Joesley Batista e sua Viagem a Caracas
Tentativa de Persuasão a Nicolás Maduro
Uma reportagem divulgada pela agência de notícias Bloomberg nesta quarta-feira, dia 3, informa que Joesley Batista, proprietário da JBS (JBSS32), realizou uma viagem a Caracas com o objetivo de convencer o presidente venezuelano Nicolás Maduro a atender a um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o governante venezuelano renunciasse, possibilitando uma transição pacífica do poder.
Encontro com Maduro
Conforme relatou a Bloomberg, Joesley Batista se reuniu com Maduro em 23 de novembro, após uma ligação do presidente dos EUA ao líder venezuelano, instando-o a deixar a Venezuela. O papel de Batista como mediador foi destacado, sendo uma tentativa de suavizar as tensões políticas existentes entre o governo Trump e a Venezuela.
Conhecimento do Governo Americano
A Bloomberg informou que autoridades do governo Trump estavam cientes dos planos de visita de Batista a Caracas, mas não houve solicitação para que ele viajasse em nome dos Estados Unidos. A J&F SA, holding da família Batista, emitiu um comunicado à Bloomberg afirmando que "Joesley Batista não é representante de nenhum governo". A Casa Branca, assim como o Ministério da Informação da Venezuela e o gabinete da vice-presidente Delcy Rodríguez, não comentaram sobre a visita de Batista.
Contexto Militar e Acusações
A viagem de Batista ocorreu em um momento em que sinais indicavam que o governo Trump estava se preparando para operações militares dentro da Venezuela. Os Estados Unidos classificaram o Cartel de los Soles como uma organização terrorista, acusando Maduro de liderar essa suposta estrutura criminosa. Desde setembro, Washington vem realizando ataques letais contra embarcações que, segundo as autoridades, estariam transportando drogas no Caribe e no Pacífico, reiterando as acusações contra Maduro, que seria o chefe de um cartel de narcotráfico.
A resposta do governo venezolano foi negativa; Caracas argumenta que os objetivos de Washington incluem a derrubada do presidente Maduro e a tomada do controle sobre o petróleo do país.
Relações Comerciais e Históricas da JBS
A reportagem da Bloomberg ainda destaca a relação da JBS com a Pilgrim’s Pride Corp., produtora de frango com sede no Colorado, que fez uma contribuição de US$ 5 milhões ao comitê de posse de Trump, a maior doação individual feita para essa campanha. Além disso, a JBS obteve a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários para a listagem de suas ações em Nova York.
Encontro com Trump e Interesses Comerciais
No início deste ano, Batista se encontrou com Donald Trump para discutir a possibilidade de remoção das tarifas sobre a carne bovina. A JBS destaca-se como a maior fornecedora de carne do mundo, empregando mais de 70 mil funcionários nos Estados Unidos e no Canadá.
A Bloomberg também recorda as negociações anteriores entre a família Batista e o governo da Venezuela. Em um contexto de grave escassez de alimentos e hiperinflação, JBS e Maduro chegaram a negociar um acordo no valor de US$ 2,1 bilhões para o fornecimento de carne bovina e frango ao país.
Fonte: www.moneytimes.com.br