Fechamento da Curva de Juros Futuros
A curva de juros futuros no Brasil teve uma redução de mais de 30 pontos-base em diversos vencimentos, após o Tesouro Nacional realizar duas intervenções no mercado. Essas operações incluíram a recompra de títulos indexados à inflação e títulos prefixados.
Taxas de Depósito Interfinanceiro (DIs)
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DIs) para janeiro de 2027 apresentou um fechamento a 14,070%, em comparação com a taxa anterior de 14,315%, resultando em uma queda de 25 pontos-base. A taxa DI para janeiro de 2030, que é considerada de médio prazo, encerrou o dia em 13,655%, caindo de 14,080% do fechamento anterior. Já a taxa para janeiro de 2036, referente a um período mais longo, foi reduzida para 13,740%, em vez de 14,190% registrada na última sexta-feira (13).
Cancelamento de Leilões de Títulos Públicos
Na parte da manhã, o Tesouro Nacional anunciou o cancelamento dos leilões tradicionais de títulos públicos que estavam agendados. Os leilões cancelados incluíam títulos indexados a índices de preços (NTN-B) e títulos prefixados (LTN e NTN-F), programados para as terças e quintas-feiras desta semana, respectivamente. Por outro lado, o leilão de títulos indexados à taxa básica Selic (LFT) que estava programado para a terça-feira permanecerá conforme planejado.
Além disso, o Tesouro informou que, a partir desta segunda-feira, começará a realizar leilões de compra e venda de papéis, com o intuito de “oferecer suporte ao mercado de títulos públicos, assegurando seu bom funcionamento e o de mercados correlatos”.
Intervenções do Tesouro Nacional
Durante o dia, ocorreram duas intervenções no mercado. A primeira aconteceu às 10h30 (horário de Brasília), na qual o Tesouro recomprou 14,8 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 2,45 milhões de Notas do Tesouro Nacional-Série F (NTN-F). Na segunda intervenção, realizada às 15h30, foram recompradas 3,552 milhões de Notas do Tesouro Nacional-Série B (NTN-B), ao mesmo tempo em que foram vendidas 150 mil do mesmo título.
Essas intervenções têm como objetivo corrigir distorções na curva a termo brasileira, especialmente em resposta aos impactos da guerra no Oriente Médio. Segundo Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, “o leilão do Tesouro ajudou a fazer a curva de prefixados ceder, e isso reflete nas taxas de DIs”. Ele também destacou a importância do leilão de NTN-B. “A operação de compra e venda tem o intuito de organizar as distorções na curva e ajustar um pouco a estrutura de financiamento”.
Desempenho do Mercado Internacional
O movimento de queda nas taxas de DI também acompanhou a fragilidade dos preços do petróleo, bem como o desempenho dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries. O rendimento (yield) do Treasury de 10 anos, considerado uma referência global para decisões de investimento, fechou em 4,222%, em comparação a 4,285% no fechamento da sessão anterior.
Expectativas em Relação à Super Quarta
Com um cenário externo mais favorável, mesmo com a continuidade do conflito no Oriente Médio, as taxas de juros apresentaram queda em sintonia com o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), que registrou uma alta de 0,80% em janeiro em comparação a dezembro, na série ajustada sazonalmente. Esse resultado ficou abaixo da expectativa de alta de 0,85% projetada por economistas consultados pela Reuters.
A movimentação das taxas alterou a precificação em relação à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Durante a tarde, a curva de juros indicava uma probabilidade de 90% para um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima quarta-feira (18), enquanto as chances de manutenção eram de apenas 10%. Essa mudança é atribuída à análise da analista Laís Costa, da Empiricus Research. Na tarde da sexta-feira anterior, a curva mostrava 65% de probabilidade para um corte de 0,25 ponto percentual. Atualmente, a Selic está fixada em 15% ao ano.
Ajustes nas Projeções de Juros
Enquanto os investidores ajustam suas posições na curva de juros e em mercados correlatos antes da reunião do Copom, as instituições financeiras também revisam suas projeções para a Selic. Muitas delas alteraram suas expectativas, reduzindo a previsão de corte de 50 pontos-base para 25 pontos-base e, nesta segunda-feira, algumas foram além, mudando de 25 pontos-base para um cenário de manutenção.
Cenário Econômico nos Estados Unidos
No mercado norte-americano, a expectativa é de que os juros permaneçam estáveis na próxima quarta-feira. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, os traders apontam 99,1% de probabilidade de que o Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve mantenha os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, com cortes programados apenas para o início de setembro.
Fonte: www.moneytimes.com.br