N5X Busca Criação da Primeira Bolsa de Contratos Futuros de Energia Elétrica no Brasil
A N5X apresentou solicitações ao Banco Central (BC) e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com o objetivo de se estabelecer como a primeira bolsa dedicada à negociação de contratos futuros de energia elétrica no Brasil. Este projeto conta com o apoio de grandes geradores de energia e pode ser implementado em um prazo de 12 a 24 meses, conforme informações fornecidas à Reuters pela CEO Dri Barbosa.
Contexto do Mercado de Energia
A iniciativa ocorre em um momento decisivo para o mercado de comercialização de energia, que atualmente movimenta quantias bilionárias em operações bilaterais, mas que carece de uma contraparte central, o que gera riscos significativos para as empresas envolvidas. A recente crise que afetou diversas comercializadoras no ano passado resultou na saída de importantes atores do mercado, como a CPFL e a CTG Brasil, como relatado por uma reportagem da Reuters.
Operações da N5X
A N5X, fruto de uma joint venture entre um fundo apoiado pela B3 e a Nodal Exchange, bolsa de derivativos da EEX (European Energy Exchange), já atua no Brasil com uma plataforma para negociações de contratos com entrega física de energia. Entretanto, a empresa acredita que a verdadeira expansão do mercado e da liquidez ocorrerá com a introdução de contratos futuros e a implementação de uma clearing que assegurará as operações.
A empresa protocolou um pedido na CVM para oferecer futuros de energia e outro no Banco Central para estabelecer a contraparte central. Os prazos para a obtenção das aprovações poderão ser diferentes, mas a N5X espera receber ambas antes de iniciar suas operações.
Reconfiguração do Mercado de Energia
A criação de uma bolsa de energia tem o potencial para reconfigurar completamente a forma como a energia é comercializada no Brasil. Atualmente, as transações ocorrem de maneira dispersa e desorganizada, muitas vezes sendo realizadas por meio de ligações telefônicas ou aplicativos de mensagem, como WhatsApp. Para aqueles que buscam maior segurança nas transações, a plataforma do BBCE (Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia) é uma alternativa, embora esta também enfrente desafios, especialmente em relação à liquidez de contratos derivativos.
A CEO da N5X afirma que o mercado tenderá a migrar de contratos de energia física para contratos futuros. Ela menciona que, com o tempo, esse mercado pode se tornar tão líquido quanto o existente na Alemanha, que é considerado um hub europeu para a cobertura de riscos relacionados à energia.
Necessidade de Soluções de Hedge
Barbosa destaca que a transição do Brasil para o mercado livre implica que as geradoras necessitam de uma solução de hedge eficaz. Ela argumenta que as atuais relações bilaterais, onde o risco da contraparte não cumprir o contrato é uma realidade, não oferecem a segurança desejada. "A Alemanha possui um múltiplo de 12,6 vezes a negociação de contratos futuros em relação ao consumo anual. No Brasil, essa relação situa-se entre 4 e 5,5 vezes no mercado bilateral, já apresentando um giro relevante", destacou.
A N5X projeta que, nos primeiros anos de operação, a bolsa brasileira de energia pode ultrapassar a marca de 1.000 TWh negociados anualmente em contratos futuros. Para efeito de comparação, esse volume é superior ao consumo anual total do Brasil, que é de 630 TWh, e também ao consumo da Alemanha, que é de 460 TWh.
O Brasil, atualmente, ocupa a posição de sexto maior mercado consumidor global de energia, de acordo com informações divulgadas pela empresa. O modelo proposto pela N5X permitirá que os agentes optem pela liquidação mediante entrega simbólica de energia, além do registro de contratos de comercialização junto à CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), mantendo assim a confluência entre o mercado de derivativos e o mercado de curto prazo físico.
Apoio dos Principais Geradores
A implantação da bolsa tem recebido apoio público de relevantes geradores de energia, como Axia (anteriormente Eletrobras), Casa dos Ventos e Eneva. Essas empresas dependem das vendas de energia para assegurar a previsibilidade de suas receitas e para se protegerem de riscos decorrentes da volatilidade dos preços.
Diversos geradores interromperam suas operações com comercializadoras menores após os calotes ocorridos no ano passado, o que evidenciou a falta de visibilidade sobre a qualidade de crédito dessas instituições.
Embora haja críticas, especialmente por parte das comercializadoras, que argumentam que a bolsa de energia pode restringir o número de participantes no mercado devido aos requisitos financeiros exigidos para depósitos de garantias, a CEO da N5X defende que tais condições são necessárias para a evolução e maturação do setor.
Barbosa ressalta a importância das comercializadoras, afirmando que elas são fundamentais para a liquidez do mercado. "Caso a N5X já estivesse em funcionamento, elas poderiam participar ativamente, aportar garantias e, assim, fomentar ainda mais a liquidez do segmento", completou.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br