Ken Griffin: O Capitalismo de Compadrio de Trump, Não a América

Entrevista com Ken Griffin

O CEO da Citadel, Ken Griffin, foi entrevistado pelo presidente do Milken Institute, Michael Milken, durante a Conferência Global do Milken Institute, realizada em 7 de maio de 2025, em Beverly Hills, Califórnia. A conversa foi destaque na cobertura jornalística do evento.

Críticas à Administração Trump

Na quinta-feira, Griffin criticou a administração Trump por firmar acordos com grandes corporações a fim de evitar a plena aplicação de suas políticas tarifárias, descrevendo tais acordos como antinorte-americanos.

“É isso que somos como país, vamos favorecer os grandes e os bem conectados?” afirmou Griffin em uma entrevista exclusiva para a CNBC, conduzida pela jornalista Sara Eisen, a partir de Miami. “Essa não é a história americana.”

Consequências do Intervencionismo Estatal

Griffin acrescentou que "quando o Estado se envolve na escolha de vencedores e perdedores, há apenas uma maneira de terminar esse jogo: todos nós perdemos". O empresário, que é um bilionário e uma figura proeminente em Wall Street, expressou preocupação com o impacto das decisões governamentais sobre o mercado.

As declarações de Griffin surgem em um momento em que empresas dos Estados Unidos apressam-se em firmar acordos com a Casa Branca, permitindo que essas empresas evitem os maiores encargos sobre as importações provenientes de diversos países estrangeiros.

Múltiplas empresas conhecidas, como Apple e Nvidia, anunciaram investimentos significativos no mercado doméstico nos últimos meses. Esses anúncios foram interpretados por alguns analistas como uma estratégia para ganhar a favor da administração Trump.

Preocupações com o Capitalismo de Conexões

Griffin mencionou suas preocupações relacionadas ao capitalismo de conexões, ao referir-se ao caminho das tarifas. Ele criticou a situação na qual várias empresas aguardam em filas diante da Casa Branca, defendendo por que deveriam ser isentas dos impostos sobre o que importam para seus produtos.

“A linha do lado de fora da Casa Branca de todos os negócios argumentando por que deveriam ser isentos de pagar tarifas é nauseante”, declarou Griffin.

Comparação com Impostos Sobre Vendas

O influente empresário de Wall Street comparou os impostos sobre as importações a um "imposto sobre vendas nacional". Ele explicou que esses encargos teriam um impacto mais significativo na renda das famílias com menores ganhos, o que levanta “questões de equidade e justiça” relacionadas à política tarifária do presidente Trump.

Griffin alertou que as empresas devem agir com cautela ao tentar agradar a equipe atual da Casa Branca, observando que essas companhias podem acabar se tornando desagradáveis ou precisando refazer acordos caso uma nova administração tome posse.

“É o engajamento do governo em escolher vencedores e perdedores. Devemos caminhar com cuidado nessa água”, comentou Griffin. “Na verdade, deveríamos apenas nos afastar disso. É onde os crocodilos habitam.”

Mudança de Dinâmica no Mercado

Griffin também destacou que a competência central das empresas não deve estar ligada à capacidade de impulsionar a inovação, mas sim na habilidade de conquistar os favores adequados em Washington, D.C. Essa mudança de foco pode afetar a forma como as empresas operam e competem no mercado, gerando um ambiente que prioriza relações políticas sobre inovações.

Fonte: www.cnbc.com

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