A Vale e a Nova Estratégia para Metais Básicos
A Vale (VALE3) anunciou, na quinta-feira (19), um novo passo em sua estratégia voltada para os metais básicos, uma área considerada essencial para o crescimento da mineradora nos próximos anos.
Formação do Consórcio
A companhia revelou que sua subsidiária Vale Base Metals (VBM) firmou um acordo com Exiro Minerals, Orion Resource Partners e Canada Growth Fund para a criação de um consórcio focado no cinturão de níquel de Thompson, localizado em Manitoba, uma das regiões mais relevantes para mineração no Canadá.
Neste arranjo, a Vale Base Metals obterá uma participação minoritária de 18,9%, enquanto os demais parceiros deterão 81,1% das ações do consórcio. Os parceiros se comprometeram a investir até US$ 200 milhões para apoiar as operações de mineração de níquel na área, de acordo com um comunicado encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Além disso, a Vale firmou um contrato de offtake, que assegura o direito de compra futura do concentrado de níquel produzido na usina de Thompson. A finalização deste negócio está prevista para o final de 2026, condicionado às aprovações necessárias nas esferas regulatórias e governamentais.
Impactos Financeiros e Estratégicos
Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, comentou que o impacto financeiro deste acordo é limitado no curto prazo, já que o níquel ainda representa uma parcela pequena dos resultados totais da Vale. Contudo, ele acredita que essa movimentação é estratégica em um contexto de longo prazo, especialmente devido à transição energética.
A operação em Thompson tem produção anual entre 10 mil e 12 mil toneladas de níquel, o que corresponde a cerca de 5% da produção global da VBM. A atividade já estava sob revisão estratégica antes do novo acordo. Hungria observa que o investimento feito pelos novos parceiros facilitará a aceleração da recuperação dos ativos de metais básicos da empresa.
Perspectivas de Evolução
Segundo ele, “o acordo e os investimentos prometidos pelos novos associados contribuirão para aumentar a produção na região e se alinham com a estratégia de turnaround da VBM, que tem mostrado significativa evolução nos últimos trimestres”. Além disso, Hungria ressalta que a recuperação da VBM e o aumento de participação de cobre e níquel nas receitas serán fundamentais para o re-rating das ações da Vale, que atualmente estão negociando com um desconto em comparação a suas concorrentes australianas.
Visão do Mercado
Por outro lado, os analistas do Citi possuem uma visão mais conservadora em relação à operação. Eles apontam que a atividade de níquel da Vale enfrenta desafios de rentabilidade há anos e poderiam até considerar um fechamento como a alternativa mais viável.
De acordo com o banco, “a operação vem enfrentando dificuldades de rentabilidade nos últimos anos e o fechamento seria a opção mais plausível. Em nossa avaliação, a transação não deve impactar significativamente o preço das ações da Vale”, segundo um recente relatório da instituição.
Apesar das incertezas, o Citi manteve a recomendação de compra para as ações da Vale, estabelecendo um preço-alvo de US$ 14 para os papéis da companhia.
O Papel dos Metais Básicos na Estratégia da Vale
A divulgação do negócio na quinta-feira (19) ocorre após a apresentação de um desempenho sólido no fluxo de caixa no quarto trimestre de 2025. Durante a teleconferência de resultados, o CEO da empresa, Gustavo Pimenta, destacou que os metais básicos estão no epicentro da estratégia de crescimento da Vale, enfatizando a relevância do cobre e a expectativa por um equilíbrio estrutural no mercado de níquel.
Entre os meses de outubro e dezembro, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado da mineradora alcançou US$ 4,8 bilhões, apresentando um crescimento de 17% em relação ao ano anterior.
A divisão de metais básicos da empresa também viu seu resultado operacional mais que dobrar, atingindo US$ 1,4 bilhão no mesmo período.
Fonte: www.moneytimes.com.br