Jovem de 17 anos conecta 140 escolas no Amazonas à internet Starlink.

Iniciativa de Eric Bartunek

O estudante Eric Bartunek, de 17 anos, conseguiu conectar aproximadamente 140 escolas na região amazônica com a Starlink, um serviço de internet via satélite de alta velocidade fornecido pela SpaceX. A doação de antenas deve beneficiar cerca de 14 mil estudantes, conforme estimativas do Instituto Redes Conectadas.

Origem do Interesse Pela Educação

O interesse de Eric pela educação começou durante uma viagem a Sobral, no Ceará, com a Fundação Lemann, em 2022. Ele ficou impressionado com a infraestrutura e a qualidade do ensino local, reconhecido como referência em educação pública no Brasil.

A experiência despertou em Eric o desejo de expandir o acesso à educação de qualidade no país. Ele planeja ingressar em uma universidade nos Estados Unidos em 2026, com foco em economia e educação, mas tem a intenção de voltar ao Brasil para aplicar os conhecimentos adquiridos.

“Eu me encantei pela educação de Sobral, estava muito acima das minhas expectativas. Eu consegui ver os alunos muito empenhados, a comunidade abraçando as escolas e os pais muito envolvidos na educação dos filhos”, relata.

Comparação de Currículos

Filho de Florian Bartunek, um dos principais gestores de fundos do mercado financeiro, Eric ficou surpreso ao perceber que os alunos de Sobral estavam seguindo um currículo muito próximo ao que ele aprendia em seu colégio privado em São Paulo.

“Muitos alunos estavam aprendendo inglês sozinhos, crianças de 10 anos. Eu vi a motivação deles para aprender. A boa infraestrutura, a relação com a comunidade e essa ambição dos alunos foram aspectos que percebi de forma muito forte em Sobral”, completa.

A Decisão de Agir

Ao retornar a São Paulo, Eric tomou a firme decisão de contribuir para a melhoria da educação no Brasil, levando um pouco do que viu em Sobral para outras regiões. Para isso, começou a pesquisar sobre o tema e a estabelecer contatos com organizações não governamentais que atuavam na formação de jovens.

O estudante compreendeu que as escolas públicas enfrentam diversos problemas e percebeu que a falta de conexão à internet ainda era uma dificuldade em muitos municípios, especialmente os mais isolados.

“Quando descobri o problema da conectividade, percebi que era algo que eu poderia ajudar a resolver. Era uma questão viável de melhorar”, conta Eric.

Escolha da Amazônia

A Amazônia foi a região escolhida para o projeto, segundo Eric, por ser um lugar que representa o Brasil globalmente e pela infraestrutura menos desenvolvida.

A internet via satélite da Starlink foi identificada como a solução mais econômica e compatível com a infraestrutura da região a ser atendida. Inicialmente, o objetivo de Eric era conectar 10 escolas em Manicoré, município interiorano do Amazonas. Ele buscou doações para a instalação dos equipamentos e o custeio das mensalidades.

Desenvolvimento do Projeto

Após explicar para seu pai a ideia do projeto, Eric foi informado sobre um amigo dele que tinha relações próximas com a SpaceX. Assim, ele entrou em contato com a equipe do fundo de investimento, que se mostrou interessada na iniciativa e o direcionou para um contato na SpaceX.

Eric relata que seu primeiro e-mail não foi respondido, mas ele persistiu até obter um retorno da SpaceX.

“Eles se interessaram pelo meu projeto e, por sorte, estavam começando uma iniciativa na SpaceX chamada ‘Starlink for Good’, que realiza doações de antenas para escolas e hospitais. O projeto estava em fase inicial em apenas mais dois locais na Ásia e na África. Eles gostaram muito da ideia e concordaram em ajudar”, explica.

Surpresas Com a Doação

O jovem teve uma videochamada com Gwynne Shotwell, CEO da SpaceX, onde apresentou seu objetivo de solicitar a doação das 10 antenas, mas para sua surpresa, saiu da conversa com a doação de outras 130 antenas. No total, as antenas irão ajudar a conectar o ecossistema de 140 escolas.

