Abertura de Mercados pelo Mercosul
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que o Mercosul está empenhado em abrir novos mercados após a conclusão do acordo comercial com a União Europeia. Lula destacou a busca por parcerias globais, especialmente com países como Canadá, México, Vietnã, Japão e China.
Declarações de Lula
“Continuaremos trabalhando para abrir mais mercados e para construir novas parcerias no mundo, em particular com Canadá, México, Vietnã, Japão e China”, afirmou Lula em uma declaração à imprensa, ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro. A declaração ocorreu na véspera da assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, marcada para sábado, em Assunção, no Paraguai.
Em sua fala, após uma reunião privada com Von der Leyen, Lula elogiou o acordo entre a UE e o Mercosul como um exemplo de multilateralismo. Ele destacou que o pacto traz benefícios não apenas para os dois blocos, mas também para os defensores da democracia ao redor do mundo. “O acordo que será assinado amanhã em Assunção, no Paraguai, é bom para o Brasil, é bom para o Mercosul, é bom para a Europa. E é muito benéfico, sobretudo, para o mundo democrático e para o multilateralismo”, afirmou.
Tensão nas Negociações
Após 25 anos de negociações, o acordo comercial entre os dois blocos será oficializado na capital paraguaia, que atualmente ocupa a presidência temporária do Mercosul. A cerimônia ocorrerá sem a presença de Lula, que será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Lula havia inicialmente esperado a assinatura do acordo para o final do ano passado, durante uma cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, quando o Brasil presidia o bloco. Contudo, a Itália apresentou discordâncias, o que tornou impossível a aprovação do pacto na União Europeia sem o apoio italiano, resultando em um adiamento.
No início deste ano, após compromissos feitos ao setor agrícola europeu, a Itália mudou sua posição e voltou a apoiar o acordo. Apesar da forte oposição da França, onde o setor agrícola possui uma significativa influência política, os demais Estados-membros da União Europeia aprovaram, na semana passada, a assinatura do pacto.
Impacto Comercial
O acordo tem o potencial de fortalecer substancialmente os laços comerciais entre o Mercosul e a União Europeia, mas também enfrentou protestos intensos na Europa, especialmente por parte de agricultores franceses. Diante da turbulência no comércio global, propiciada por políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Comissão Europeia, bem como países como Alemanha e Espanha, defendem que o acordo com o Mercosul poderá ajudar a mitigar as perdas comerciais devido às tarifas de importação dos EUA, além de reduzir a dependência do comércio com a China. Isso garantiria, por exemplo, acesso a minerais essenciais.
Notas do Ministério das Relações Exteriores
Em uma nota divulgada após a reunião entre Lula e Von der Leyen, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil ressaltou que o acordo entre a UE e o Mercosul “assume especial relevância no atual contexto internacional marcado pelo aumento do protecionismo e do unilateralismo, ao reafirmar a importância do comércio internacional como vetor de crescimento econômico”.
O pacto comercial tem como objetivo reduzir tarifas, facilitando assim a expansão do comércio entre ambos os blocos, cujo volume foi de aproximadamente US$ 100,1 bilhões em 2025, apresentando um fluxo equilibrado entre as duas partes.
Uma vez formalizado o acordo, ele precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu, um processo que deve ocorrer entre abril e maio. A expectativa é que o resultado da votação seja apertado. Caso a assembleia da União Europeia conceda sua aprovação, o acordo deverá entrar em vigor poucos meses após a votação.
Expectativas do Governo Brasileiro
Em uma entrevista concedida na quinta-feira ao programa “Bom Dia, Ministro”, transmitido pelo CanalGov, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, expressou sua expectativa de que o Congresso brasileiro aprove o acordo no primeiro semestre do ano e que ele entre em vigor no segundo semestre.
Fonte: www.moneytimes.com.br