Onde aplicar com a Selic a 13,75% e altas taxas de juros nos EUA

Onde aplicar com a Selic a 13,75% e altas taxas de juros nos EUA

by Editoria Bolsa e Mercado
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Federal Reserve e Taxas de Juros

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, aumentou a taxa básica de juros para um intervalo de 3,75% a 4% ao ano. As previsões dos membros do comitê indicam que a inflação deve convergir para a meta de 2% até 2029. A elevação das taxas de juros nos Estados Unidos pode dificultar cortes na taxa Selic aqui no Brasil, que atualmente está em 13,75%. Essa taxa elevada tende a estimular os investidores a permanecerem na renda fixa de curto prazo.

Estratégia de Investimentos

Para os especialistas, uma estratégia mais equilibrada deve combinar diferentes tipos de renda fixa com variados prazos de vencimento, proteção cambial e também a renda variável, tanto no Brasil quanto no exterior. Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, “o ponto principal é não depender de apenas uma economia, uma moeda ou uma classe de ativos”.

Alocação no Brasil

Na parte da carteira direcionada a investimentos no Brasil, os especialistas consideram que os ativos pós-fixados devem ter um peso significativo. Antônio Sanches, analista de alocação da Rico, comenta que “o pós-fixado será naturalmente o porto seguro da carteira do investidor”, recomendando que até 70% do patrimônio seja alocado em produtos pós-fixados. Essa escolha se dá pela característica de menor volatilidade desses ativos, ideal para investidores que não querem ver sua carteira oscilar com frequência.

Protegendo o Patrimônio da Inflação

A liquidez, por sua vez, não deve ser a única preocupação do investidor. Títulos como o Tesouro IPCA+, que oferecem correção pela inflação junto a uma taxa fixa, desempenham um papel importante na proteção do poder de compra. O analista Spiess destaca a importância dos indexados à inflação, enfatizando que, se o Brasil não conseguir resolver as questões fiscais por meio de um ajuste, a solução virá com um aumento da inflação.

Sem que haja medidas para equilibrar as contas públicas, a necessidade de financiar o déficit pode levar ao aumento da dívida pública e à elevação da percepção de risco fiscal, o que pode pressionar as expectativas de inflação.

Prefixados e Vencimentos

É fundamental, no entanto, entender que a proteção contra a inflação não é gratuita. Títulos com vencimentos mais longos estão diretamente ligados à situação fiscal do governo. Caso a administração futura não aborde a questão do aumento da dívida, existe o risco de volatilidade. Para quem investe em títulos IPCA+, isso pode resultar em perdas se houver a necessidade de resgatar o título antes do vencimento.

Diversificar em diferentes prazos de vencimento é igualmente relevante. Gabriel Urian, analista-chefe da Cultura Capital, sugere que “há espaço seletivo para prefixados e IPCA+ de prazos intermediários a longos, desde que os prêmios de risco sejam compensadores e o investidor aceite a marcação a mercado”. Ele também alerta que a alta nas taxas de juros nos Estados Unidos pode manter a curva de juros local pressionada na parte longa, reforçando a necessidade de cautela e diluição de duration.

Investimentos de longo prazo têm uma maior sensibilidade às flutuações das taxas de juros. Se um ajuste fiscal contribuir para reduzir a percepção de risco e os juros exigidos pelo mercado, isso pode levar à valorização de títulos prefixados e de IPCA+. No entanto, quanto mais longa a maturidade do título, maior será essa sensibilidade a ganhos, ou perdas, no caso contrário.

Os títulos IPCA+ proporcionam proteção contra a inflação, enquanto os prefixados garantem uma rentabilidade nominal conhecida. Contudo, ambos estão sujeitos a oscilações de preço antes do vencimento.

Categoria
Pós-fixado
Inflação
Prefixado
Multimercados
Renda Variável Brasil
Fundos Listados
Alternativos
Renda Fixa Global
Renda Variável Global
Total
Fonte: Rico Investimentos

Mercado de Ações

A Bolsa brasileira também teve um desempenho positivo e pode se beneficiar das mudanças nas cadeias de suprimentos ocasionadas por conflitos e guerra comercial. De acordo com Sanches, o rali das ações da Petrobras (PETR3, PETR4) reflete a alta dos preços e as expectativas de lucros futuros da empresa.

