Chegada da Delegação Iraniana
ISLAMABAD, PAKISTÃO – Em 11 de abril, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, foi recebido por importantes autoridades paquistanesas, incluindo o Chefe das Forças Armadas e Chefe do Estado-Maior do Exército, o Marechal de Campo Asim Munir, além do Vice-Primeiro-Ministro e Ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Mohammad Ishaq Dar. Este encontro ocorreu no contexto de negociações em andamento com oficiais iranianos.
Recentemente, o Paquistão confirmou a chegada de uma delegação de negociadores iranianos que tem como objetivo participar de conversas no próximo sábado com representantes dos Estados Unidos. As negociações buscam encerrar o conflito que se estende por seis semanas, no qual Washington e Tel Aviv têm atuado contra Teerã.
Cessa-Fogo Fragilizado
As conversações prevêem a consolidação de um cessar-fogo que teve início na terça-feira, mas que enfrenta desafios, pois o Irã continua impedindo a maior parte do tráfego de navios no Estreito de Ormuz, considerado o ponto crítico mais importante para o fornecimento de petróleo e gás no mundo.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, a delegação iraniana, liderada pelo presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, chegou à capital paquistanesa na noite de sexta-feira.
Esperança de Solução Duradoura
O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Mohammad Ishaq Dar, expressou a expectativa de que as partes envolvidas se engajem de forma construtiva nas negociações, ressaltando o desejo do Paquistão de continuar a facilitar os esforços em direção a uma solução duradoura e eficaz para o conflito. Essa declaração foi feita em uma postagem no X.
Contudo, existem incertezas em relação ao cessar-fogo e ao resultado das discussões. Ghalibaf alertou, na sexta-feira, que as negociações programadas para pôr fim à guerra com os Estados Unidos não podem ter início enquanto Israel não interromper os ataques ao Líbano, bem como a liberação dos ativos iranianos que estão congelados.
Essa demanda foi feita após uma delegação americana liderada por JD Vance ter partido para Islamabad para discutir os termos da paz.
Demandas para o Início das Negociações
Ghalibaf enfatizou que duas medidas mutuamente acordadas ainda não foram implementadas, sendo estas: a implementação de um cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos do Irã, que estão bloqueados, antes do início das negociações. Ele afirmou que "estas duas questões devem ser cumpridas antes que as conversações comecem", em uma postagem no X.
Na manhã anterior, Vance declarou a repórteres que acredita que as negociações serão "positivas", mas alertou o Irã para não "tentar ludibriá-los". A equipe de Vance chegou a Islamabad na manhã de sábado, onde foi recebida pelo Enviado Especial dos EUA, Steve Witkoff, e por Jared Kushner, genro e conselheiro do ex-presidente Donald Trump.
Frustração de Trump com o Irã
Paralelamente, o ex-presidente Donald Trump manifestou sua frustração em relação ao contínuo bloqueio do tráfego de navios no Estreito de Ormuz por parte do Irã. Este estreito é fundamental para o transporte de petróleo, com 20% do petróleo bruto do mundo passando por essa importante rota antes do início do conflito.
Em um anúncio feito na terça-feira à noite, Trump declarou que os Estados Unidos concordariam com uma suspensão de hostilidades de duas semanas, desde que o Irã concordasse com a reabertura completa e imediata do Estreito de Ormuz.
Entretanto, desde a declaração, o tráfego de embarcações no estreito permaneceu sob rigoroso controle, como estava desde o início do conflito em 28 de fevereiro.
Críticas ao Irã
Na noite de quinta-feira, em um post na plataforma Truth Social, Trump expressou sua indignação, afirmando que havia relatos de que o Irã estava cobrando taxas de navios-tanque que transitavam pelo Estreito de Ormuz, alertando: "Eles é que melhor não estivessem fazendo isso e, se estiverem, melhor parar agora!"
O ex-presidente acrescentou que o Irã "está realizando um trabalho muito ruim, e alguns diriam desonroso, em permitir que o petróleo passe pelo Estreito de Ormuz". Ele enfatizou que "esse não é o acordo que temos".
Fonte: www.cnbc.com