Desenvolvimento de Data Center no Brasil
A Omnia, empresa vinculada ao Patria Investimentos, está ativamente envolvida na criação do que será considerado o maior data center destinado a um único cliente no Brasil. Este projeto será situado no Porto de Pecém, localizado no estado do Ceará, e representa um investimento superior a R$ 50 bilhões, em colaboração com a geradora de energia renovável Casa dos Ventos, conforme informado pelas companhias à Reuters nesta segunda-feira, dia 3.
Clientes e Aprovação do Projeto
O anúncio da participação da plataforma do Patria neste ambicioso projeto, que deverá contar com a ByteDance, proprietária do TikTok, como cliente, ocorre em um momento em que há a obtenção de mais uma autorização essencial para que as obras iniciem, com previsão para começar ainda em 2025.
Capacidade Energética e Expertise
O empreendimento possui um consumo energético estimado em 300 megawatts (MW), tornando-se o maior data center individual do Brasil a partir de 2027, data prevista para a sua operação. Este projeto também marca o retorno significativo do Patria ao setor de data centers, onde a gestora já possui experiência por meio da criação da Odata, que foi posteriormente vendida para a Aligned Data Centers.
Apesar do lançamento oficial da Omnia ocorrer apenas em maio deste ano, o Patria já ativamente participa do desenvolvimento do data center no Ceará desde o ano anterior, focando nas etapas de estruturação, planejamento orçamentário e técnico, além de realizar a prospecção de possíveis clientes.
Potencial de Exportação de Dados
O CEO da Omnia, Rodrigo Abreu, comentou sobre a importância do projeto, afirmando que “Este passa a ser o primeiro voltado para exportação de dados no país. Ele realmente inaugura a vocação que o Brasil possui nesse setor, devido à disponibilidade de energia, localização privilegiada e conectividade internacional via fibra ótica”.
Aprovação do Governo Brasileiro
No último dia 3, o governo brasileiro emitiu uma autorização que permite ao futuro data center, que será instalado dentro da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará, disponibilizar serviços direcionados à exportação de dados. A instalação de data centers em ZPEs é uma das medidas que a administração pública tem promovido para fomentar o setor, com o objetivo de atrair R$ 2 trilhões em investimentos ao longo de uma década.
Envolvimento da ByteDance
A ByteDance, empresa chinesa, ainda não se manifestou publicamente sobre sua participação no projeto no Ceará. Entretanto, autoridades brasileiras têm dado destaque ao suposto envolvimento da companhia. Fontes próximas ao projeto também indicam que a ByteDance será uma das clientes do data center.
Aspectos Financeiros do Projeto
O novo decreto governamental se soma a outras aprovações cruciais obtidas nos últimos meses, que estão relacionadas à conexão da instalação à rede elétrica nacional. O projeto aguarda ainda a licenciatura de instalação pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) do Ceará.
Em termos financeiros, o projeto totaliza investimentos estimados em R$ 50 bilhões, dos quais R$ 12 bilhões serão destinados à infraestrutura, responsabilidade da Omnia, e o restante, porém, focado na aquisição de equipamentos de tecnologia da informação, como servidores de processamento, que ficará a cargo do cliente.
A Casa dos Ventos planeja investir aproximadamente R$ 3,5 bilhões a mais na construção de novos parques eólicos, que serão responsáveis pelo fornecimento de energia para a instalação no Ceará. De acordo com Lucas Araripe, diretor executivo da geradora de energia renovável, os novos parques eólicos provavelmente estarão localizados no Ceará ou no Piauí, sendo desenvolvidos paralelamente ao projeto do data center.
As empresas parceiras têm a expectativa de que as obras do data center em Pecém comecem ainda em 2025, com o objetivo de que a operação tenha início até a segunda metade de 2027.
Consumo de Recursos Naturais
Além da preocupação com o uso de energia renovável, os executivos enfatizaram que o projeto também terá um baixo consumo de água, que é empregada em processos de resfriamento típicos desse tipo de instalação, devido à utilização de tecnologia de reuso eficiente.
Lucas Araripe, da Casa dos Ventos, também destacou que a empresa já firmou mais contratos de conexão no Porto de Pecém para futuros projetos de data centers que pretendem gerar uma capacidade adicional de 1,5 gigawatt (GW), os quais poderão ser criados para outros clientes que utilizem essa infraestrutura.
“Estamos testemunhando a evolução de um dos principais investimentos privados no Brasil nos anos vindouros, que exigirá mais recursos do que qualquer outro projeto em infraestrutura”, finalizou Araripe.
Fonte: www.moneytimes.com.br