Volatilidade nos Mercados Globais
Os mercados globais enfrentam um período de volatilidade nesta segunda-feira, dia 19, após o presidente Donald Trump ter prometido a imposição de tarifas sobre oito países europeus. Essa situação surge até que os Estados Unidos sejam autorizados a adquirir a Groenlândia, gerando incertezas adicionais no contexto comercial, enquanto as ações apresentam queda e o dólar se desvaloriza de maneira generalizada.
Imposição de Tarifas
Trump anunciou que aplicará uma tarifa adicional de 10% sobre as importações a partir do dia 1º de fevereiro. Esta tarifa será aplicada a produtos originários da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido. Caso não seja alcançado um acordo até 1º de junho, a tarifa será elevada para 25%.
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Reagindo a essa situação, grandes países da União Europeia condenaram as ameaças tarifárias ligadas à Groenlândia, classificando-as como chantagem. A França, por sua vez, propôs abordar o problema com uma série de contramedidas econômicas que ainda não foram testadas.
O euro registrou uma alta de 0,26%, alcançando o valor de US$ 1,1628, após ter inicialmente caído para o menor nível desde novembro. Isso se deve à venda generalizada de dólares pelos investidores, que impulsionou outras moedas concorrentes.
No cenário europeu, os futuros do EUROSTOXX 50 e do DAX experimentaram uma queda de 1,1% cada um. No Japão, o índice Nikkei teve uma redução de 1%, refletindo um sentimento de aversão ao risco predominante.
Expectativas Frustradas
Holger Schmieding, economista-chefe da Berenberg, expressou que as expectativas de que a situação das tarifas tivesse se acalmado neste ano foram frustradas. Ele observou que os mercados se encontram na mesma condição que enfrentaram na primavera passada.
Consequências das Tarifas
As tarifas amplas, conhecidas como “Dia da Libertação”, que foram anunciadas por Trump em abril de 2025, causaram impactos significativos nos mercados. Após o anúncio inicial, muitos investidores passaram a tratar as ameaças comerciais dos EUA como ruído e reagiam com alívio quando acordos eram fechados com o Reino Unido, a UE e outras nações.
Embora essa calma pareça ter chegado ao fim, os movimentos do mercado nesta segunda-feira podem ser moderados pela experiência de que o sentimento dos investidores se mostrou mais resiliente do que o esperado em 2025, mantendo o crescimento econômico global em um caminho positivo.
Os mercados dos Estados Unidos estão fechados hoje devido ao feriado do Dia de Martin Luther King Jr., resultando em uma reação tardia em Wall Street. Os futuros das ações dos EUA caíam 0,7% nas primeiras horas da manhã, enquanto o mercado à vista de Treasuries estava fechado, e os futuros do título de 10 anos subiam 1 tick.
Impacto sobre o Dólar
As consequências para o dólar não são totalmente claras, apesar de a moeda americana estar em queda generalizada nesta segunda-feira. Embora o dólar continue sendo considerado um ativo de refúgio, ele pode sofrer os efeitos das recentes rupturas geopolíticas envolvendo Washington, como ocorreu em abril passado.
A fraqueza do dólar favoreceu moedas como o iene e o franco suíço, que são vistas como ativos de refúgio. O bitcoin, sendo um indicador líquido de risco, caiu quase 3%, sendo cotado em US$ 92.602,64.
Khoon Goh, chefe de pesquisa para a Ásia do ANZ, comentou que, embora se possa argumentar que as tarifas ameaçam a Europa, o verdadeiro impacto está sendo sentido pelo dólar, uma vez que os mercados parecem estar precificando um aumento do prêmio de risco político sobre a moeda americana.
A Capital Economics indicou que os países mais vulneráveis ao aumento das tarifas dos EUA são o Reino Unido e a Alemanha. A estimativa é de que uma tarifa de 10% poderia reduzir o PIB dessas economias em cerca de 0,1%, enquanto uma tarifa de 25% poderia causar uma queda entre 0,2% e 0,3% na produção.
Desempenho das Ações e Setores Impactados
As ações europeias estão se aproximando de máximas históricas. O DAX da Alemanha e o índice FTSE de Londres apresentaram altas superiores a 3% neste mês, superando o avanço de 1,3% registrado pelo S&P 500.
O setor de defesa europeu deve continuar a se beneficiar das tensões geopolíticas atuais. As ações deste setor aumentaram quase 15% neste mês, impulsionadas pela captura de Nicolás Maduro, da Venezuela, pelas autoridades americanas, o que gerou mais preocupações relacionadas à Groenlândia.
A coroa dinamarquesa, que é gerida de forma rígida, também está sob análise. Embora tenha se enfraquecido, os diferenciais de juros desempenham um papel crucial, mantendo a moeda próxima da taxa central à qual está atrelada ao euro e não muito distante das mínimas de seis anos.
Tina Fordham, estrategista geopolítica e fundadora da Fordham Global Foresight, afirmou que “a guerra comercial entre os EUA e a UE está de volta”. Este novo movimento de Trump coincide com a assinatura de um acordo de livre comércio entre altos funcionários da UE e do bloco sul-americano Mercosul.
Tensões Geopolíticas em Crescimento
A disputa pela Groenlândia representa um dos muitos focos de tensão na atualidade. Trump também avaliou a possibilidade de intervir na instabilidade que se observa no Irã, ao passo que a ameaça de processar o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reacendeu as preocupações sobre a independência do banco central dos EUA.
Nesse cenário, o ouro, considerado um ativo de refúgio, teve uma valorização significativa, subindo mais de 1% nesta segunda-feira, alcançando um recorde de US$ 4.689,39 por onça. Até o momento, o metal precioso acumula uma alta de cerca de 8% em janeiro, após um aumento expressivo de 64% no ano anterior.
Kallum Pickering, economista-chefe da Peel Hunt, argumentou que os recentes ataques de Trump ao Fed, aliados a uma escalada nas tensões com a Europa, podem aumentar ainda mais a pressão sobre o dólar, especialmente se surgirem preocupações sobre a credibilidade da política monetária dos EUA.
Além disso, a pesquisa anual de percepção de riscos do Fórum Econômico Mundial, divulgada antes da reunião anual em Davos que contará com a presença de Trump, identificou o confronto econômico entre nações como a principal preocupação, superando a possibilidade de conflitos armados.
Uma fonte próxima ao presidente francês Emmanuel Macron informou que ele está defendendo a ativação do “Instrumento Anticoerção”, que poderia restringir o acesso a licitações públicas, investimentos ou atividades bancárias, além de limitar o comércio de serviços, uma área em que os EUA apresentam superávit com o bloco europeu, incluindo serviços digitais.
Fonte: www.moneytimes.com.br