Eli Lilly avança com novo medicamento para obesidade
A Eli Lilly anunciou na quinta-feira que seu medicamento inovador contra a obesidade, conhecido como retatrutide, obteve sucesso em sua primeira fase avançada de testes clínicos com pacientes diabéticos tipo 2, ajudando na gestão dos níveis de açúcar no sangue e na perda de peso.
Resultados do estudo
O fármaco conseguiu reduzir a hemoglobina A1c — um indicador fundamental dos níveis de açúcar no sangue — em uma média de 1,7% a 2% em diferentes dosagens ao longo de 40 semanas de tratamento, quando comparado ao placebo, atendendo assim ao principal objetivo do estudo. Os pacientes que participaram do ensaio clínico iniciaram o tratamento com um nível de A1c variando entre 7% e 9,5% e não estavam fazendo uso de outras medicações para diabetes.
Além de alcançar o objetivo principal, o retatrutide também atendeu a uma segunda meta do estudo, ao possibilitar que os pacientes que receberam a dose mais alta perdessem, em média, 16,8% do peso corporal, o que corresponde a cerca de 36,6 libras, após 40 semanas de tratamento, considerando apenas os pacientes que completaram o tratamento. Ao analisar todos os participantes, incluindo aqueles que interromperam o uso do medicamento, a dose mais alta ainda ajudou os pacientes a perder 15,3% do seu peso.
De acordo com Ken Custer, presidente da Lilly Cardiometabolic Health, o que é especialmente encorajador é que pacientes com diabetes tipo 2 enfrentam dificuldades históricas em perder peso. Portanto, a empresa está “muito animada” ao observar que o medicamento resultou tanto em uma queda significativa nos níveis de açúcar no sangue quanto em perda de peso considerável. Custer também destacou que a empresa está “muito satisfeita” com as taxas relativamente baixas de descontinuação do tratamento devido a efeitos colaterais, que chegaram a até 5%.
Visão geral do mercado
Esses são os segundos resultados em fase avançada para o retatrutide, que apresenta um mecanismo de ação distinto em relação a injeções existentes, demonstrando aparente eficácia superior, especialmente no que tange à perda de peso. A Lilly está apostando no retatrutide como o próximo pilar de seu portfólio anti-obesidade, seguindo o sucesso de seu lançamento, a injeção Zepbound, e a chegada de sua nova pílula, orforglipron.
No entanto, a empresa ainda não protocolou oficialmente o pedido de aprovação do medicamento para tratamento da obesidade ou diabetes. A Lilly prevê anunciar resultados de mais sete ensaios clínicos de fase três sobre o retatrutide até o final do ano.
Atualmente, não há ensaios diretos que comparem o retatrutide a outras medicações, o que dificulta a comparação direta de sua eficácia. Mesmo assim, a redução da A1c do retatrutide não parece ser a mais significativa no portfólio da Lilly, uma vez que a dose mais alta do Zepbound reduziu esse indicador em mais de 2% ao longo de 40 semanas em dois ensaios clínicos distintos com pacientes diabéticos.
Custer afirmou, no entanto, que a redução de A1c promovida pelo retatrutide é ainda “muito, muito robusta” quando comparada a outros medicamentos voltados ao diabetes que não afetam hormônios intestinais.
Perspectivas de tratamento
O presidente também ressaltou a importância de oferecer opções no tratamento da obesidade e diabetes, já que “nem todos serão beneficiados ou ficarão satisfeitos com o mesmo tratamento”. A escolha do medicamento a ser utilizado deve variar conforme a “individualização das soluções para os pacientes”, especialmente nos estágios iniciais do tratamento do diabetes, acrescentou.
Por exemplo, segundo Custer, pacientes que desejam regular seus níveis de açúcar no sangue podem se beneficiar do Zepbound ou do retatrutide. Porém, se o foco for a perda de peso mais acentuada, o retatrutide pode ser a alternativa preferível.
Em dois estudos clínicos distintos, o Zepbound auxiliar aos pacientes em perder um pouco menos de peso do que o retatrutide. Em um ensaio intitulado SURPASS-2, a dose mais alta do Zepbound permitiu uma perda média de 13,1% do peso corporal em 40 semanas. Em outro estudo, denominado SURPASS-1, a dose mais elevada resultou em uma redução média de 11% do peso após o mesmo período.
Perfil de segurança e mecanismo de ação
O perfil de segurança do retatrutide foi semelhante ao de outros medicamentos injetáveis para diabetes e obesidade, com efeitos colaterais predominantemente gastrointestinais. Aproximadamente 26,5% dos pacientes que utilizaram a dose mais elevada relataram náuseas, enquanto cerca de 22,8% e 17,6% apresentaram diarreia e vômitos, respectivamente.
Além disso, taxas baixas de pacientes relataram disestesia, que consiste em uma sensação nervosa desagradável.
Conhecido como medicamento “triple G”, o retatrutide atua imitando três hormônios que regulam a fome — GLP-1, GIP e glucagon — ao contrário de tratamentos existentes que mimetizam apenas um ou dois desses hormônios. Este mecanismo φαίνεται ter efeitos mais potentes sobre o apetite e na satisfação com os alimentos quando comparado a outros tratamentos disponíveis.
O tirzepatide, ingrediente ativo do Zepbound, imita GLP-1 e GIP. Já o semaglutide da Novo Nordisk, ativo no Wegovy, mimetiza apenas o GLP-1.
A concorrência no mercado
Conforme o retatrutide avança em direção ao mercado, a Novo Nordisk está se esforçando para acompanhar a Lilly. Em março de 2025, a empresa anunciou que concordou em pagar até $2 bilhões pelos direitos de um medicamento experimental inicial da empresa farmacêutica chinesa United Laboratories International.
O novo medicamento adquirido pela Novo é um potencial concorrente direto do retatrutide, pois utiliza uma abordagem similar de três frentes para a promoção da perda de peso e regulação do açúcar no sangue. Contudo, este tratamento está em estágios bem iniciais de desenvolvimento, o que significa que levará vários anos até que chegue aos pacientes.
Fonte: www.cnbc.com