Reações Internacionais ao Ataque dos EUA na Venezuela
Condenação da Rússia e do Irã
A Rússia e o Irã manifestaram ampla condenação ao ataque realizado pelos Estados Unidos contra a Venezuela, ocorrido na manhã de sábado. Os líderes internacionais, por sua vez, clamaram por uma desescalada e indicaram que estão monitorando a situação de perto.
Através de um comunicado, o ministério das Relações Exteriores da Rússia caracterizou os ataques à Venezuela como "um ato de agressão armada", expressando que essa ação é "profundamente preocupante e digna de repúdio".
De acordo com o ministério, "os pretextos utilizados para justificar tais ações são infundados… Na atual situação, é importante, antes de tudo, impedir nova escalada e focar na busca de uma saída por meio do diálogo".
Além disso, a Rússia enfatizou que "a América Latina deve permanecer uma zona de paz, como já se declarou em 2014. E a Venezuela deve ter garantido o direito de determinar seu próprio destino, sem interferência destrutiva, e muito menos militar, de fora".
O ministério russo também anunciou que se juntará às autoridades venezuelanas e aos líderes de países latino-americanos para solicitar uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU.
Declarações do Irã
O Líder Supremo do Irã, Ayatollah Khamenei, afirmou que os Estados Unidos estão "tentando arrogantemente impor algo ao país, aos dirigentes, ao governo e à nação" da Venezuela. "Nós não nos rendemos ao inimigo", declarou Khamenei.
Monitoramento da Situação pela União Europeia
Kaja Kallas, representante da União Europeia para assuntos exteriores e política de segurança, comunicou através de uma postagem em redes sociais que a União Europeia está monitorando de perto a situação na Venezuela. "Falei com o Secretário de Estado Marco Rubio e nosso Embaixador em Caracas… A UE afirmou repetidamente que o Sr. Maduro carece de legitimidade e defendeu uma transição pacífica", destacou Kallas.
A representante também enfatizou a necessidade de respeito pelos princípios do direito internacional e da Carta da ONU, concluindo que "chamamos à contenção. A segurança dos cidadãos da UE no país é nossa prioridade máxima".
Críticas da Alemanha
Na Alemanha, Roderich Kiesewetter, um destacado membro da conservadora União Democrata Cristã, caracterizou o ataque dos EUA como um "golpe". "Com o presidente Trump, os EUA estão abandonando a ordem baseada em regras que nos moldou desde 1945", afirmou Kiesewetter. Ele ressaltou que "o golpe na Venezuela marca um retorno à antiga doutrina dos EUA anterior a 1940: uma mentalidade que pensa em esferas de influência, onde a força predomina, não o direito internacional".
A Situação dos Cidadãos Belgas
Maxime Prevot, vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Bélgica, afirmou que a segurança de seus cidadãos na Venezuela é a principal prioridade do país europeu. "Nossa embaixada em Bogotá, que é responsável pela Venezuela, e nossos serviços em Bruxelas estão totalmente mobilizados. A situação está sendo monitorada de perto, em coordenação com nossos parceiros europeus".
Apelo da Espanha
O ministério das Relações Exteriores da Espanha pediu aos EUA que desescalassem as hostilidades. "Nesse sentido, a Espanha se dispõe a oferecer seus bons ofícios para alcançar uma solução pacífica e negociada para a crise atual", declarou em um comunicado.
A Legalidade da Operação dos EUA
Giuseppe Conte, ex-primeiro-ministro e atual líder da oposição na Itália, argumentou que a operação dos EUA "não tem base legal". "Estamos diante de uma flagrante violação do direito internacional, que certifica a dominância dos mais fortes e melhor equipados militarmente… Espero que toda a comunidade internacional faça ouvir sua voz e que todos entendam que se as regras se aplicam apenas a inimigos e não a amigos, ninguém pode se sentir seguro. Além disso, a natureza iliberal do governo não pode justificar um ataque a um estado soberano".
Declarações de Indonésia e Trinidad e Tobago
Yvonne Mewengkang, porta-voz do ministério das Relações Exteriores da Indonésia, comunicou que o país está monitorando os acontecimentos para garantir a segurança de seus cidadãos na Venezuela. "A Indonésia também apela a todas as partes relevantes para priorizar a resolução pacífica através da desescalada e do diálogo, enquanto dá prioridade à proteção de civis".
Mewengkang destacou a importância do respeito ao direito internacional e aos princípios da Carta da ONU.
Em Trinidad e Tobago, a primeira-ministra Kamala Persad-Bissessar deixou claro que o país não está participando das operações militares dos EUA na Venezuela. "Trinidad e Tobago continua a manter relações pacíficas com o povo da Venezuela", afirmou Persad-Bissessar.
— CNBC contribuiu para este relatório.
Fonte: www.cnbc.com