Acordo Comercial Entre União Europeia e Mercosul
Após quase três décadas de negociações, a União Europeia aprovou um acordo comercial histórico com o Mercosul, abrindo caminho para a assinatura de um dos maiores tratados de livre-comércio do mundo, que deve ocorrer na próxima semana.
Impacto no Agronegócio Brasileiro
Esse avanço tem o potencial de gerar impactos significativos em setores-chave do agronegócio brasileiro, especialmente na cadeia da carne bovina, que é considerada a principal beneficiada, segundo analistas consultados.
A Minerva (BEEF3) é uma das empresas que pode se beneficiar com o acordo, pois enfrentou dificuldades devido aos limites de importação impostos pela China. O produto da carne bovina é um componente importante na pauta exportadora para a União Europeia. Entre janeiro e novembro de 2025, as exportações para esse continente somaram US$ 820,15 milhões, o que representa um aumento de 83,2% em relação ao mesmo período de 2024. A União Europeia está na segunda posição, atrás apenas da China, em termos de volume de exportações dessa natureza.
Mercado Premium
Fernando Iglesias, analista de proteína animal da Safras & Mercado, afirma que “o setor de carnes é um dos que mais vai se beneficiar”. O analista destaca que o mercado europeu passou por um declínio na produção interna, o que torna o acordo ainda mais vantajoso para a diversificação da pauta exportadora brasileira, que é altamente dependente da China e sofreu bastante com as medidas de salvaguarda deste país.
Iglesias argumenta também que o acordo é atrativo não apenas pelo volume exportado, mas especialmente por envolver um mercado que oferece melhores remunerações. No contexto da carne bovina, é necessário fazer uma distinção entre os cortes do dianteiro e do traseiro do animal. Os cortes do dianteiro são geralmente mais baratos e dominam a pauta de exportação brasileira, enquanto os cortes do traseiro, como alcatra, filé-mignon e picanha, são mais valorizados, principalmente na alta gastronomia.
De acordo com Iglesias, o acordo deve estimular um aumento nas exportações desses produtos de maior valor agregado, beneficiando tanto a indústria quanto os frigoríficos. “É esse tipo de produto que o Brasil pode começar a inserir em um mercado que é muito mais exigente”, afirma o analista.
Possível Alívio para a Minerva (BEEF3)
A notícia sobre o acordo pode representar um alívio para as ações da Minerva (BEEF3), que vem enfrentando dificuldades no mercado financeiro desde que a China impôs limites ao volume de carne bovina que o Brasil pode exportar para aquele país, no final de dezembro do último ano.
As ações da Minerva foram severamente impactadas por essas salvaguardas, já que a empresa opera no Brasil, que é um dos países mais afetados pela medida, junto com a Austrália. Mais da metade das exportações brasileiras da Minerva é destinada à China. No terceiro trimestre de 2025, aproximadamente 59% da receita do segmento de carne bovina da Minerva proveniu da China, conforme os dados mais recentes disponíveis. O Santander observa que a Minerva é a empresa mais prejudicada pela referida medida.
Com o recente acordo com a União Europeia, a Minerva pode encontrar algum alívio, pois isso representa a abertura de um novo mercado, o que é necessário para a empresa reduzir os efeitos das taxas impostas pela China.
Entretanto, Iglesias não considera que o sinal verde da União Europeia seja algo transformacional para a empresa. “No mercado de carne bovina, o acordo, por si só, não resolve o problema. O Mercosul–União Europeia ajuda, mas é insuficiente, como o Brasil precisa acessar muito mais mercados para compensar a menor demanda chinesa”, avaliou o analista em entrevista.
Fernando acrescenta que a mudança no perfil de compras da China indica uma redução de aproximadamente 400 mil a 500 mil toneladas por ano, um volume difícil de ser reposto. “Isso não se encontra facilmente. É muito complicado substituir”, afirma.
Dessa forma, o cenário mais provável é uma maior participação de cortes destinados à União Europeia.
Impacto em Outros Players: JBS e MBRF
Na perspectiva de Iglesias, o acordo também deve trazer impactos positivos para outras empresas, como JBS e MBRF, que não sofreram tanto quanto a Minerva, devido à sua atuação em segmentos diferentes.
Além da carne bovina, o acordo abrange carne de frango e suína. O impacto deverá ser mais significativo para o segmento de frango, uma vez que a Europa é um dos principais mercados para este produto brasileiro. Já no caso da carne suína, o efeito é mais limitado, dada a representatividade da produção europeia nesse setor.
Fonte: www.moneytimes.com.br