Conversa com Augusto Cury: Candidato à Presidência e o Agronegócio
Bom dia, investidor!
Sou um grande entusiasta de realizar atividades pela primeira vez. Costumo afirmar que, “depois da primeira, tudo se torna natural”. Na última semana, tive a oportunidade de entrevistar, pela primeira vez, um candidato à Presidência da República.
O Candidato do Agronegócio
Se você tem acompanhado o Agro Times ao longo dos últimos meses, já deve estar ciente de que, desde o início do ano, tenho levantado uma questão persistente: quem é o verdadeiro candidato do agronegócio? Essa indagação me levou a buscar ouvir o que Augusto Cury, médico, escritor e produtor rural, tinha a dizer sobre um setor que responde por cerca de um quarto do produto interno bruto (PIB) brasileiro.
Durante a campanha, Cury fez declarações significativas, destacando que “uma pessoa que nunca plantou uma horta não pode definir o futuro da agricultura”. Essa crítica parece ser direcionada, principalmente, aos candidatos Lula e Flávio Bolsonaro.
Conhecimento do Setor
Durante nossa conversa, ficou evidente que Cury possui um entendimento sólido do setor agropecuário, de seus desafios e oportunidades. Contudo, confesso que esperava ouvir propostas mais inovadoras e ousadas.
Entre suas sugestões, Cury apresentou ideias ambiciosas, como a transformação de parte do semiárido brasileiro em um polo de fruticultura, além do objetivo de implementar pelo menos 100 usinas de etanol de milho no país. Além disso, mencionou a possibilidade de converter usinas de cana-de-açúcar em unidades híbridas, que seriam capazes de processar milho durante a entressafra.
Outra proposta interessante foi a construção de uma cadeia integrada que abarcasse milho, etanol, DDGS (subproduto da produção de etanol), produção animal e agroindústria. Essas ideias mostram um potencial para inovar e diversificar a produção agropecuária.
Propostas que Precisam de Detalhamento
Apesar das ideias criativas apresentadas, senti que muitas de suas propostas careceram de profundidade e detalhes explicativos que permitissem uma melhor compreensão de sua viabilidade. Por exemplo, não está claro quanto Cury pretende alocar para a Embrapa e como ele planeja fortalecer essa instituição, assim como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC).
Outro ponto de incerteza é como o candidato planeja atrair e direcionar os US$ 200 bilhões em capital estrangeiro que prometeu ao setor. Também não forneceu soluções sobre como elevar, de forma fiscalmente sustentável, a cobertura do seguro rural dos atuais menos de 3% para um intervalo entre 30% e 50%, conforme segundo suas palavras.
Além disso, faltaram respostas mais objetivas sobre como planeja diminuir os preços dos alimentos no mercado interno, aumentar a produtividade da pecuária bovina e incentivar o consumo de biocombustíveis pela população brasileira.
Reflexões sobre Inteligência Artificial
Durante a conversa, que teve uma duração aproximada de 50 minutos, Cury mencionou o termo “inteligência artificial” várias vezes, evidenciando a crescente relevância desse assunto no dia a dia da sociedade, seja em ambientes de trabalho, em conversas informais ou nas discussões contemporâneas sobre o futuro.
O candidato expressou uma preocupação em relação à possível transformação do mercado de trabalho: “Elon Musk, na sua santa genialidade, diz: ‘Você trabalha se quiser daqui a quatro ou cinco anos’. Mas, na sua ingenuidade, ele não menciona quem vai arcar com os custos dos desempregados, se os governos estão sobrecarregados, se tudo vai encarecer e a arrecadação irá cair. Eu estou muito preocupado com a direção que a humanidade está tomando”, afirmou Cury.
Essa declaração foi feita após ele interromper a entrevista para demonstrar o uso de um chatbot, ferramenta que estava utilizando em seu celular. Ele buscou respostas do chatbot sobre o futuro do agronegócio, os impactos da inteligência artificial e como o Brasil deveria se preparar para essa nova era.
Após a resposta do chatbot, Cury fez uma observação: “Parabéns! O aluno está ficando melhor que o mestre.”
O chatbot respondeu, afirmando: “Eu fico honrado, mas o mestre continua sendo referência. Seguimos aprendendo juntos, cada um puxando o outro para cima.”
A Difícil Realidade do Agronegócio
Augue Cury é um candidato que reconhece a complexidade de abordar todas as nuances do agronegócio. É inegável que sua disposição em reservar um tempo considerável para dialogar sobre questões que envolvem o setor é um ponto positivo, principalmente em um contexto eleitoral onde muitos candidatos evitam debates e discussões mais profundas.
Os Destaques do Agro Times na Semana
Na sequência da entrevista e análise das propostas de Cury, é importante ressaltar alguns dos principais destaques do Agro Times na última semana:
O Candidato do Agronegócio? Augusto Cury deseja aumentar a cobertura do seguro rural para até 50%, criar 10 mil agroindústrias e 100 usinas de etanol de milho. Ele quer transformar parte do semiárido em um polo produtivo.
Declarações de Blairo Maggi: Para o ‘Rei da Soja’, Bolsonaro cometeu um erro ao enfrentar a China e falou sobre os perigos que isso traz para o agronegócio brasileiro.
SLC Agrícola em alta: A empresa SLC Agrícola (SLCE3) foi promovida pelo JP Morgan para ações de compra, enquanto indica que o setor agro se aproxima do fim da crise.
Risco para Commodities: Em um relatório, o Goldman Sachs identificou riscos significativos de aumentos nas commodities agrícolas devido a três ameaças globais.
Recuperações Judiciais: O CEO da Bayer afirmou que as recuperações judiciais criam uma ‘incerteza brutal’ no agronegócio, reforçando a necessidade de políticas públicas para apoiar os produtores afetados por condições climáticas adversas.
Mudanças na Cosan: A Cosan (CSAN3) anunciou que tem data marcada para deixar a Bolsa de Nova York, embora os investidores dos EUA ainda possam negociar recibos de ações da empresa.
Problemas no Tapajós: A falta de dragagem do Tapajós poderá causar impactos significativos de até R$ 850 milhões, com possibilidade de bloqueio na navegação e redução das cargas a partir de setembro.
Esses pontos ilustram a dinâmica e a complexidade do agronegócio brasileiro, que continua a ser um tema de grande relevância.
Fonte: www.moneytimes.com.br
