Queda das Ações da Embraer e Análise do JP Morgan
A recente queda acentuada das ações da Embraer (EMBJ3) foi considerada exagerada, segundo o banco JP Morgan. No dia 12 de abril, os papéis da fabricante de aeronaves brasileira fecharam o dia com uma perda de 11%, cotados a R$ 74,62, o menor valor registrado nos últimos oito meses.
Esse desempenho negativo foi o nono pior nos últimos dez anos. O último episódio de queda tão significativa não era observado desde março de 2022, durante o período em que a invasão russa à Ucrânia gerou grande repercussão no mercado.
De acordo com os analistas do JP Morgan, a principal apreensão entre os investidores diz respeito à possibilidade de atrasos ou cancelamentos no backlog da companhia. Isso acontece em meio à alta nos preços do petróleo e a uma potencial crise no setor aeroespacial, diante da escalada das tensões geopolíticas.
Backlog da Embraer
Atualmente, a Embraer conta com um backlog total de US$ 31,6 bilhões, sendo que US$ 14,5 bilhões são referentes à aviação comercial, o que equivale a 459 aeronaves encomendadas. Dentro desse total, estão incluídos pedidos de sete jatos de companhias aéreas do Oriente Médio, como Salam Air e Royal Jordanian. Além disso, há outros 50 jatos encomendados por novas companhias, como a Avelo, que podem ter suas operações impactadas pelo aumento dos preços do petróleo.
Esses 57 jatos somam aproximadamente US$ 4,8 bilhões em backlog, representando, ao mesmo tempo, um potencial de receita de US$ 3 bilhões, levando em conta um desconto médio de 40%.
Desde o início do conflito no Irã, os preços do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, aumentaram 40%, com o barril atualmente sendo negociado a US$ 100.
Impactos da Guerra no Irã nas Entregas da Embraer
Conforme análise do JP Morgan, as entregas na aviação comercial são consideradas as mais vulneráveis para a Embraer neste contexto global. Um eventual recuo de 5% nas entregas de aeronaves deste segmento, o que corresponderia a cerca de cinco aeronaves, pode resultar em uma redução de aproximadamente 1% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia para este ano.
Os cálculos do banco indicam que uma diminuição de 5% nas encomendas do segmento comercial teria um impacto equivalente a até 2% na capitalização de mercado da Embraer, que atualmente é de cerca de R$ 55 bilhões.
Para seus cálculos, o JP Morgan projeta a entrega de 83 aeronaves comerciais em 2026 e 90 no ano seguinte. Em relação aos jatos executivos, uma redução de 5% nas entregas poderia impactar ainda mais o Ebitda, com uma possível queda de cerca de 5% neste ano. A expectativa é de que sejam entregues 165 aeronaves em 2026 e 175 no ano seguinte.
Na visão dos analistas, uma redução de 20% nas entregas, tanto na aviação comercial quanto na executiva, poderia resultar em uma revisão para baixo de até 12% no Ebitda da empresa em 2026 e 2027.
Avaliação das Ações EMBJ3
Conforme a análise realizada pelos analistas do JP Morgan, as ações da Embraer estão subavaliadas em comparação aos principais concorrentes do setor. A companhia está sendo negociada a um múltiplo de 8,9 vezes o valor de mercado sobre Ebitda (EV/Ebitda), enquanto a Airbus é negociada a 11,2x, a Boeing a 36,1x e a Bombardier a 12,8x.
A equipe do banco norte-americano ressalta que, entre os dez piores desempenhos diários das ações da EMBJ3 na última década, sete ocorreram durante a pandemia de Covid-19, sendo os três piores casos registrados em março de 2020, após a implementação dos lockdowns.
Apesar da queda recente, o preço da ação superou a desvalorização em três ocasiões de forte recessão após 30 dias, registrando uma alta média de 4%. Em outras três situações, a recuperação das cotações aconteceu nos 90 dias seguintes, com uma média de alta de 6%.
O JP Morgan possui uma recomendação de compra para as ações EMBJ3, que são negociadas na B3, assim como para as ações EMBJ, que estão listadas na Bolsa de Nova York (Nyse).
Fonte: www.moneytimes.com.br