Minutas do Federal Reserve
Reunião do Comitê de Mercado Aberto
WASHINGTON – Na última terça-feira, o Federal Reserve divulgou as minutas de sua reunião, que foi marcada por debates acalorados, ocorrida nos dias 9 e 10 de dezembro. O encontro culminou em uma votação que decidiu a redução das taxas de juros, uma escolha que parecia ser mais difícil do que o resultado final sugere.
Divergências de Opinião
De acordo com o resumo apresentado um dia antes da publicação habitual, devido ao feriado de Ano Novo, os membros expressaram uma variedade de opiniões. O Comitê de Mercado Aberto Federal (FOMC) aprovou uma redução de 0,25 ponto percentual, com uma votação que terminou em 9 a 3. Este resultado representa o maior número de dissensos desde 2019, onde os oficiais debatiram a necessidade de apoiar o mercado de trabalho frente às preocupações relacionadas à inflação. Com essa medida, a taxa de fundos alcançou um intervalo entre 3,5% e 3,75%.
Possibilidade de Novas Reduções
O documento declara que "a maioria dos participantes julgou que ajustes adicionais para baixo na faixa alvo da taxa de fundos federais provavelmente seriam apropriados se a inflação diminuísse ao longo do tempo como esperado". No entanto, surgiram incertezas em relação à agressividade das futuras ações do FOMC.
Perspectivas Econômicas
Os participantes levantaram a hipótese de que, com base em suas previsões econômicas, poderia ser adequado manter a faixa alvo inalterada por algum tempo após a redução atual. Além disso, os oficiais demonstraram confiança de que a economia continuaria a se expandir a um ritmo "moderado", embora identificassem riscos negativos ao emprego e riscos positivos à inflação. As divergências entre os participantes do FOMC indicaram que a votação poderia ter tomado direções diferentes, apesar da vitória de seis votos a favor da redução.
Atualização das Projeções Econômicas
A votação foi acompanhada de uma atualização trimestral das Projeções Econômicas do comitê, incluindo a conhecida grade chamada “dot plot”, que mostra as expectativas individuais dos oficiais em relação às taxas. Durante a reunião de dezembro, os 19 oficiais – dos quais 12 votam sobre as taxas – indicaram a possibilidade de uma nova redução em 2026 e outra em 2027. Essa alteração levaria a taxa de fundos a próxima de 3%, um patamar que os oficiais consideram neutro, pois não impede nem incentiva o crescimento econômico.
Preocupações com a Inflação
Os membros que preferiam manter a taxa estável "expressaram preocupação de que o progresso em direção ao objetivo de inflação de 2% do Comitê havia estagnado em 2025 ou indicaram que precisavam ter mais confiança de que a inflação estava sendo reduzida de forma sustentável para o objetivo do Comitê". Além disso, os oficiais apontaram que as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump estavam impulsionando a inflação, mas concordaram em grande parte que esse efeito seria temporário e provavelmente diminuiria até 2026.
Relatórios Econômicos Recentes
Desde a votação, os relatórios econômicos têm indicado um mercado de trabalho onde as contratações ainda estão lentas, mas as demissões não aumentaram. No que diz respeito à inflação, esta tem diminuído gradativamente, embora ainda esteja distante da meta de 2% estabelecida pelo Fed.
Desempenho da Economia
Enquanto isso, a economia mais ampla continua a apresentar um desempenho positivo. O produto interno bruto (PIB) cresceu no terceiro trimestre a uma taxa anualizada de 4,3%, superando as estimativas e sendo meio ponto percentual melhor do que o forte segundo trimestre.
Avisos sobre os Dados
Entretanto, a maioria dos dados apresenta um importante aviso: os relatórios ainda estão em atraso, pois as agências governamentais estão reunindo dados de períodos obscuros durante a paralisação. Mesmo os relatórios mais recentes, vindos de fontes oficiais, estão sendo avaliados com cautela devido a lacunas nos dados.
Expectativas do Mercado
Como resultado, os mercados esperam amplamente que o FOMC mantenha as taxas inalteradas nas próximas reuniões enquanto os formuladores de políticas analisam os dados que estão sendo recebidos. A temporada de festas foi tranquila em relação aos comentários dos oficiais do Fed, e as poucas declarações disponíveis mostram uma postura predominantemente cautelosa à medida que o novo ano se aproxima.
Mudanças na Composição do Comitê
Além disso, a composição do comitê está prestes a mudar, com quatro novos presidentes regionais assumindo papéis de votação. Eles incluem a presidente de Cleveland, Beth Hammack, que expressou oposição não apenas a cortes adicionais, mas também àqueles que já foram realizados; a presidente da Filadélfia, Anna Paulson, que se juntou aos membros mais cautelosos do FOMC em torno da inflação; a presidente de Dallas, Lorie Logan, que manifestou preocupações sobre os cortes; e o presidente de Minneapolis, Neel Kashkari, que afirmou que não teria votado pela redução em outubro.
Retorno do Programa de Compras de Títulos
Na reunião, o comitê também decidiu retomar seu programa de compra de títulos. No novo arranjo, o Fed começará a adquirir títulos do Tesouro de curto prazo, visando aliviar as pressões nos mercados de captação de curto prazo.
O banco central iniciou o programa comprando US$ 40 bilhões em títulos mensalmente, mantendo-se próximo a esse nível por vários meses antes de reduzir essa taxa. Em um esforço anterior para diminuir seu balanço patrimonial, o Fed cortou suas reservas em cerca de US$ 2,3 trilhões, reduzindo seu total para aproximadamente US$ 6,6 trilhões.
Considerações sobre a Quantitative Easing
As minutas ressaltaram que, a menos que o programa de compras, conhecido nos mercados como afrouxamento quantitativo, fosse reiniciado, isso poderia resultar em "declínios significativos nas reservas", que ficariam aquém do regime de "ampla" adequação do Fed para o sistema bancário.
Fonte: www.cnbc.com