Juro mais baixo não é suficiente para mudar cenário econômico, apontam especialistas.

Redução da Taxa Selic: Avaliações das Entidades

Após o corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros realizado pelo Banco Central (BC), as entidades do setor produtivo avaliaram que a taxa Selic ainda está em um nível restritivo. Segundo essas análises, esse cenário limita a capacidade de investimento, eleva o custo do crédito e dificulta a recuperação da competitividade do setor produtivo, mesmo com o início do ciclo de cortes.

Decisão do Copom

A decisão de reduzir a Selic para 14,75% ao ano foi anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira, dia 18.

Avaliação da CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou que a decisão do BC foi adequada, mas ainda insuficiente para reverter o atual quadro econômico. A CNI destacou que a medida não interrompe a queda da atividade econômica, não libera investimentos e não reduz o endividamento, o que indica uma política monetária excessivamente restritiva.

O presidente da entidade, Ricardo Alban, ressaltou que o atual cenário inflacionário permite uma atuação mais decisiva do Copom. Ele afirmou que as expectativas de inflação estão dentro do intervalo de tolerância da meta, justificando assim um eventual corte mais significativo na taxa básica de juros. Alban ainda enfatizou que a manutenção de juros elevados por um período prolongado tende a aprofundar os efeitos negativos sobre a atividade produtiva, comprometendo a retomada do crescimento, o nível de investimentos e a geração de empregos.

Posição da Fiemg

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também considerou que o corte da Selic é insuficiente para melhorar a competitividade da indústria. A Federação reconhece que o contexto internacional, que inclui conflitos no Oriente Médio e instabilidade nos preços dos combustíveis, gera efeitos secundários na inflação. No entanto, ela alerta que esses fatores trazem desafios adicionais para a indústria, já afetada por um ambiente de crédito restrito e elevado custo de capital.

O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, afirmou que, em um cenário pressionado por choques externos, é crucial adotar medidas que preservem a capacidade de investimento e a competitividade da indústria nacional. Ele também mencionou que o alto nível da taxa de juros impõe uma restrição significativa à economia e defendeu cautela para evitar impactos desproporcionais sobre a atividade produtiva e o mercado de trabalho. Roscoe afirmou que a deterioração da atividade econômica pode ter consequências negativas na criação de empregos e na geração de renda.

Perspectiva da Firjan

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) avaliou de forma positiva e coerente o corte de 0,25 ponto percentual na Selic. A Firjan afirmou que o início da redução dos juros, mesmo que cauteloso, representa um alívio para a indústria, que enfrenta entraves internos e pressões adicionais sobre custos e cadeias logísticas globais, em decorrência de conflitos geopolíticos.

O economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart, destacou a importância da responsabilidade fiscal. Ele afirmou que, mesmo em um contexto de incerteza ligado ao ciclo eleitoral, é imprescindível um compromisso com uma agenda estrutural credível para conter gastos, o que ajudaria a reduzir o risco-país e abrir espaço para juros mais baixos de maneira sustentável. Segundo Goulart, sem esse compromisso, a política monetária tende a permanecer restritiva por mais tempo, limitando os efeitos positivos do ciclo de cortes da Selic. Ele enfatizou que a falta de disciplina fiscal compromete a confiança dos investidores, pressiona as expectativas de inflação e dificulta a redução estrutural dos juros.

Análise da FecomercioSP

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) avaliou que os desdobramentos da guerra no Oriente Médio limitaram um ajuste mais robusto por parte do Copom, e que essa postura cautelosa deve prevalecer nas próximas reuniões. A FecomercioSP indicou que, embora o ciclo de redução da Selic tenha iniciado, a duração e a intensidade dos cortes são cada vez mais incertas devido às condições domésticas e internacionais.

Considerações da Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ressaltou que a rigidez da autarquia representa uma "punição ao investimento e à inovação em favor da inércia da renda fixa". O presidente da federação, Paulo Skaf, afirmou em declaração que as taxas atualmente praticadas no mercado, que podem chegar a seis vezes o índice de inflação, são "absurdas". Ele também enfatizou que, para que o país consiga retomar o crescimento, é urgente que o governo assuma a responsabilidade por seus gastos excessivos e déficits, que já elevaram a dívida pública para níveis próximos a 80% do PIB.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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