Meta demite funcionários de VR, destacando a mudança de foco de Zuckerberg para a IA.

### Mudanças na Meta

Um pouco mais de quatro anos após Mark Zuckerberg ter anunciado a mudança do nome do Facebook para Meta, refletindo sua visão de que o futuro do trabalho, lazer e interação social seria virtual, a empresa está realizando uma correção significativa em seu rumo.

### Demissões e Reestruturação

Nesta semana, a Meta começou a demitir funcionários que atuavam na área de realidade virtual de sua divisão Reality Labs e está fechando vários estúdios que trabalhavam em títulos de VR, segundo fontes familiarizadas com o assunto que pediram para não ser identificadas por questões de confidencialidade. A CNBC confirmou um relatório do New York Times indicando que as demissões, que somam mais de 1.000 postos de trabalho, afetarão cerca de 10% da divisão de hardware, responsável pela produção dos headsets Quest VR e pela rede social virtual Horizon Worlds.

Andrew Bosworth, diretor de tecnologia da Meta, está programado para realizar uma reunião geral com a Reality Labs na quarta-feira, segundo algumas fontes.

### Enfoque em Inteligência Artificial

A Meta está reduzindo suas ambições em relação ao metaverso enquanto intensifica seus investimentos em inteligência artificial, uma obsessão mais recente de Zuckerberg e uma tecnologia que tem dominado o Vale do Silício e a indústria em geral. O CEO da Meta tem investido grandes quantias para contratar talentos de alto nível em IA, incluindo um investimento de US$ 14,3 bilhões em junho para contratar o fundador da Scale AI, Alexandr Wang, que agora lidera a estratégia de IA, juntamente com outros engenheiros e pesquisadores da startup.

Em outubro, Vishal Shah, que passou quatro anos liderando os esforços da empresa no metaverso, foi nomeado vice-presidente de produtos de IA. Nesse mesmo mês, a Meta aumentou sua projeção de despesas de capital para 2025, estimando entre US$ 70 bilhões e US$ 72 bilhões e afirmando que o crescimento em dólares seria “notavelmente maior” em 2026.

### Fechamento de Estúdios

Os estúdios que estão sendo fechados como parte dessas mudanças incluem Armature Studio, Twisted Pixel e Sanzaru, além de uma unidade técnica chamada Oculus Studios Central Technology, conforme fontes informaram à CNBC. Também estão sendo cortados empregos em outros estúdios, incluindo o Ouro Interactive, que a Meta lançou em 2023 para desenvolver conteúdo de primeira linha para o Horizon Worlds.

O aplicativo de fitness em VR Supernatural, adquirido pela Meta por US$ 400 milhões em 2023, foi colocado em modo de manutenção, o que significa que será gerido por uma equipe reduzida e não receberá mais conteúdo novo, de acordo com pessoas que conhecem a situação.

A Meta começou a preparar o terreno para o anúncio desta semana em dezembro, quando disse que deslocaria recursos dentro do orçamento da Reality Labs, afastando-se de suas iniciativas em VR para focar em óculos de IA e dispositivos vestíveis.

“Isso faz parte desse esforço, e planejamos reinvestir as economias para apoiar o crescimento de vestíveis este ano”, afirmou um porta-voz da Meta, sem comentar especificamente sobre as demissões.

### Sucessos em Dispositivos Vestíveis

Embora os projetos de VR da Meta não tenham alcançado o sucesso esperado, a empresa obteve melhores resultados com dispositivos vestíveis potenciais baseados em IA, especialmente através de uma parceria com a EssilorLuxottica para fabricar os óculos inteligentes Ray-Ban Meta.

Em setembro, as duas empresas revelaram os óculos Meta Ray-Ban Display, que custam US$ 799 e possuem um único display integrado que exibe pequenas mensagens e prévias de fotos. A Meta anunciou na semana passada que adiaria a estreia global dos óculos, citando estoques “limitados” em meio à demanda “sem precedentes” nos EUA.

O CFO da Luxottica, Stefano Grassi, declarou em outubro que sua empresa poderia alcançar a capacidade de 10 milhões de unidades para os óculos, que originalmente estava prevista para o final de 2026, antes do esperado.

### Nova Direção com Foco em Jogos

Apesar do corte de pessoal, a Meta não está abandonando totalmente a realidade virtual. A empresa está buscando desenvolvedores que criem jogos para Roblox, uma plataforma de jogos virtual popular entre crianças, para construir experiências direcionadas ao Horizon Worlds, conforme fontes informaram. O Roblox afirma ter mais de 150 milhões de usuários diários, enquanto o Horizon, que Zuckerberg destacou na época da mudança de nome da empresa, nunca atraiu mais do que algumas centenas de milhares de usuários ativos por mês.

