Desempenho Financeiro da Vulcabras no 1T26
A Vulcabras (VULC3), proprietária das marcas Olympikus, Mizuno e Under Armour no Brasil, reportou um lucro líquido de R$ 80,1 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26). Este valor representa uma queda de 24,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Receita e Crescimento Operacional
Apesar da redução no lucro, a empresa conseguiu registrar um crescimento de dois dígitos em sua receita, assim como um avanço em suas operações. A receita líquida atingiu R$ 776,4 milhões, uma alta de 10,7% em comparação ao 1T25, marcando o 23º trimestre consecutivo de crescimento para a companhia.
A administração comentou: “Após um ano histórico, a Vulcabras iniciou 2026 com mais um trimestre de crescimento, reforçando a resiliência de seu modelo de negócios mesmo diante de um ambiente ainda desafiador para o consumo”.
Volume de Vendas e Segmentos
O volume bruto faturado pela Vulcabras foi de 7,6 milhões de pares e peças, resultando em um aumento de 6,8% na comparação anual. No segmento de calçados esportivos, que é a principal categoria da empresa, o volume cresceu 10,5%, alcançando 4,8 milhões de pares.
Desempenho por Mercado
O mercado interno foi responsável pela maior parte da receita da Vulcabras, com vendas totalizando R$ 755,6 milhões, representando um aumento de 12,6%. Por outro lado, as vendas no mercado externo diminuíram 30,4%, somando apenas R$ 20,8 milhões, o que reflete as dificuldades enfrentadas nos principais mercados de atuação da empresa na América Latina.
Rentabilidade e Margem Bruta
Na análise de rentabilidade, o lucro bruto da companhia cresceu 11,2%, totalizando R$ 313,5 milhões. A margem bruta apresentou um leve avanço, atingindo 40,4%, com um aumento de 0,2 ponto percentual.
A empresa indicou que enfrentou pressões significativas em relação aos custos, incluindo mão de obra, encargos trabalhistas, reajuste do salário mínimo, absenteísmo e aumento nos preços de insumos que estão ligados a derivados de petróleo. Entretanto, o custo dos produtos vendidos apresentou uma queda em sua proporção em relação à receita, passando de 59,8% para 59,6%.
Resultado da EBITDA e Despesas Financeiras
O EBITDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) recorrente alcançou R$ 156,9 milhões, o que representa um crescimento de 11,8% em relação ao 1T25. A margem EBITDA recorrente ficou em 20,2%, com um avanço de 0,2 ponto percentual.
A queda no lucro foi atribuída principalmente ao resultado financeiro. A Vulcabras registrou uma despesa financeira líquida de R$ 27,8 milhões, em contraste com uma receita de R$ 2,3 milhões no ano anterior. De acordo com a companhia, essa piora foi consequência do aumento do endividamento no final de 2025, que estava relacionado à necessidade de capital de giro, investimentos em Capex e à aceleração na distribuição de dividendos.
A administração da Vulcabras afirma que está concentrando esforços na redução da alavancagem no menor prazo possível, com o objetivo de promover a diminuição das despesas financeiras.
Situação da Dívida
Ao fim do mês de março, a dívida líquida da empresa estava em R$ 658,9 milhões, o que representa uma redução de 14,4% em relação aos R$ 769,4 milhões registrados no final de 2025. A alavancagem foi de 0,7 vez em relação à dívida líquida sobre o EBITDA dos últimos 12 meses.
Reconhecimento de Efeitos Não Recorrentes
No trimestre em questão, a Vulcabras fez o reconhecimento de um efeito não recorrente negativo no valor de R$ 6 milhões, que esteve relacionado à baixa de ativos intangíveis de softwares que foram descontinuados para as plataformas de backoffice do e-commerce. Excluindo este impacto, o lucro líquido recorrente foi de R$ 86,1 milhões, o que representa uma queda de 18,9%.
Dividendo e Foco na Alavancagem
A Vulcabras não anunciou a distribuição de novos dividendos durante o período, reafirmando sua prioridade na redução da alavancagem financeira. Em 2025, a companhia havia distribuído um total de R$ 1,54 bilhão em dividendos.
Fonte: www.moneytimes.com.br


