O Elefante na Sala: Trump, as Petroleiras e o Iraque em Foco na Venezuela

O Elefante na Sala: Trump, as Petroleiras e o Iraque em Foco na Venezuela

by Fernanda Lima
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Visão Geral da Situação na Venezuela

O presidente Donald Trump apresentou uma visão simplificada da operação dos Estados Unidos na Venezuela, sugerindo que a abordagem seria entrar no país, extrair o petróleo e iniciar a exportação. No entanto, a experiência das grandes petrolíferas no Iraque após a invasão dos EUA demonstrou que a realidade é muito mais complexa.

Em 2003, os Estados Unidos invadiram o Iraque e capturaram seu líder, Saddam Hussein. Mais de duas décadas depois, as forças especiais norte-americanas realizaram uma operação similar ao capturar o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas, um déspota que controlava bilhões de barris de petróleo bruto. Embora haja um paralelo direto entre essas duas situações, a Venezuela apresenta várias características distintas: não há uma guerra ativa, não há tropas norte-americanas em solo venezuelano e a estrutura social e política é bastante diferente.

Contudo, as consequências da invasão do Iraque oferecem lições pragmáticas para as empresas petrolíferas que consideram entrar no mercado venezuelano.

Desafios para o Investimento nas Empresas Petrolíferas

De acordo com análises de especialistas, a expectativa é que as grandes petrolíferas demorem muitos anos para decidir realizar investimentos significativos na Venezuela, principalmente devido a desafios de segurança que parecem imprevisíveis e potencialmente instáveis.

Para essas empresas, “será uma tarefa extremamente árdua,” declarou Bill Farren-Price, pesquisador sênior do Instituto de Estudos de Energia de Oxford. “Os esforços para reconstruir as indústrias petrolíferas — mesmo em grandes produtores como o Iraque e a Venezuela — levam anos.”

O que Aconteceu no Iraque?

Poucos dias após a invasão do Iraque pelos Estados Unidos e seus aliados, o então Secretário Adjunto de Defesa, Paul Wolfowitz, afirmou a uma comissão do Congresso que as vastas reservas de petróleo do país poderiam cobrir os custos de reconstrução do Iraque. No entanto, essa expectativa não se concretizou.

“O governo Bush acreditava que os próprios Estados Unidos, o Iraque e a indústria petrolífera colheriam os benefícios econômicos do petróleo iraquiano muito mais rapidamente do que realmente aconteceu,” explicou Mohamad Bazzi, diretor do Centro de Estudos do Oriente Próximo da Universidade de Nova York, em entrevista à CNN.

A indústria petrolífera iraquiana havia sido nacionalizada e isolada das companhias ocidentais desde a década de 1970. Após a invasão, os Estados Unidos dissolveram as forças armadas iraquianas e expurgaram milhares de membros do Partido Baath, de Hussein, do serviço público. Isso resultou no controle temporário dos departamentos governamentais, incluindo o Ministério do Petróleo, pelos EUA.

Um governo interino iraquiano assumiu o poder no ano seguinte, mas foi somente em torno de 2009 que as autoridades começaram a oferecer contratos a empresas petrolíferas estrangeiras, segundo análises da CNN.

No entanto, os contratos disponíveis não eram atraentes para as empresas, conforme apontou Raad Alkadiri, sócio-gerente da 3TEN32 Associates, uma consultoria de risco político. Alkadiri trabalhou como assessor de diplomatas britânicos no Iraque entre 2003 e 2007, quando o Reino Unido era o principal parceiro de Washington durante a guerra.

Ele ressaltou que os contratos oferecidos na prática convidavam as empresas estrangeiras a atuarem como contratadas, sem conceder direitos de propriedade sobre as reservas de petróleo. Apenas recentemente o governo iraquiano começou a oferecer condições mais atrativas.

“Parte da promessa que as companhias petrolíferas haviam antecipado antes da invasão foi frustrada quando os iraquianos implementaram seu próprio sistema,” disse Alkadiri à CNN Internacional.

Além de fatores econômicos, a situação de segurança no Iraque deteriorou-se rapidamente depois da invasão, em grande parte devido ao vácuo de poder. “Nos anos seguintes à invasão dos EUA, houve saques de petróleo, ataques e sabotagem da infraestrutura petrolífera existente, além do surgimento de uma insurgência e, posteriormente, de uma guerra civil,” comentou Bazzi.

Lições para a Venezuela

É prematuro prever como a situação de segurança na Venezuela irá se desenvolver. Entretanto, Carlos Solar, pesquisador sênior de Segurança Latino-Americana do Royal United Services Institute, destacou que o governo Trump manteve remanescentes do regime de Maduro no poder, diferentemente do que ocorreu no Iraque pós-invasão.

Solar também observou que existem grupos armados na Venezuela que poderiam criar um “cenário de segurança caótico,” o que seria “muito menos controlável do que negociar com Delcy Rodríguez,” a atual presidente interina e ex-vice-presidente de Maduro.

A Venezuela é considerada um “país altamente militarizado,” conforme afirmado por Solar. Existem quatro principais grupos armados no país: o exército venezuelano, gangues do crime organizado, grupos guerrilheiros colombianos e coletivos — grupos paramilitares leais a Maduro que impõem o regime em várias áreas urbanas.

Em vez de enviar tropas americanas, o governo Trump está se preparando para contratar empresas militares privadas para proteger os ativos de petróleo e energia da Venezuela, conforme relataram duas fontes próximas aos planos à CNN Internacional.

Durante a Guerra do Iraque, os Estados Unidos gastaram bilhões em empresas privadas de segurança, logística e reconstrução, embora esses serviços tenham gerado controvérsias, incluindo assassinatos de civis iraquianos.

“A situação de segurança é realmente crítica,” afirmou Amy Myers Jaffe, diretora do Laboratório de Energia, Justiça Climática e Sustentabilidade da Universidade de Nova York. Atualmente, existem muitas incertezas que impedem as grandes petrolíferas de justificar investimentos substanciais para retomar as operações na Venezuela.

“O governo atual vai permanecer no poder? Haverá eleições? Estas eleições serão contestadas?”, questionou ela. “Todos concordam que esta ou aquela empresa petrolífera deve continuar, expandir ou iniciar novas operações?”

“A lição do Iraque é que a quantidade de petróleo existente não é o principal fator; o que realmente importa é o que realmente irá acontecer na prática,” concluiu.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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