O estilo de parenting nº 1 para criar crianças ‘saudáveis e resilientes’

Imagine ser uma criança de 10 anos e dizer aos seus pais: “Eu quero um dispositivo que custa mil dólares, além de 40 dólares por mês para mantê-lo. Com isso, poderei conversar com amigos e adultos que nunca conheci durante todo o dia. E, por falar nisso, nunca vou olhar para cima novamente.” É provável que eles tivessem dito não.

Ou pense nisso aos 12 anos: “Gostaria de tirar centenas de fotos de mim mesmo e postá-las em um lugar onde todos os meus colegas e qualquer outra pessoa online possam vê-las e avaliar como eu pareço.” Isso é, essencialmente, o que o Instagram oferece. Novamente, seus pais provavelmente teriam interrompido essa ideia imediatamente.

No entanto, hoje em dia, a maior parte dos pais costuma dizer sim, muitas vezes sem perceber as implicações do que estão aceitando ao entregar um smartphone a seus filhos. Isso não significa que sejam pais ruins. Muitos são os mesmos pais que impõem horários para dormir, exigem o uso de cintos de segurança e esperam boas maneiras. No entanto, a atração da tecnologia e das redes sociais é tão poderosa e normalizada que até mesmo os pais mais cuidadosos acabam se deixando levar pelo que todos ao seu redor estão fazendo.

Os dados são preocupantes: as crianças agora recebem seu primeiro smartphone por volta dos 11 anos. Quase 40% das crianças de 10 a 12 anos já estão nas redes sociais. Os resultados, segundo pesquisas cada vez mais consistentes, não têm sido positivos.

Assim, o que um pai deve fazer? A resposta pode parecer simples, mas é profunda: assumir o controle.

Estilos de parentalidade — e o que funciona melhor

Os estilos de parentalidade sempre foram um tema muito debatido. É provável que você já tenha ouvido falar de pais “helicóptero” (que vigiam constantemente), pais “limpa-neve” (que removem obstáculos) ou pais “gentis” (que evitam dizer “não”).

No entanto, a academia geralmente classifica a parentalidade em quatro estilos. Para torná-los mais fáceis de lembrar, vamos associá-los a animais marinhos:

  • Não envolvidos (paranatários peixe): Atendem às necessidades básicas e depois se afastam. Sem regras, sem afeto. As crianças ficam quase que por conta própria.
  • Permissivos (paranatários esponja do mar): Afetuosos e agradáveis, mas sem firmeza. Esses pais raramente estabelecem limites. A “parentalidade gentil” frequentemente se encaixa aqui — muito amor, pouca estrutura.
  • Autoritários (paranatários tubarão-tigre): Regras rigorosas, punições severas, pouco calor. Pense: “Porque eu disse.” As crianças obedecem, mas muitas vezes ressentem isso.
  • Autoritativos (paranatários golfinho): Um equilíbrio entre afeto e limites. Firmes, mas flexíveis. As regras são explicadas, não imposta de forma autoritária.

Décadas de pesquisa mostram claramente que a parentalidade autoritativa (ou “golfinho”) resulta em crianças mais saudáveis e resilientes.

Por que os outros estilos não têm o mesmo sucesso?

Pais “peixe” e “esponja do mar” não estabelecem limites. Crianças criadas dessa forma frequentemente fazem escolhas não saudáveis (como comer Cocoa Puffs no jantar ou ficar assistindo a telas até a meia-noite) e enfrentam dificuldades quando o mundo real eventualmente diz não.

Pais “tubarão-tigre” impõem regras, mas sem calor ou explicação. Seus filhos podem obedecer quando estão sob vigilância, mas descumprem as regras quando não estão supervisionados. Muitos crescem e se tornam adultos que só agem de maneira responsável sob pressão e carecem de automotivação.

Já os pais “golfinho”, em contraste, combinam estrutura com empatia. Eles validam sentimentos enquanto mantêm os limites. A psicóloga Becky Kennedy denomina isso de “liderança firme”: tomar decisões que você sabe que são boas para seu filho, mesmo que isso o deixe chateado no momento.

Como a parentalidade golfinho se aplica à tecnologia

Aplicado a dispositivos e redes sociais, a parentalidade golfinho implica estabelecer regras claras (como, por exemplo, proibir telefones nos quartos à noite, restringir o uso de redes sociais antes de uma certa idade e limitar o tempo de tela diário) e garantir que essas regras sejam seguidas de forma consistente.

Mas também envolve explicar o porquê. Em vez de dizer “porque eu disse”, pode-se dizer: “Meu trabalho é tomar decisões que mantenham você saudável, mesmo que você não goste delas agora. Entendo que você está chateado, mas este é um dos momentos em que isso é necessário.”

Essa abordagem encontra o equilíbrio adequado. Auxilia as crianças a compreender que os limites não são punições, mas sim formas de proteção. E preserva a relação entre pais e filhos, que é construída sobre confiança e cuidado, e não sobre medo ou evasão.

O objetivo não é a felicidade momentânea

Dizer sim a um tempo de tela ilimitado pode manter a paz no presente, mas pode comprometer a capacidade da criança de se concentrar, construir relacionamentos e desenvolver independência. Seu verdadeiro trabalho não é fazer seus filhos felizes a todo momento; é criar adultos competentes e confiantes que possam prosperar sozinhos.

A parentalidade não é uma parceria de iguais. Sim, queremos estar próximos a eles. Mas somos seus pais, não seus amigos. As crianças ainda não possuem o desenvolvimento cerebral ou a experiência de vida necessárias para tomar as melhores decisões a longo prazo. É aí que entra a liderança firme: oferecer o que elas precisam, e não apenas o que elas querem.

Na próxima vez que você se sentir tentado a ceder, lembre-se: você não está Apenas criando crianças. Você está criando adultos futuros. A parentalidade golfinho — firme, flexível, afetuosa e consistente — oferece a melhor chance para elas se tornarem pessoas saudáveis e independentes em um mundo altamente tecnológico.

Jean M. Twenge, PhD, é professora de psicologia na Universidade Estadual da Califórnia, em San Diego. Ela é autora de mais de 190 publicações científicas e diversos livros baseados em sua pesquisa, incluindo “10 Regras para Criar Filhos em um Mundo Altamente Tecnológico“, “Geracionais,” “iGen,” e “Geração Eu.” Sua pesquisa já foi abordada em publicações como a Time, The Atlantic, Newsweek, The New York Times, USA TODAY e The Washington Post.

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Fonte: www.cnbc.com

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