Acordo entre OceanPact e CBO Holding
A OceanPact (OPCT3) anunciou, na última sexta-feira, dia 27, um acordo para a combinação de seus negócios com a CBO Holding. Esta operação resultará na formação de uma nova empresa que contará com 73 embarcações e cerca de R$ 13,6 bilhões em contratos já estabelecidos, consolidando a OceanPact como uma das principais companhias no setor de apoio marítimo no Brasil, além de garantir uma presença significativa no mercado global.
Detalhes da Operação
Como parte do acordo, a OceanPact se compromete a emitir aproximadamente 275 milhões de novas ações direcionadas aos acionistas da CBO. A relação de troca estipulada estabelece que por cada ação da CBO, os acionistas receberão cerca de duas ações da OceanPact. Assim, ao término do processo, os atuais acionistas da CBO passarão a deter cerca de 58% do capital total da empresa resultante dessa fusão.
A CBO atualmente opera com 45 embarcações, sendo a maior parte delas de sua própria propriedade. Através dessa combinação de negócios, a OceanPact afirma que conseguirá ampliar sua escala operacional, o que permitirá a conquista de contratos com maiores margens de rentabilidade, além de facilitar o acesso a linhas de crédito a custos reduzidos.
Os valores envolvidos na transação não foram divulgados. Na mesma data do anúncio, as ações da OceanPact estavam sendo negociadas a R$ 9,56, o que coloca a companhia com um valor de mercado aproximado de R$ 1,9 bilhão.
Participação Acionária
Os fundos do Patria possuem cerca de 38% das ações da CBO, enquanto o BNDES, por meio de seu braço de participações, detém outros 19%. A Vinci, por sua vez, também é um acionista relevante, com aproximadamente 38% das ações, conforme os dados informados pela companhia.
No que diz respeito à OceanPact, Flávio Nogueira Pinheiro Andrade possui 30,75% de suas ações, enquanto a gestora Dynamo detém cerca de 12,3% do capital.
Segregação de Ativos Contingentes
A operação também envolve uma reorganização societária com o intuito de segregar ativos contingentes associados à controlada UP Offshore. Essa segregação diz respeito a disputas judiciais com a Petrobras, decorrentes de contratos rescindidos anteriormente.
Quaisquer valores líquidos que possam ser recebidos em decorrência desses processos judiciais serão destinados exclusivamente aos acionistas da OceanPact antes da conclusão da operação, conforme informado pela empresa.
Além disso, como parte dessa estrutura reorganizadora, está previsto um aporte de R$ 2 milhões em uma holding que foi criada para facilitar a segregação desses ativos. Esse processo seguirá com uma cisão parcial, o resgate de ações com margem contingente atrelada ao desfecho das ações judiciais e, posteriormente, a incorporação da CBO pela OceanPact.
Aprovações e Acordo de Acionistas
A conclusão do processo está condicionada à aprovação do Cade, além de requerer consentimentos de terceiros e o aval dos acionistas em assembleias que estão agendadas para o dia 30 de março de 2026. Diretores de destaque da CBO, incluindo aqueles do BNDES, já manifestaram seu apoio à operação, de acordo com declarações da OceanPact.
Adicionalmente, foi assinado um novo acordo de acionistas com uma duração de cinco anos, onde são estipulados um período de restrição para a venda de ações e diversas regras de governança, que incluem um compartilhamento de controle nos primeiros dois anos da nova estrutura empresarial.
O Itaú BBA foi o responsável pela assessoria financeira da OceanPact durante este processo.
Fonte: www.moneytimes.com.br