Mercado Eleitoral e Comportamento dos Eleitores
O mercado pode se preparar para as eleições sem considerar mudanças de última hora no comportamento dos eleitores. Segundo Mauricio Moura, sócio do fundo Zaftra, a migração de votos para candidatos mais competitivos, além de abstenções e votos brancos e nulos, pode ampliar a diferença entre os dados das pesquisas na reta final e os resultados que sairão das urnas.
Sobre o Fundo Zaftra
O fundo Zaftra tem atuação em eleições ao redor do mundo e apresenta um patrimônio de R$ 53 milhões. Moura participou do TAG Summit, um evento online realizado em parceria com o podcast Market Makers.
Antipetismo e Migração de Votos
Moura menciona o “antipetismo de chegada” como um fator importante na migração dos eleitores de outros candidatos para aquele que considera o mais competitivo contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele comenta que esse comportamento já se deu em eleições passadas.
“Como neste ano só tem candidato de oposição, o antipetismo de chegada tende a ser maior”, afirma Moura. Ele entende que Flávio Bolsonaro, o candidato à presidência pelo Partido Liberal (PL), é o mais competitivo da oposição e deverá se beneficiar mais desse movimento de migração de votos.
Moura ainda considera que o PT pode melhorar sua posição até a semana que antecede a eleição. No entanto, essa melhoria potencial pode gerar uma reação entre eleitores que não desejam a continuidade do PT no governo, segundo suas avaliações.
O gestor acredita que a reta final deve ser marcada por uma acomodação dos eleitores em torno da questão central da eleição, que é a continuidade ou não do governo atual. “Cerca de 3% vão decidir a eleição nesta reta final”, afirma Moura.
Nível de Abstenção Também Pode Surpreender
Outra variável que merece atenção é o nível de abstenção. “Minha estimativa é de que haja aumento do não voto”, diz Moura. Essa abstenção inclui tanto os eleitores que não comparecem às urnas quanto aqueles que optam por votar em branco ou nulo. No primeiro turno, os votos brancos, nulos e as abstenções não são considerados nos cálculos dos votos válidos, o que pode impactar a proporção final obtida pelos candidatos.
A abstenção não se distribui de maneira uniforme entre os eleitores. Segundo o analista, sua concentração é maior entre indivíduos de baixa renda e muitos analfabetos. Por esse motivo, os resultados efetivos da eleição podem apresentar uma composição diferente daquela que é capturada pelas amostras utilizadas nas pesquisas. “Essa é uma das assimetrias que os investidores precisam considerar ao interpretar os levantamentos feitos na reta final”, ressalta Moura.
Moura também alerta para uma discrepância entre o voto declarado nas pesquisas e o comportamento realmente observado na urna. “As pesquisas sempre trazem amostra eleitoral. Não correspondem à base total dos eleitores”, observa ele.
Outro indicador importante citado pelo analista é o voto espontâneo. Diferente da pesquisa estimulada – onde os nomes dos candidatos são apresentados ao eleitor –, na modalidade espontânea o eleitor deve indicar, por conta própria, qual é a sua escolha.
“Está dando mais de 20% de indecisos na espontânea”, diz Moura. Esse dado sugere que há um contingente significativo de eleitores que ainda pode mudar de opinião ou decidir seu voto no último momento.
A consequência dessa situação pode ser um aumento do “não voto”. “Há muita rejeição”, afirma. Se o “não voto” alcançar um patamar de 32%, essa movimentação terá um impacto significativo sobre a composição dos votos válidos, conforme análise do entrevistado.
Fonte: www.estadao.com.br
