Desinvestimentos em Ações de Software Corporativo
A venda de ações de software corporativo que impactou negativamente o mercado na maior parte da semana passada começou a se suavizar na segunda-feira, registrando uma recuperação para alguns nomes já consolidados. Surge a pergunta: é o momento de comprar? O Morgan Stanley acredita que sim, recomendando aos clientes, em uma nota de domingo, que existem "pontos de entrada atraentes" em Microsoft e Salesforce, cujas ações sofreram uma queda considerável em razão de preocupações sobre a inteligência artificial afetando seus negócios.
Queda das Ações
As ações da Microsoft caíram 17% nos últimos três meses, enquanto a Salesforce apresentou uma queda de quase 20% no mesmo período. As preocupações entre os investidores em relação à inteligência artificial são duplas:
- Modelos de IA, como o da Anthropic, estão se tornando tão proficientes em programação que empresas podem optar por usar a IA para desenvolver software internamente em vez de contratar empresas especializadas.
- Ferramentas de IA em plataformas de software corporativo, como o Co-pilot da Microsoft e o Agentforce da Salesforce, podem aumentar tanto a eficiência dos trabalhadores que os negócios poderão reduzir seus quadros de funcionários e a necessidade de licenças por assento.
Perspectivas do Morgan Stanley
O Morgan Stanley não vê riscos significativos nesse cenário. Os analistas argumentam que, se a IA conseguir melhorar a eficiência a ponto de tornar os modelos de preços baseados em assentos obsoletos, isso apenas confirmará o valor do software. Eles ressaltam que cabe às empresas se adaptarem. "Modelos de preços já mudaram várias vezes no passado — isso não representa um risco existencial, embora possa ser um risco na execução em função das transições de modelos de negócios", afirmaram os analistas.
Situação das Empresas
Os analistas do Morgan Stanley enfatizam que Microsoft e Salesforce estão bem posicionadas em relação aos planos de gastos em tecnologia da informação das empresas, tratando-se de franquias fortes com múltiplos preço-lucro atrativos. Sobre a ameaça da codificação com IA, afirmaram que diversos fatores influenciam a decisão de uma empresa em desenvolver seu próprio software ou optar por trabalhar com parceiros como Microsoft ou Salesforce. Apesar do avanço da IA, “a produtividade dos desenvolvedores de software melhorou nas últimas décadas”, afirmaram. Eles acrescentaram que o software de código aberto tem estado disponível nos últimos 20 anos para que as empresas criem suas próprias aplicações — e, mesmo assim, o software de terceiros “floresceu nesse período”.
Avaliação da Microsoft
Os analistas concordam com a avaliação do Morgan Stanley de que as ações da Microsoft podem ser uma boa oportunidade de compra neste momento. Apesar da confusão após os resultados financeiros divulgados pela empresa no final do mês passado, a recomendação de manter uma classificação de 1 para as ações foi mantida. Vale ressaltar que a Microsoft se destaca como uma empresa de software corporativo com o Office e outras suítes consagradas, além de ser a segunda maior provedora de serviços de nuvem do mundo, um aspecto que tem se tornado cada vez mais relevante para a valorização da ação.
Em 28 de janeiro, dia em que foram divulgados os resultados financeiros, Jeff Marks, diretor de análise de portfólio do Clube, escreveu que a “crescimento de receita do Azure no segundo trimestre fiscal superou tecnicamente as estimativas dos analistas. Contudo, os investidores esperavam um crescimento maior para justificar um aumento de 66% nas despesas de capital em relação ao ano anterior”. Ele acrescentou que estão apostando na capacidade do CEO Satya Nadella e da CFO Amy Hood de solucionarem a situação.
Dificuldades Persistentes
Avançando para a coluna de Jim Cramer no domingo, cerca de uma semana e meia depois e em um cenário de significativa venda por parte dos investidores, a situação da Microsoft continua nebulosa. Jim adotou uma perspectiva mais pessimista, mas resignada, afirmando que os problemas da Microsoft não alteram o quanto as empresas apreciam e utilizam o produto. O Melius Research rebaixou a Microsoft para uma classificação equivalente a "manter". Os analistas compartilharam algumas preocupações semelhantes às de Jim sobre a aparente perda do domínio da narrativa artificial por parte de Nadella e a ênfase excessiva no Co-pilot, que pode não estar trazendo os resultados esperados e poderia necessitar ser oferecido gratuitamente.
Avaliação da Salesforce
No que diz respeito à Salesforce, o consenso é de que não se deve comprar ações neste momento. Essa avaliação é mais fácil para os analistas, uma vez que a empresa liderada por Marc Benioff já enfrentava dificuldades por um bom tempo antes da recente queda das ações de software corporativo. Na cretina “Mad Money” na semana passada, Jim afirmou que múltiplos mais baixos nem sempre são um sinal positivo, como observou o Morgan Stanley em sua nota. “O Wall Street está pagando cada vez menos por seus lucros. Os lucros não estão desaparecendo, mas as avaliações estão diminuindo, pois isso é o que acontece quando há preocupações com o futuro”, afirmou Jim no dia 3 de fevereiro. Ele acrescentou que "o problema com um múltiplo de preço-lucro em redução é que não se sabe quão baixo ele pode chegar".
O Clube tem uma classificação equivalente a "manter" de 2 para as ações da Salesforce. (O Fundo de Caridade de Jim Cramer está posicionado a longo prazo em MSFT e CRM. Para uma lista completa das ações, verifique aqui.)
Informações do Clube de Investimentos
Como assinante do CNBC Investing Club com Jim Cramer, você receberá um alerta de negociação antes de Jim realizar qualquer transação. Jim aguarda 45 minutos após enviar um alerta de negociação antes de comprar ou vender uma ação do portfólio de seu fundo de caridade. Se Jim abordar uma ação na CNBC TV, ele espera 72 horas após emitir o alerta de negociação antes de executar a transação.
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Fonte: www.cnbc.com