México e EUA buscam finalizar acordo comercial antes das eleições

México e EUA buscam finalizar acordo comercial antes das eleições

by Editoria Bolsa e Mercado
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Negociações Comerciais entre México e Estados Unidos

México e Estados Unidos estão em uma corrida contra o tempo para estabelecer um acordo comercial bilateral antes das eleições de meio de mandato nos EUA, que ocorrerão em menos de oito semanas. Essa informação foi obtida de seis fontes de ambos os países que estão familiarizadas com as negociações. Este esforço se tornou mais urgente em decorrência da interrupção das negociações entre o Canadá e Washington.

Uma fonte do México, que pediu para não ser identificada, comentou: “Ambos queremos chegar a um acordo antes das eleições de meio de mandato”.

Objetivos das Negociações

Os esforços atuais estão voltados para um acordo bilateral provisório, onde o México poderia conquistar alívio de algumas tarifas americanas, ao mesmo tempo em que atende às exigências dos EUA em setores como conteúdo automotivo e investimento chinês. Embora não haja um prazo formal estabelecido, autoridades de ambos os países reconhecem que existem benefícios políticos em fechar um acordo antes das eleições de 3 de novembro. O Partido Republicano, liderado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, enfrenta o risco de perder o controle do Congresso.

Um acordo comercial poderia proporcionar a ambos os líderes uma vitória, ao mesmo tempo em que enfrentam desafios internos. A fonte também mencionou a pressa do governo mexicano, apontando a fragilidade da economia e a degradação da classificação de crédito da dívida como fatores determinantes. A administração da presidente mexicana Claudia Sheinbaum, que apresentou seu orçamento para 2027 nesta semana, considera vital um acordo comercial com os EUA para acalmar mercados e investidores. Um porta-voz do Ministério da Economia do México afirmou: “Não há prazos específicos neste momento”, enfatizando o compromisso contínuo do governo em manter diálogos com Washington. O Representante Comercial dos EUA e a Casa Branca não responderam imediatamente aos pedidos de comentários sobre o tema.

Contexto das Negociações

A iniciativa do México para concluir um acordo é uma resposta ao recente colapso das negociações comerciais entre os Estados Unidos e o Canadá, que ocorreu no mês passado. Esse fracasso colocou aliados de longa data em uma intensa disputa tarifária. Na terça-feira anterior, 8 de outubro, Washington impôs a proibição da importação de uma ampla variedade de produtos canadenses, incluindo bebidas alcoólicas, motocicletas e laticínios. Em resposta, Ottawa se comprometeu a igualar as tarifas impostas pelos EUA.

A falência das negociações com o Canadá reforçou a estratégia do México, que busca evitar o conflito direto com Washington, acreditando que a cooperação poderá levar a um alívio das tarifas. A fonte mexicana caracterizou a abordagem do país como “manter a cordialidade e continuar a cooperar”. É importante notar que o México exporta mais de 80% de seus produtos para os Estados Unidos. O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, se reuniu virtualmente com Sheinbaum para discutir questões comerciais, menos de duas semanas após a presidente ter proposto uma legislação que permitiria ao governo mexicano maiores poderes para analisar e bloquear aquisições estrangeiras de empresas nacionais. Esta medida visa responder à pressão dos EUA por monitoramento mais rigoroso dos investimentos chineses.

As negociações entre os EUA e o México estão sendo trabalhadas como um esforço para alcançar um acordo bilateral provisório enquanto se discutem questões relacionadas ao pacto USMCA, que envolve três países, incluindo o Canadá. Este acordo tornou-se incerto em julho, quando os Estados Unidos não concordaram em renová-lo por mais 16 anos. Embora o pacto continue em vigor, está sujeito a revisões anuais, e o governo Trump tem utilizado esse processo para buscar concessões adicionais do Canadá e do México.

Relações entre México e Canadá

Autoridades do México e do Canadá, que mantêm uma relação de aliança instável há muito tempo, têm enfatizado publicamente seu compromisso em preservar um acordo trilateral. Entretanto, alguns funcionários mexicanos expressam, em situações privadas, que o México não deve sacrificar seus próprios interesses para assegurar um acordo em favor do Canadá. A busca por um entendimento entre EUA e México pode possuir dimensões estratégicas adicionais.

Uma fonte do setor automobilístico mencionou que o governo Trump parece ter a intenção de isolar Ottawa, firmando um pacto com o México antes da implementação das novas tarifas canadenses, que começam a valer em 1º de janeiro. Um entendimento entre os dois países também poderia resultar em uma diminuição dos preços ao consumidor nos Estados Unidos e representar uma “vitória política” para a administração Trump. Diego Marroquin Bitar, especialista em comércio americano, afirmou que isso possibilitaria ao governo argumentar que a falta de um acordo se deu por culpa do Canadá.

Desafios à Vista

Entretanto, existem obstáculos significativos para a conclusão de um acordo comercial provisório. Entre eles estão as tarifas impostas pela Seção 232, que se aplicam a aço, alumínio, automóveis e autopeças. Essas tarifas de segurança nacional estabelecem que o aço mexicano e canadense exportado para os EUA está sujeito a tarifas de 50%, enquanto os veículos enfrentam uma taxa de 25%.

Desde o início das negociações sobre tarifas de importação mais baixas, Trump já chegou a acordos mais favoráveis com outros parceiros comerciais, como, por exemplo, tarifas de 15% para países como Japão, União Europeia e Coreia do Sul, e de 10% para a Grã-Bretanha. Assim, alguns veículos desses países enfrentam taxas menores do que os carros provenientes de México e Canadá.

Antes do colapso recente das negociações, o Canadá estava próximo de um acordo que abordaria as tarifas da Seção 232 e outras questões comerciais, o que aumentara as esperanças de que o México pudesse assegurar rapidamente termos semelhantes. Muitas montadoras acreditam que Washington poderia, em última instância, oferecer ao México uma estrutura semelhante à discutida com o Canadá: uma tarifa de 15% sobre veículos importados, além de uma redução adicional para o conteúdo americano, resultando numa taxa efetiva de cerca de 7%.

Em contrapartida, o México poderá ceder às taxas exigidas pelos EUA em relação ao conteúdo americano em veículos, especialmente em áreas como motores, eletrônicos e software. Apesar da oposição do México a exigências explícitas de conteúdo americano, não se pode esquecer que o país pode estar se movimentando em direção a um acordo para aumentar essa proporção. A questão central, no entanto, reside em como este acordo final se configurará.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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