Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, é alvo de um mandado de prisão relacionado à Operação Vectura Corrupta. Esta operação foi iniciada na quinta-feira, dia 17, pela Polícia Civil de São Paulo em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP). A investigação foca na infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da cidade de São Paulo.
Ao todo, estão sendo cumpridos 16 mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão. Dentre os aspectos analisados, encontram-se o controle financeiro e operacional da facção criminosa sobre empresas de ônibus, investigações sobre possíveis fraudes em licitações, além da participação de indivíduos vinculados ao setor público.
As investigações indicam a atuação do PCC em 12 empresas de ônibus e também se concentram no grupo conhecido como “sintonia dos gravatas”, que é composto por advogados suspeitos de atuar em benefício da organização criminosa. A apuração também menciona ex-servidores de alto escalão da Prefeitura de São Paulo, bem como um candidato a deputado e ex-candidato a prefeito cuja campanha supostamente foi financiada pelo crime organizado. Os nomes relacionados a esses envolvidos não foram divulgados até o momento.
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Investigação sobre empresas de ônibus
A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento de apurações anteriores sobre o envolvimento do crime organizado no setor de transportes de São Paulo. O objetivo das investigações é descobrir de que maneira os integrantes do PCC obtiveram influência financeira e operacional sobre as empresas de ônibus e como eles utilizaram estruturas empresariais e colaboradores externos para expandir os negócios da facção.
Adicionalmente, a investigação busca entender a atuação de advogados que, segundo os investigadores, operam em favor da organização criminosa, formando um grupo que é chamado de “sintonia dos gravatas”.
Milton Leite deixou a Câmara Municipal em 2024, após ter cumprido sete mandatos consecutivos como vereador. Ele presidiu a Câmara Municipal de São Paulo em dois períodos: entre 2017 e 2018 e, novamente, de 2021 a 2024. Neste momento, Leite ocupa a presidência do diretório municipal do União Brasil na cidade de São Paulo.
Nome apareceu em investigação anterior
O nome de Milton Leite já havia sido mencionado em uma investigação realizada pela Corregedoria da Polícia Militar, que analisava policiais suspeitos de oferecer segurança particular a dirigentes da Transwolff, uma empresa de ônibus investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro em conexão com o PCC.
Em fevereiro, um sargento da Polícia Militar, que foi preso durante essa investigação, referiu-se a Leite como “chefe” em uma mensagem enviada a um diretor da referida empresa. Naquela oportunidade, o ex-vereador negou conhecer o policial e afirmou que ele nunca havia trabalhado em sua equipe de segurança.
A investigação também apontou a relação de Leite com o capitão Alexandre Paulino Vieira, que atuou na Assessoria Policial Militar da Câmara Municipal e, segundo declações de policiais, teria organizado a segurança de dirigentes da Transwolff.
Quando questionado anteriormente sobre essa situação, Leite declarou que nunca recomendou policiais militares para prestar serviços à empresa e que o capitão já exercia sua função antes de suas gestões na presidência da Câmara Municipal.
Até o início da manhã da quinta-feira, não havia sido encontrado um posicionamento da defesa de Milton Leite em relação à operação realizada. A reportagem será atualizada caso haja algum pronunciamento.
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Fonte: timesbrasil.com.br
