Liquidação Extrajudicial do Will Bank
Na quarta-feira, dia 21, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial do Will Bank, um banco digital sob o controle do Banco Master. Com essa decisão, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) terá que desembolsar aproximadamente R$ 46,9 bilhões em depósitos do Banco Master e do Will Bank, o que representa cerca de um terço da liquidez do fundo, que era de R$ 121 bilhões em junho de 2025.
Contribuições dos Bancos
Para recompor a liquidez do FGC, os bancos devem aumentar suas contribuições, especialmente as instituições financeiras de grande porte, incluindo Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Caixa e BTG Pactual. Esses bancos concentram cerca de 75% dos depósitos segurados no sistema.
Impacto no Sistema Bancário
Conforme um relatório elaborado pela Moody’s Brasil, o sistema bancário brasileiro possui capacidade para absorver esse impacto financeiro. No entanto, essa operação não será isenta de custos, pois pode resultar em uma redução de liquidez e impactar os resultados financeiros das instituições bancárias.
O FGC precisa manter um nível mínimo de liquidez que corresponda a pelo menos 2,5% dos depósitos segurados. Contudo, segundo a classificação de risco, após os pagamentos, há uma previsão de déficit de R$ 55 bilhões em relação a esse mínimo necessário.
Estratégias para Solução
O relatório da Moody’s sugere que as principais ações para mitigar essa pressão financeira incluam a antecipação de contribuições futuras e a implementação de uma sobretaxa temporária de até 50% sobre a contribuição ordinária, até que a liquidez seja restabelecida ao seu nível adequado.
Impacto nos Bancos Médios
Os analistas da Moody’s indicam que o impacto imediato afetará com mais intensidade os bancos de médio porte, provocando uma maior cautela por parte dos investidores. Apesar disso, o estudo aponta alguns fatores que podem atenuar os efeitos adversos para essas instituições. A moderação esperada na originação de crédito ao longo deste ano também poderá reduzir as pressões sobre a liquidez e as necessidades de captação dos bancos médios.
Revisão da Metodologia do FGC
O relatório também menciona a revisão na metodologia do FGC, uma análise realizada a cada quatro anos pelo Banco Central e pelo fundo. As alterações previstas podem trazer um custo estrutural maior, especialmente para os bancos menores, que dependerão mais intensamente do FGC, conforme observações feitas pela Moody’s.
Fonte: www.moneytimes.com.br