Assim como os títulos IPCA+ de longo prazo, as ações de empresas brasileiras podem ser influenciadas pelas expectativas em relação à política fiscal após as eleições de outubro. Na visão de Spiess, as ações cíclicas domésticas estão com preços atraentes e podem se beneficiar de um ajuste fiscal acompanhado por uma redução nas taxas de juros. Entretanto, ele ressalta que isso não garante a melhoria dos resultados dessas empresas, pois um ajuste já implica uma retração econômica inicial.

O mercado tende a antecipar movimentos, e se a oposição vencer as eleições, essas companhias podem apresentar um bom desempenho na bolsa. A recomendação é que se faça uma combinação de 80% em empresas mais estáveis e 20% em companhias mais arriscadas e voláteis, para trazer uma maior estabilidade à carteira de renda variável.

Diversificação Internacional

Diante das incertezas no Brasil, a diversificação internacional torna-se cada vez mais necessária. Investir no exterior possibilita a distribuição de riscos entre diferentes economias, moedas e classes de ativos, incluindo títulos de emissores de alta qualidade de crédito. O resultado das eleições pode impactar também a cotação do dólar. Sanches afirma que haveria espaço para a valorização do real se os resultados das eleições reforçarem a confiança na política econômica.

Ele também menciona que o governo dos Estados Unidos tem interesse em um dólar mais fraco, apesar de isso parecer contraditório em relação ao “privilégio exorbitante” dos EUA em emitir a moeda de reserva global. Um dólar forte pode prejudicar a competitividade da indústria americana, afetando seu crescimento, ao contrário do que acontece na China.

Alocação em Renda Fixa e Ações Internacionais

Independentemente da direção do câmbio, Ian Caó, sócio-fundador e CIO da Gama Investimentos, aponta que os preços estão conectados a diversos fatores, e a escolha de se expor ao dólar depende principalmente do perfil de risco do investidor. A alocação internacional não deve ser uma resposta a movimentos do mercado. “Quanto mais diversificada for a carteira, mais robusta ela tende a ser”, afirma.

Na Rico, a recomendação é de que 85% da carteira seja alocada em investimentos no Brasil e 15% em ativos internacionais. Dentro da parcela de 15%, aproximadamente 45% deve ser alocado em renda variável e 55% em renda fixa, podendo essa proporção ser invertida caso o investidor tenha uma postura mais agressiva.

Classe
Caixa
Renda Fixa
Soberana Desenvolvidos
Crédito High Grade
Crédito High Yield
Dívida Emergentes
Renda Variável
EUA
Desenvolvidos (ex-EUA)
Emergentes
Alternativos
Fonte: Rico Investimentos

A recomendação básica dos especialistas é que entre 15% a 30% do patrimônio esteja dolarizado, sendo essa alocação proposta de maneira que 60% seja em renda fixa americana e 40% em renda variável. Para investidores com perfil mais arrojado, essa proporção pode ser invertida. Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, observa que a diversificação internacional não é apenas uma forma de proteção, mas também uma fonte importante de retorno.

Em relação à renda fixa internacional, os títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries, são frequentemente vistos como uma referência em termos de segurança e liquidez. Em maio de 2025, a Moody’s rebaixou a nota de crédito dos Estados Unidos de Aaa para Aa1, devido ao aumento da dívida e dos gastos com juros.

Ouro, Treasuries e Tecnologias na Carteira

Ouro é também considerado um ativo que oferece proteção, embora sua alta volatilidade sugira que sua participação na carteira deve ser mantida em níveis baixos, como em torno de 2,5% do total. Spiess menciona que o ambiente atual de desvalorização das moedas fiduciárias poderia tornar o investimento em ouro promissor.

No segmento de renda variável, as grandes empresas de tecnologia continuam sendo vistas como geradoras de valor nas carteiras de investidores que atuam nos Estados Unidos. Na Europa, os setores defensivos têm se destacado, enquanto na Ásia, a tecnologia também apresenta oportunidades de ganhos, tanto em empresas chinesas quanto em japonês e coreano.

Essas empresas estão ligadas ao ecossistema de Inteligência Artificial e estão se dedicando a aumentar sua capacidade produtiva. Segundo Sanches, a curva de juros não modifica a alocação estrutural que o investidor deve considerar em suas aplicações em renda fixa e renda variável global. Ao contrário, essa curva acentua a importância de se manter uma alocação equilibrada, visto que tanto a renda fixa quanto a variável podem se beneficiar do crescimento dos lucros dessas empresas.

Fonte: www.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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