O Etanol de Milho Chegou para Ficar: Oportunidades para o Setor de Cana

Crescimento do Etanol de Milho

O crescimento acelerado do mercado de etanol de milho começa a alterar a dinâmica do setor sucroenergético no Brasil e levanta preocupações para a indústria da cana-de-açúcar, especialmente em um momento de margens comprimidas. Durante muitas décadas, a cana teve uma posição dominante na produção de biocombustíveis no país, mas esse cenário começou a mudar de maneira estrutural.

Participação do Etanol de Milho

Atualmente, o etanol produzido a partir do milho representa cerca de 25% da produção total de biocombustíveis no Brasil. Especialistas estimam que, até 2030, essa produção poderá chegar a aproximadamente 20 bilhões de litros. Isso resultará em uma divisão de mercado que se aproxima de 60% para a cana-de-açúcar e 40% para o milho.

Reação do Setor Sucroenergético

De acordo com Andy Duff, analista do Rabobank, a indústria da cana pode responder a essa mudança estrutural incorporando usinas de etanol de milho em suas operações já existentes. Ele afirma que essa é uma estratégia para aumentar a competitividade. Em suas palavras, "Se não pode vencê-los, junte-se a eles." A mensagem que se destina ao setor da cana é clara: o etanol de milho veio para ficar e a chave para a sobrevivência é a competitividade, que pode ser alcançada pela redução de custos e pela diversificação em projetos fora do mercado de açúcar e etanol, como iniciativas voltadas para biometano ou leveduras.

Mais adiante, Duff ressalta que, considerando que os dois segmentos enfrentam pressão de preços e têm interesses comuns, seria benéfico que eles colaborassem para criar novos mercados e expandir aqueles que já existem.

Vantagens das Usinas Flex

Segundo o analista, uma das principais vantagens das usinas flex, que operam com cana e milho, em comparação com as plantas que utilizam exclusivamente um desses insumos, é a capacidade de otimizar o uso de ativos durante o ano. Esse modelo permite o uso do bagaço da cana como fonte de energia e a integração com estruturas industriais já estabelecidas.

No entanto, Duff também chama a atenção para o fato de que a implementação dessa estratégia envolve um investimento significativo. Ele observa que, mesmo com um retorno sobre o investimento relativamente curto, o capital em risco é alto em um mercado que ainda está em desenvolvimento. Em 2023 e 2024, por exemplo, a combinação de preços altos do milho e valores baixos do etanol pressionou as margens de lucro, resultando no mais difícil período para a indústria de etanol de milho desde seu surgimento no Brasil.

Considerações sobre Investimentos

Na análise de Duff, a oportunidade para novos investimentos neste setor está quase esgotada, dada a compressão das margens e os altos custos de capital envolvidos. Apesar disso, ele continua a ver a proposta como estruturalmente positiva. Em uma visão de longo prazo, essa abordagem é um investimento que se justifica e oferece uma resposta clara do setor da cana à nova realidade do mercado.

Perspectivas para 2026

O Rabobank projeta que 2026 poderá funcionar como uma espécie de vitrine para o setor de etanol, em um contexto caracterizado por uma sobreoferta tanto do biocombustível quanto do açúcar.

Mudanças no Mercado Global

Nos últimos anos, o mercado internacional favoreceu o redirecionamento da produção em direção ao açúcar, devido a preços mais atraentes. No entanto, essa situação mudou. Com a oferta internacional bem abastecida, a commodity açúcar passou a ser negociada a preços significativamente mais baixos. O desafio enfrentado pelas usinas agora é determinar como alocar a cana entre a produção de açúcar e a de etanol. Ampliar excessivamente a produção de etanol pode pressionar os preços internos, enquanto um aumento na oferta de açúcar também pode contribuir para a manutenção do ciclo de preços baixos.

Dificuldades para as Usinas

"Todos no mercado de commodities já se acostumaram à ideia de um ano de preços mais baixos como uma consequência natural de preços elevados no passado. O problema surge quando há uma sequência de anos difíceis. Isso cria um cenário desafiador para as usinas — é o ‘sinal amarelo’ que mencionei, que ainda não está confirmado, mas que pode se concretizar", avalia Duff.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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