“Fiquei extremamente feliz, não esperava por isso. Eles concordaram em ajudar e deu tudo certo”, compartilha Eric, visivelmente satisfeito.

Instalação das Antenas

A instalação está sendo realizada em parceria com a Associação MegaEdu e o Instituto Redes do Futuro. As primeiras antenas já estão operando em Manicoré (AM), e espera-se que até o final de fevereiro todas as escolas atendidas pela iniciativa estejam conectadas.

“Eu fui pessoalmente para fazer a instalação das primeiras antenas. Viajamos de barco até lá com os equipamentos e foi uma experiência incrível. A escola até parou por uma hora para acompanhar a instalação; todos os alunos estavam presentes”, conta Eric.

O custo dos equipamentos e das mensalidades, durante o primeiro ano, será coberto pela Starlink e pelas doações de Eric Bartunek.

Colaborações Importantes

Embora tenha coordenado a doação das antenas para as escolas da Amazônia, Eric contou com o apoio da Associação MegaEdu e do Instituto Redes do Futuro (anteriormente conhecido como Instituto Escolas Conectadas).

A iniciativa para conectar as escolas amazônicas foi impulsionada por um mapeamento realizado pela MegaEdu, uma organização que, há quase cinco anos, produz dados e evidências sobre a conectividade escolar, com o intuito de fomentar a implementação de políticas públicas em áreas mais remotas.

“Quando Eric nos procurou, já tínhamos um trabalho que identificava os desafios de algumas regiões, o que ajudou na qualificação da decisão”, comenta Cristieni Castilhos, CEO da MegaEdu.

Dados do Ministério da Educação

Conforme dados do Ministério da Educação, em setembro de 2025, cerca de 35% das escolas públicas ainda não possuíam conexão adequada com a internet.

Para Castilhos, a conectividade nas escolas públicas tem avançado ao longo dos últimos anos, mas ainda está muito distante de um cenário ideal, especialmente na região norte.

“Em 2021, o Brasil tinha 30 mil escolas sem conexão à internet. No ano passado, esse número caiu para 13 mil, sendo que aproximadamente 90% dessas instituições estão localizadas na região norte. Hoje, sabemos que o problema de prover acesso à internet está muito concentrado nessa área”, explica.

Atuação do Instituto Redes do Futuro

O Instituto Redes do Futuro tem como objetivo levar internet gratuita e de alta velocidade para escolas públicas no Brasil, utilizando parcerias com provedores de internet e doações de empresas ou indivíduos.

Fernanda Prado, gerente geral do Instituto Redes do Futuro, menciona que a instituição já ajudou a conectar 748 escolas em 85 municípios. Ademais, outras 191 escolas no Amapá, Amazonas e Pará receberam acesso à internet da Starlink em projetos anteriores.

“Nós já tínhamos esse histórico de articulação com secretarias para a doação de antenas Starlink, além de monitorar o uso e apoiar as escolas na operação da internet”, detalha Prado.

Benefícios da Conectividade

Prado enfatiza que a instalação de internet nas escolas não beneficia apenas os estudantes, mas toda a comunidade ao redor das instituições de ensino.

“Em Barro Alto, em Manicoré, uma das primeiras escolas que visitamos com Eric, fica próxima a uma UBS [unidade básica de saúde]. A escola atua como um hub para as comunidades. Agora, todos poderão usar a internet e se comunicar com os médicos através desse novo recurso”, explica.

A conectividade nas escolas também traz vantagens para os professores, elaborado pela agilidade em acessar planos de aula e atrair a atenção dos alunos com conteúdos dinâmicos e interativos. Além disso, facilita a comunicação dos educadores com secretarias e gestores públicos.

“Já ouvi histórias em secretarias de educação na Amazônia, onde gestores precisam viajar dias para visitar uma escola e não conseguiam realizar reuniões de planejamento em equipe, pois era muito inviável ir a cada uma delas. Agora, em uma plataforma online, todos os diretores das escolas podem se comunicar e planejar o ano juntos”, conclui Prado.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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