Queda no Plano de Investimento da Petrobras
O plano de investimento quinquenal da Petrobras (PETR4) enfrentará sua primeira queda sob a gestão do presidente Lula, influenciado pela redução nos preços do petróleo. Contudo, o montante projetado para o período de 2026 a 2030 permanecerá muito próximo ao programa atual, com uma variação de apenas cerca de 2%, conforme informações de três fontes familiarizadas com a situação, divulgadas à Reuters.
Este novo cálculo prevê investimentos em torno de US$ 109 bilhões, que deverão ser oficialmente apresentados na próxima quinta-feira, mas antes disso, passarão pela análise e aprovação do conselho de administração da empresa. A Petrobras ainda não se pronunciou sobre o tema.
O volume de recursos do novo plano estratégico ficará em torno de US$ 111 bilhões, conforme o anterior para o período de 2025 a 2029. Essa alteração representa a primeira queda anual nos investimentos de um plano da estatal desde que foi anunciado no final de 2020, referente ao período de 2021 a 2025, durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e no contexto da pandemia.
Desde sua posse, o presidente Lula tem pressionado a estatal a aumentar seus investimentos para fomentar a economia brasileira. Em 2024, ele deverá concorrer a um quarto mandato.
Objetivos do Programa de Investimento
O novo programa buscará aumentar a produção e o refino de petróleo, ao passo que a empresa se concentrará na redução de custos para se adaptar ao cenário de queda do valor do petróleo Brent. As fontes que se pronunciaram solicitaram anonimato.
“A empresa precisa otimizar seus recursos e se ajustar à nova realidade do preço do petróleo Brent. As diretrizes fundamentais incluem não elevar o endividamento e manter a política de dividendos inalterada. Assim, o foco será na gestão interna”, declarou uma das fontes sobre o programa que é ajustado anualmente.
Atualmente, o petróleo Brent está sendo negociado a cerca de US$ 62,35 por barril, valor que é inferior à média registrada nos primeiros nove meses do ano, que foi de US$ 70,85, representando uma queda de 14,4% em comparação com o mesmo período de 2024, segundo dados da Petrobras.
“Neste novo plano, a Petrobras terá uma abordagem mais introspectiva, buscando produtividade e eficiência em meio a um cenário de preços do Brent mais baixos. Isso não significa que deixaremos de obter bons resultados; pelo contrário, como visto no terceiro trimestre”, afirmou uma segunda fonte.
No terceiro trimestre, a Petrobras registrou um lucro líquido de US$ 6,03 bilhões, representando um aumento de 2,7% em relação ao ano anterior, mesmo diante da queda nos preços do petróleo.
Para 2025, o plano anterior considerava um preço médio de petróleo de US$ 83,2 por barril.
“O novo plano não se baseará em promessas vazias ou em uma narrativa idealizada. O diferencial desta administração está na execução, independentemente do cenário do Brent”, comentou uma das fontes. “Agora, é urgente mostrar resultados. O plano será financeiramente semelhante ao atual, mas o que realmente importa é a qualidade dos investimentos”, acrescentou.
Aumento da Produção da Petrobras
Diante deste novo panorama de preços do petróleo, que se mantêm em torno de US$ 60 por barril, a Petrobras se compromete a realizar seu “dever de casa” para honrar suas obrigações e alcançar suas metas. Um dos focos será a ampliação da produção de petróleo e gás no Brasil, através da expansão da capacidade das unidades de produção, ao mesmo tempo que busca cortar custos.
A empresa está avaliando outras plataformas que possam replicar o sucesso do FPSO Almirante Tamandaré, projetada para produzir 225 mil barris por dia (bpd), mas que em outubro alcançou uma produção instantânea recorde de 270 mil bpd, devido a um aumento na capacidade nominal da unidade.
“A Petrobras já analisa como replicar esse desempenho em outras unidades e como otimizar as plataformas existentes”, destacou uma das fontes.
A área de Exploração e Produção de Petróleo frequentemente representa a maior parte dos investimentos da estatal, contabilizando US$ 77 bilhões do total de US$ 111 bilhões previstos no plano vigente.
Para a redução de custos, a Petrobras considerará reavaliações de projetos e negociações com fornecedores, simplificando processos sempre que possível.
“A empresa recorrerá a suas estratégias para enfrentar as realidades do mercado, sem perder de vista o aumento de sua participação de mercado e da produção. É viável alcançar esses objetivos sem sacrificar os investimentos. A chave é a redução de custos e a máxima eficiência”, argumentou uma das fontes.
Refino
A divisão Refino, Transporte e Comercialização (RTC), que é a segunda maior em termos de investimentos, continuará a ser uma prioridade na alocação de recursos à medida que a empresa busca aumentar sua capacidade de refino.
A proposta consiste em melhorar o nível de utilização das refinarias, fazendo investimentos no complexo que conta atualmente com 11 unidades, capazes de processar 1,8 milhão de barris por dia.
“A demanda interna continua a crescer e a Petrobras pretende atender a essa expansão do mercado brasileiro. Estão programadas atualizações para quase todo o parque de refino da companhia. O refino não é um projeto simples; geralmente exige cerca de quatro anos para ser concluído”, explicou uma das fontes.
Em um evento realizado no final de outubro, o diretor executivo de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, anunciou que a companhia deverá manter altos investimentos para a expansão das refinarias, busca por eficiência energética e revitalização do setor de fertilizantes.
No plano anterior, a empresa previu um investimento de US$ 20 bilhões para a divisão RTC.
Fonte: www.moneytimes.com.br