Marcas dos EUA e Europa desafiam o consumidor chinês

## Nova loja da Louis Vuitton em Xangai

Em um registro do dia 28 de junho de 2025, a nova loja da Louis Vuitton, que possui formato de navio de cruzeiro, foi inaugurada em Xangai, China.

## Marcas buscam se adaptar

BEIJING — O recente desaceleração econômica da China não está desmotivando as marcas dos Estados Unidos e da Europa a reformular suas estratégias para alcançar os consumidores chineses. Na verdade, a atratividade do segundo maior mercado consumidor do mundo está forçando as empresas a se adaptarem diante da concorrência crescente de marcas locais.

### Estratégia da Kraft Heinz na China

Por exemplo, a Kraft Heinz está focada em aumentar as vendas de ketchup no país. Para isso, a empresa decidiu contratar uma agência local com o objetivo de criar campanhas publicitárias atraentes, que incluem a decoração de colunas de estações de metrô para se assemelharem a frascos de ketchup, além de promover o condimento como uma inovação em um prato popular: ovos mexidos com tomate.

### Desafios do mercado

A complexidade deste mercado é evidente, até mesmo para a agência de marketing Good Idea Growth Network (GGN), com sede em Xangai. Segundo sua fundadora, Stephy Liu, em uma declaração dada em mandarim e traduzida pela CNBC, a GGN já testemunhou pelo menos cinco diferentes ondas de tendências de consumo em seus 14 anos de operação. “O jogo continua mudando.”

Apesar de ter recusado uma proposta de aquisição da gigante britânica de publicidade WPP, Liu afirmou que cerca de 50% de seus clientes são marcas estrangeiras. Mesmo que a campanha da Kraft Heinz ainda não tenha chegado ao fim, a empresa reportou que as vendas líquidas no segundo trimestre em mercados emergentes aumentaram 4,2% em comparação ao ano anterior, ajudando a compensar as quedas na América do Norte.

## A busca por personalização

### Redes sociais localizadas

As dificuldades enfrentadas por marcas como Starbucks e os sucessos de outras, como Lululemon na China, evidenciam que a combinação apropriada de personalização é vital. Jacob Cooke, co-fundador e CEO da WPIC Marketing + Technologies, que auxilia marcas estrangeiras a vendê-las na China, relatou que “entre as marcas internacionais na China, aquelas que se destacam costumam destinar mais de 40% da receita ao marketing, especialmente voltado para conteúdo e plataformas, adaptando também produtos localmente com base em dados de mercado.”

### Inovação com o Under Armour

Neste ano, Cooke destacou que a Under Armour lançou produtos com preços abaixo de 100 yuan (cerca de 14 dólares) para atrair um grande número de compradores online. A marca também utiliza transmissões ao vivo com usuários dedicados para construir comunidades de fitness e, de forma estratégica, vender produtos mais premium de maneira offline.

## Influência do Douyin no comércio eletrônico

A plataforma Douyin, de propriedade da ByteDance, tornou-se uma força significativa no comércio eletrônico nos últimos anos, especialmente após celebridades e empresas começarem a usar o aplicativo para vendas por meio de transmissões ao vivo durante a pandemia. Os dados disponíveis demonstram que ingressar no universo do Xiaohongshu e Douyin é vantajoso para os negócios.

Adaptar-se a esse novo ecossistema de comércio social tornou-se o principal desafio para as marcas nos últimos dois anos, segundo Liu da GGN. Ela alertou que o sucesso exige uma estratégia complexa, que pode envolver mudanças desde a estrutura das equipes até os tipos de produtos vendidos. Contudo, os resultados podem ser significativos. Liu afirmou: “Em seis meses, isso pode ajudá-lo a vender mais do que você vendeu no Tmall da [Alibaba] em dois anos.”

## Poder dos dados

Além das redes sociais, um aspecto fundamental nas estratégias de muitas empresas é o acesso a grandes volumes de dados sobre o que os consumidores na China estão comprando.

As plataformas de e-commerce chinesas, como o Tmall, compartilham dados muito mais abrangentes sobre os produtos populares em comparação com o que a Amazon.com oferece, segundo Cooke da WPIC. Na China, “as pessoas geralmente sabem o que seus concorrentes estão vendendo e por qual preço.”

### Exemplo do sucesso da Perfect Diary

Com a utilização de dados detalhados, a marca de maquiagem chinesa Perfect Diary conseguiu identificar uma lacuna no mercado, criando um batom focado em um segmento de preço mais baixo. Cooke destacou que essa dinâmica pressionou as marcas estrangeiras a desenvolver produtos específicos para a China, uma mudança significativa observada nos últimos cinco anos.

Os mercados de e-commerce na China frequentemente divulgam números aproximados sobre quantos pedidos foram realizados por produto, além de empresas terceirizadas, como a Syntun, que oferecem uma quantidade considerável de rankings de produtos e outros dados relacionados a vendas online de forma gratuita.

## O lançamento do iPhone 17

No que diz respeito ao lançamento do iPhone 17 que ocorreu em 19 de setembro, a plataforma chinesa de e-commerce JD.com foi a responsável por divulgar os dados de vendas para a China continental. A plataforma, focada em eletrônicos, anunciou que, durante o primeiro minuto de pré-venda do iPhone 17, o volume de pedidos superou o total do primeiro dia de pré-venda do iPhone 16 do ano anterior.

A análise da Apple evidencia como é possível reacender o interesse local, mesmo diante da perda de participação de mercado para a concorrência doméstica. Alguns consumidores em Pequim relataram à CNBC que se interessaram pela nova cor laranja cósmica do iPhone e que muitos locais pretendiam adquirir seu primeiro iPhone neste ano devido a novos recursos atraentes, como o aumento da capacidade de armazenamento.

## Conexão cultural

Dado o cenário das marcas que estão tendo sucesso na China, fica claro que a integração cultural se torna cada vez mais importante, especialmente à medida que as marcas chinesas se destacam em aproveitar a tradição do país em artesanato e maestria.

Dudarenok, por exemplo, observou que enquanto algumas marcas estão avançando além de simples referências culturais, marcas como a Loewe fizeram parcerias com mestres em talha de jade e a Burberry colaborou com artistas de tecelagem em bambu.

Apesar da queda nas vendas no mercado de luxo da China, a LVMH inaugurou no verão deste ano uma loja impressionante em formato de navio em Xangai, que rapidamente gerou um burburinho local significativo. Em contraste ao conceito da loja em Manhattan, que tem forma de mala, a nova loja em Xangai se conecta à história da cidade como um porto de entrada para viajantes internacionais na Ásia aproximadamente há um século.

Além disso, a nova loja também traduz as raízes da marca europeia na fabricação artesanal de trunks de viagem, contrastando com a dificuldade das marcas chinesas em oferecer o mesmo apelo emocional, como destacou Joe Ngai, chairman da McKinsey na China continental, em uma postagem no LinkedIn. A medida que os consumidores chineses se tornam mais confiantes e expressam seu desejo por elementos locais, novos cruzamentos entre o Ocidente e o Oriente surgem como uma oportunidade única para as multinacionais atuando na China.

*— As informações foram complementadas pela contribuição de Eunice Yoon, da CNBC.*

Fonte: www.cnbc.com

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