Início da Campanha pela Sucessão Paulista
Com a presença de quatro ministros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início informal à campanha para a sucessão paulista nesta terça-feira, 3 de outubro, em um evento privado na cidade de Valinhos, São Paulo. Entre os ministros presentes estava Fernando Haddad, atual ministro da Fazenda, que é o nome mais cotado do PT para concorrer à sucessão de Tarcísio de Freitas, do Republicanos.
Discurso de Lula
Durante um breve discurso, Lula declarou que Haddad “é o responsável pelo equilíbrio da nossa economia”. Quando questionado sobre se havia alguma decisão referente à candidatura de Haddad, o ministro reiterou que ainda não havia realizado uma reunião com Lula e com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSB), para discutir o tema.
Alckmin, ex-governador de São Paulo e figura de destaque no Estado, também foi elogiado por Lula, especialmente devido à nova política da indústria brasileira. Outra ministra presente, Simone Tebet (MDB), que ocupa o cargo de ministra do Planejamento, é citada como uma potencial candidata ao Senado por São Paulo. Contudo, ela foi a única entre os quatro ministros que não fez uso da palavra durante o evento.
Comentários do Ministro da Saúde
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que atuou como porta-voz do governo no evento, evitou entrar em detalhes sobre a sucessão em São Paulo durante uma entrevista a jornalistas. Ele salientou que Lula, Alckmin e Haddad chegaram separadamente à visita à empresa Bionovis, localizada em uma cidade do interior paulista.
Essa companhia conta com as grandes empresas Aché, AMS, União Química e Hypermarcas entre suas sócias, e é fornecedora de medicamentos de alta complexidade para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Abertura da Conferência Nacional do Trabalho
Após a realização do evento em Valinhos, Lula e os ministros estavam previstos para participar da abertura da 2ª Conferência Nacional do Trabalho, que ocorre também em São Paulo.
Críticas à Guerra e à Saúde Pública
No seu discurso em defesa do SUS, Lula fez críticas indiretas ao conflito no Oriente Médio, que teve início com os ataques dos Estados Unidos ao Irã. Ele comentou sobre a situação: “Se você ligar a televisão de noite, está falando de guerra, se você ligar a televisão de manhã, está falando de morte, está falando de mísseis de invasão. E aqui nós estamos falando de salvar vida”.
Comparações de Remédios e Armas
Empunhando caixas de remédios que a empresa forneceu ao SUS, Lula comparou esses medicamentos a um "drone de remédio para o povo brasileiro". Ele afirmou: “Isso aqui é o nosso míssil. Não o míssil para matar, mas o míssil para salvar”.
Continuando em sua defesa do sistema público de saúde, Lula fez críticas diretas ao governo anterior, que foi presidido por Jair Bolsonaro. Bolsonaro, que enfrenta processos judiciais e já foi preso por crimes incluindo tentativa de golpe, indicou seu filho, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como candidato à presidência nas próximas eleições gerais.
Avaliação do SUS Durante a Pandemia
Lula avaliou que, durante a pandemia de Covid-19, o SUS “saiu agigantado”. Ele sustentou que, sem a atuação do SUS, “se não fosse o médico do SUS, se não fosse o funcionário do SUS, teria morrido muito mais gente e o Brasil estaria chorando hoje pela morte de mais gente do que aquelas que já faleceram”. Lula concluiu acentuando que a responsabilidade pelas mortes poderia ser atribuída à “irresponsabilidade de quem governava esse país e de quem cuidava da saúde desse país”.
Fonte: www.moneytimes.com.br