Ao se inspirar em plataformas como Roblox e Minecraft, adquirida pela Microsoft em 2014, o Horizon Worlds pode servir como um canal para que a Meta atraia um público mais jovem para seus serviços.

No ano passado, Bosworth orientou a empresa a transformar o Horizon Worlds em um aplicativo de sucesso para smartphones, após iniciar um teste de uma versão móvel em 2023, conforme pessoas familiarizadas com a questão relataram à CNBC. A Meta transferiu funcionários de outras áreas da Reality Labs para a equipe do Horizon Worlds em 2025, segundo ex-funcionários.

### Desempenho e Estratégia de IA

A decisão da Meta de reduzir seus esforços em VR ocorre 12 anos após a entrada do Facebook no mercado com a compra da Oculus VR por US$ 2 bilhões. Desde o final de 2020, a divisão Reality Labs da Meta registrou perdas cumulativas superiores a US$ 70 bilhões. No último relatório trimestral, em outubro, a Meta informou que a Reality Labs registrou uma perda de US$ 4,4 bilhões sobre vendas de US$ 470 milhões.

Enquanto isso, a empresa enfrenta uma estratégia de IA fragmentada enquanto tenta acompanhar a OpenAI e o Google, cujos modelos de linguagem e recursos de IA estão se tornando cada vez mais populares. A Meta planeja lançar seu próximo modelo de fronteira, codinome Avocado, no primeiro trimestre deste ano, conforme noticiado pela CNBC no mês passado.

A ação das ações da Meta ficou muito abaixo da Alphabet no ano passado e não conseguiu superar o Nasdaq, uma tendência que persiste nos primeiros dias de 2026, com os papéis em queda de mais de 4% desde o início do novo ano.

O Horizon Worlds tem enfrentado dificuldades desde o início. Em agosto de 2022, dez meses após Zuckerberg anunciar planos ousados para o metaverso, ele postou uma foto em seu perfil no Facebook mostrando seu avatar em frente a versões animadas da Torre Eiffel e da Basílica da Sagrada Família na Espanha. A imagem foi duramente criticada nas redes sociais por seus gráficos de baixa qualidade. Zuckerberg publicou uma nova imagem alguns dias depois de um avatar aprimorado, prometendo aos usuários que “grandes atualizações para os gráficos do Horizon e do avatar” estavam a caminho.

Contudo, a situação no Horizon Worlds, envolvendo esse incidente da foto, foi um momento marcante, segundo fontes familiarizadas com o assunto. Zuckerberg convocou uma reunião com a equipe responsável pelos avatares em VR, exigindo melhorias, segundo uma das fontes.

Vários desenvolvedores de VR relataram à CNBC que o uso do Horizon Worlds ainda é baixo, com base em suas observações, acrescentando que a empresa não compartilha estatísticas específicas. Os desenvolvedores expressaram frustração devido à falta de informações precisas que poderiam ajudá-los a criar jogos e experiências mais envolventes.

Em contrapartida, na reorientação da Meta em direção a uma experiência mais semelhante à do Roblox, a empresa começou a instruir desenvolvedores terceirizados do Horizon Worlds a criar jogos simples e voltados para crianças no ano passado.

Deepak Nair, um defensor de desenvolvedores na Meta, discutiu a estratégia em agosto com um público de desenvolvedores em Berlim, incentivando-os a imitar Roblox e Minecraft na construção de jogos que permitam às crianças criar histórias que possam compartilhar com seus amigos. Nair mencionou que uma questão importante para os desenvolvedores é identificar a demografia correta.

“Geralmente entre 13 a 24 anos, certo?”, disse Nair. “E até em outros ecossistemas, é ainda mais jovem do que isso.”

Em fevereiro, a Meta lançou um fundo de criadores de US$ 50 milhões com o objetivo de atrair desenvolvedores a criar mais experiências dentro do Horizon Worlds, focando no conteúdo móvel. A empresa também planeja facilitar o acesso dos usuários do Facebook e Instagram ao Horizon Worlds, conforme informaram as fontes.

— CNBC’s Kif Leswing contribuiu para este relatório.

ASSISTA: Por que a Meta está disposta a perder bilhões no metaverso.

Fonte: www.cnbc.com

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