IPCA + 8%: o que está acontecendo com o Tesouro Direto
Títulos públicos têm nova disparada nas taxas em meio à piora macroeconômica no Brasil e no exterior.
Incertezas no Brasil segundo UBS Global Wealth Management
O UBS Global Wealth Management (GWM) ressalta que o Brasil enfrenta um cenário de incertezas, impactado pela acirrada eleição presidencial, deterioração das contas públicas e a elevação das taxas de juros globalmente. Esse contexto faz com que o banco recomende a alocação em títulos indexados à inflação e ativos globais para investidores em carteiras locais.
A corrida eleitoral apresenta o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) liderando as intenções de voto no primeiro turno, embora o ex-presidente Flávio Bolsonaro (PL) goze de vantagem em simulações para o segundo turno. A economia brasileira mostra sinais de desaceleração, com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo apenas 0,5% no segundo trimestre. O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu cortar a taxa Selic para 13,75%, mas a deterioração fiscal permanece como o principal fator de risco a ser monitorado.
Prêmio de risco elevado
De acordo com o UBS, os mercados brasileiros estão em uma encruzilhada devido a três fatores que mantêm o prêmio de risco elevado: a acirrada disputa eleitoral, a deterioração fiscal e um contexto global caracterizado por juros estruturalmente altos. Nesse cenário, o banco considera apenas dois grupos de ativos como atraentes para carteiras locais: os títulos indexados à inflação e ativos globais.
No que diz respeito à alocação, o UBS GWM avalia as ações brasileiras, títulos nominais, papéis pós-fixados, fundos imobiliários (FIIs) e ativos alternativos como tendo uma avaliação neutra. Já os hedge funds, que referem-se a estratégias de investimento de risco, são considerados não atraentes.
Características dos títulos indexados à inflação
Os títulos indexados à inflação são vistos como uma combinação de retorno real elevado e proteção, especialmente se a incerteza fiscal continuar a pressionar as expectativas. Além disso, a diversificação internacional é considerada uma estratégia fundamental para aumentar a resiliência das carteiras frente aos riscos eleitorais e fiscais no Brasil.
Um relatório do UBS indica que a rodada mais recente de pesquisas de opinião sobre as intenções de voto mostra um estreitamento na corrida eleitoral. O presidente Lula mantém uma liderança apertada em três de quatro levantamentos para o primeiro turno, com margens que variam entre 0,6 e 2,4 pontos percentuais.
Por outro lado, as simulações de segundo turno mostram Flávio Bolsonaro como o candidato com vantagem numérica na maioria das pesquisas mais recentes, embora essa vantagem esteja geralmente dentro da margem de erro, refletindo a incerteza do cenário atual.
Aumento da incerteza e volatilidade
Para o UBS, o principal ponto a ser destacado é o aumento da incerteza, o que pode resultar em um aumento da volatilidade do real e também da curva de juros no Brasil.
Desaceleração econômica e suas consequências
No aspecto econômico interno, a análise do UBS aponta que a atividade econômica está perdendo impulso de forma desigual entre os diferentes setores. O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre do ano cresceu 0,5% na comparação com o trimestre anterior, uma desaceleração em relação ao crescimento de 1,1% registrado no primeiro trimestre. No acumulado de 12 meses, o crescimento se mantém em 2,0%. Esse ajuste econômico é mais visível em setores que são sensíveis às alterações nas taxas de juros, enquanto os serviços e o mercado de trabalho têm reagido com um certo atraso.
Taxa de desemprego e qualidade do emprego
A taxa de desemprego caiu para 5,3%, o que representa o nível mais baixo para o período desde 2012. No entanto, o UBS observa que a moderação na renda e a deterioração da qualidade dos empregos gerados são preocupações que não devem ser ignoradas.
Política monetária e seu impacto
Em relação à política monetária, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa Selic em 25 pontos-base, estabelecendo-a em 13,75% ao ano. A comunicação do Copom permanece cautelosa e dependente da evolução dos dados econômicos. O UBS avalia que a possibilidade de cortes mais significativos nas taxas de juros dependerá menos do desempenho do PIB e mais do comportamento das expectativas de inflação, do setor de serviços, da cotação do câmbio e da situação fiscal.
O UBS também informa que o fator fiscal deverá continuar a ser o principal determinante dos prêmios de risco. Nesse contexto, apesar do aumento na receita líquida federal de 7,7% em julho (em termos reais e comparado ao ano anterior) e de 5,9% no acumulado do ano até julho, as despesas cresceram 6,2%, destacando um aumento de 44,6% nos gastos discricionários.
*Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast
Fonte: www.estadao.com.br
