Polícia Federal solicita autorização para usar mansão
A Polícia Federal (PF) fez um pedido de autorização para transformar uma mansão associada a Daniel Vorcaro, localizada em Belo Horizonte, em uma base para um grupo de investigação especializado em casos de corrupção e lavagem de dinheiro. O imóvel, que possui uma área de quase 2,7 mil metros quadrados, é avaliado pela Prefeitura de Belo Horizonte em R$ 12,48 milhões. No entanto, o ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF) negou essa solicitação.
A solicitação foi realizada pela delegada Janaina Palazzo, que é responsável pela investigação do caso conhecido como Master. A residência, situada no bairro Belvedere, conta com móveis de alto padrão, áreas de lazer, um espaço gourmet que inclui bares, além de uma academia, um spa e quadras esportivas.
A PF had the intention of installing, at this location, the newly formed Grupo de Investigação para Repressão à Corrupção e Lavagem de Dinheiro em Minas Gerais. A corporação justificou que a equipe ainda não possui um espaço físico adequado para as suas atividades.
Vale ressaltar que a antiga sede da Superintendência Regional da PF em Minas Gerais foi demolida para a construção de um novo edifício, cuja entrega está prevista para o ano de 2028. Enquanto isso, as unidades estão operando de forma provisória em dois imóveis alugados.
Mansão registrada em nome de empresário falecido
A PF conseguiu acessar o imóvel durante diligências que tinham como objetivo identificar endereços utilizados por Vorcaro e estabelecer os locais para a execução de mandados de busca. Na mesma rua, os investigadores localizaram uma segunda propriedade, que também era da mesma propriedade e que estava em reforma.
Funcionários que foram ouvidos durante as buscas afirmaram aos agentes que ambos os imóveis pertenciam a Vorcaro.
Embora a mansão esteja avaliada pela prefeitura em R$ 12,48 milhões, ela permanece registrada em nome do empresário Márcio Barbosa Silva Bissoli, que faleceu em 2018. O inventariante do espólio comunicou à PF que a propriedade já havia sido vendida em 2022 por R$ 30 milhões para a empresa Super Empreendimentos e Participações, que foi representada na transação por Fabiano Campos Zettel, que é cunhado de Vorcaro.
De acordo com os investigadores, a transação foi realizada por meio de um contrato particular e não há escritura pública nem registro da transferência no cartório de imóveis. O contrato inclui uma cláusula de sigilo, sendo classificado pela PF como um “contrato de gaveta”.
Necessidade de um ambiente discreto para a tarefa da PF
A justificativa para o uso do imóvel foi apresentada pela PF, que declarou que o grupo realiza análises estratégicas e produz inteligência no combate à corrupção, necessitando, assim, de um ambiente reservado, afastado do fluxo de pessoas que ocorre nas instalações destinadas ao atendimento ao público.
Durante as buscas realizadas na mansão, os policiais registraram as áreas luxuosas, mas não encontraram obras de arte, joias, cofres, veículos, aparelhos eletrônicos ou dinheiro em espécie.
A PF tinha a intenção de aproveitar a estrutura disponível enquanto a nova sede da Superintendência Regional em Minas Gerais não esteja pronta.
Ministro argumenta sobre custos para adaptação do imóvel
O ministro Mendonça, ao rejeitar o pedido, argumentou que o imóvel não é apropriado para o funcionamento regular de uma unidade policial.
Na decisão, Mendonça apontou que as fotografias da mansão exibiam “ambientes amplos e sofisticados, voltados ao lazer, ao descanso e ao uso privado, e não ao funcionamento ordinário de unidade policial ou estrutura administrativa de investigação”.
Conforme o ministro, a transformação da mansão em uma base da PF demandaria intervenções para a instalação de estações de trabalho, redes e sistemas de segurança de dados, controle de acesso, arquivos, salas de reunião, climatização, acessibilidade e mobiliário funcional.
Por essa razão, o ministro considerou que as modificações poderiam resultar em gastos elevados e até desvalorizar o imóvel em questão.
Propriedade vizinha e suas transações
A segunda propriedade localizada ao lado da mansão e que estava em reforma também foi identificada pela PF como pertencente a Vorcaro, conforme indicaram funcionários da obra. Este imóvel continua registrado em nome da empresa Cemaf Participações e Administração de Bens.
No entanto, a empresa informou que vendeu a propriedade em abril de 2025 por R$ 20 milhões à Viking Participações, a qual é administrada por Vorcaro.
A Viking Participações já aparece relacionada a outros documentos no âmbito do caso Master. Um contrato encontrado pela PF estipulava o pagamento de até R$ 50 milhões por parte da empresa ao escritório Barci de Moraes, que está vinculado a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Uma semana após a assinatura do contrato, as partes realizaram um acordo que previa a quitação de R$ 40 milhões por meio da participação em duas empresas ligadas a um jatinho Legacy 650 e um helicóptero Airbus EC 155 B1.
Fonte: timesbrasil.com.br
