionárias no setor de combustíveis, que envolvia membros do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O empresário também foi alvo da operação Carbono Oculto em 2025, que resultou na execução de dois mandados de busca, sendo um em seu escritório localizado na Avenida Faria Lima e outro em sua residência.
Envolvendo-se no universo do futebol, Mansur é conselheiro do Palmeiras. Ele também co-fundou e presidiu, no ano anterior, o conselho de administração da Revee, uma empresa voltada para a realização de eventos.
Ademais, Mansur é o criador da Ciabrasf (Companhia Brasileira de Serviços Financeiros), tendo ocupado a presidência do conselho de administração entre março e setembro de 2025.
Na quarta-feira, 14 de setembro, Mansur passou a ser alvo de mandados de busca e apreensão, na segunda fase da operação chamada Compliance Zero. Esta operação visa combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras integradas ao Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Investigação Relacionada à Reag
Os fundos administrados pela Reag Trust estão envolvidos em operações fraudulentas com o Banco Master, que ocorreram entre julho de 2023 e julho de 2024, conforme evidências apresentadas pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União (TCU).
No relatório enviado à Corte, a autoridade monetária informou que as operações realizadas estavam em desacordo com as normas do Sistema Financeiro Nacional e apresentavam falhas severas na gestão de risco, crédito e liquidez.
A empresa Reag também já foi alvo de investigação devido a suspeitas de ligação com esquemas de lavagem de dinheiro. Essas suspeitas fazem parte da operação Carbono Oculto, que investiga vínculos entre o setor de combustíveis, o PCC e empresas do setor financeiro.
Em uma nota oficial, o Banco Central afirmou que continuará a adotar todas as medidas necessárias em relação à Reag Trust, a fim de apurar as responsabilidades conforme suas competências legais.
O comunicado do Banco Central destaca: “O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. De acordo com a lei, os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição estão indisponíveis.”
Além das ações do Banco Central, a Reag Investimentos também foi alvo de uma megaoperação do Ministério Público de São Paulo, que visava desarticular um esquema de fraudes bilionárias no setor de combustíveis, envolvendo integrantes do PCC.
Relação entre Reag e Banco Master
O Banco Master mantinha vínculos financeiros com as gestoras de investimentos Trustee DTVM e a Reag Investimentos, que foram alvos da Operação Carbono Oculto. Esta operação foi deflagrada com o objetivo de desarticular um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro que operava no setor de combustíveis.
Em um comunicado direcionado ao mercado em setembro de 2025, após o início da Operação Carbono Oculto, a Reag Investimentos informou que o fundo Hans 95 havia negociado Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master.
Uma vez que a operação foi implementada, o Banco Master declarou que a Reag atuava apenas como prestadora de serviços do banco e que sua função estava restrita à gestão e administração de fundos, similar a outras gestoras e administradores que ofereciam esses serviços ao banco.
A instituição financeira enfatizou: “O Banco Master é apenas um entre centenas de clientes da Reag, que é uma das maiores gestoras do País, não tendo qualquer participação na sua gestão, estrutura societária ou decisões internas.”
Fonte: www.cnnbrasil.com.br