A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, manifestou sua condenação ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela e à mudança de regime no país. Em uma declaração pública realizada na plataforma X, Le Pen ressaltou que a soberania dos Estados é um princípio que deve ser considerado “inviolável e sagrado”. Apesar das críticas direcionadas ao governo de Nicolás Maduro, ela argumentou que a intervenção externa apresenta um risco significativo para a ordem internacional.
Críticas ao regime de Maduro
Segundo a análise de Le Pen, existem “mil razões” para desaprovar o regime venezuelano, o qual definiu como sendo comunista, oligárquico e autoritário. A líder da extrema-direita enfatizou que o governo de Maduro tem imposto à população anos de repressão, resultando na miséria e no exílio de milhões de venezuelanos.
A situação social prolongada e adversa dentro da Venezuela foi mencionada por Le Pen como um elemento que alimenta críticas internacionais ao regime vigente.
A defesa da soberania da Venezuela
Não obstante suas críticas, Le Pen enfatizou a existência de uma razão primordial para se opor à ação dos Estados Unidos: a soberania dos Estados. Ela argumenta que esse princípio não pode ser relativizado, independentemente da dimensão, força ou localização geográfica do país afetado.
Na perspectiva da líder francesa, aceitar a violação da soberania da Venezuela criaria um precedente perigoso para eventuais intervenções no futuro.
Mudança de regime e riscos globais
Le Pen advertiu que renunciar ao princípio da soberania — seja no contexto da Venezuela ou de qualquer outra nação — implicaria aceitar, no futuro, a própria submissão. Para ela, essa prática aumenta o risco de guerras e caos em um cenário internacional caracterizado por elevadas tensões geopolíticas.
A líder francesa ressaltou ainda que o século XXI está passando por transformações profundas, nas quais decisões unilaterais tendem a exacerbar a instabilidade global.
Valorização do povo venezuelano
Para Le Pen, a resolução da crise na Venezuela deve ser uma responsabilidade do próprio povo venezuelano. Segundo ela, cabe exclusivamente à população decidir, de forma soberana e livre, o futuro político do país enquanto nação.
A dirigente defendeu que quaisquer transições políticas devem ocorrer sem imposições externas e em conformidade com o direito internacional.
Repercussões no cenário internacional
A declaração de Le Pen alinha-se às manifestações de líderes internacionais que, mesmo críticos do governo de Maduro, rejeitam a ideia de intervenção militar e a mudança de regime promovidas por potências estrangeiras na Venezuela.
Esse pronunciamento reforça o debate na Europa acerca da soberania, do multilateralismo e dos limites da ação militar em crises internacionais.
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Veja a tradução da postagem:
“Havia mil razões para condenar o regime de Nicolás Maduro: comunista, oligárquico e autoritário, ele impôs ao seu povo, por anos longos demais, um jugo opressivo que lançou milhões de venezuelanos na miséria — quando não os forçou ao exílio.”
“Mas existe uma razão fundamental para se opor à mudança de regime que os Estados Unidos acabaram de provocar na Venezuela. A soberania dos Estados nunca é negociável, seja qual for seu tamanho, seja qual for seu poder, seja qual for seu continente. Ela é inviolável e sagrada.”
“Renunciar a esse princípio hoje, no caso da Venezuela — ou de qualquer Estado — equivaleria a aceitar amanhã a nossa própria servidão. Seria, portanto, um perigo mortal, num momento em que o século XXI já é palco de profundas transformações geopolíticas que fazem pairar sobre a humanidade o risco permanente de guerra e de caos.”
“Resta-nos apenas esperar, diante dessa situação, que a palavra seja devolvida o quanto antes ao povo venezuelano. Cabe a ele definir, de forma soberana e livre, o futuro que deseja construir enquanto Nação.”
Fonte: timesbrasil.com.br