OpenAI apresenta o Sora 2 no Brasil, envolvido em controvérsia com Hollywood sobre direitos autorais.

Disputa entre Big Techs e Hollywood

A disputa entre as grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs, e Hollywood em relação ao uso de obras protegidas por direitos autorais no treinamento de inteligência artificial (IA) ganhou um novo capítulo. Recentemente, a empresa OpenAI apresentou o Sora 2, sua versão mais avançada de gerador de vídeos, mas a novidade surge com polêmicas significativas: a companhia permitirá o uso de material protegido, a menos que os proprietários optem formalmente por não participar.

Na prática, estúdios, produtores e artistas precisam notificar a OpenAI caso não desejem que suas criações sejam transformadas em insumo para produções realizadas por inteligência artificial. O anúncio ocorre em meio a um debate mais amplo, onde tanto a OpenAI quanto a Google sustentam que a utilização de obras protegidas em treinamentos de modelos deveria ser classificada como “uso justo”, conforme a interpretação da lei de direitos autorais nos Estados Unidos.

A indústria cultural, por outro lado, demonstrou um forte descontentamento. Mais de 400 artistas assinaram uma carta aberta condenando a prática e exigindo que o governo de Washington estabeleça barreiras mais rigorosas em relação ao uso de direitos autorais.

O que muda com o Sora 2

Apesar da controvérsia em torno de seu lançamento, o Sora 2 é apresentado como o produto mais sofisticado da OpenAI até o momento. Entre os principais avanços do novo gerador de vídeos estão:

  • Maior domínio das leis da física, resultando em vídeos mais críveis em cenas complexas;
  • Movimento humano mais natural, com gestos e expressões faciais que se aproximam da realidade;
  • Integração convincente de pessoas, animais e objetos em cenários gerados artificialmente;
  • Áudio sincronizado, incluindo vozes em diversos idiomas, sons de fundo e efeitos sonoros.

A OpenAI reconhece que o modelo ainda pode cometer erros, mas considera o avanço como um passo importante em direção à “simulação da realidade.”

O acesso ao Sora 2 será disponibilizado por meio de um aplicativo específico, que inicialmente estará disponível apenas para dispositivos iOS nos Estados Unidos e no Canadá. O formato do aplicativo lembra o estilo do TikTok, com um feed vertical de rolagem infinita que permite a criação de clipes curtos. No entanto, não há a opção de enviar imagens ou vídeos externos, e apenas aqueles que validarem suas identidades poderão usar suas próprias imagens na plataforma — uma regra que também se aplica a figuras públicas.

  • Na semana passada, a Meta apresentou o Vibes, um concorrente no setor, também voltado à criação e compartilhamento de vídeos curtos por meio de inteligência artificial.

Contexto do Lançamento

O anúncio do Sora 2 ocorre em um momento delicado para a OpenAI. De acordo com informações do jornal Wall Street Journal, a empresa está aguardando a autorização de autoridades da Califórnia e de Delaware para modificar sua estrutura societária. Caso essa mudança não seja concluída até o final do ano, investidores poderão exigir a devolução de parte dos investimentos realizados.

No âmbito regulatório, a disputa entre empresas de tecnologia e a indústria criativa continua a se intensificar. Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, fez uma defesa da posição contrária à de Hollywood: para ele, o treinamento de uma inteligência artificial não é diferente da aprendizagem de um aluno que lê um artigo, e, portanto, deveria ser permitido sem a necessidade de contratos complexos.

Dilema Central

Por um lado, o Sora 2 representa o que há de mais impressionante em inteligência artificial: vídeos fluidos, ultrarrealistas e a promessa de tornar efeitos especiais dignos do cinema acessíveis ao usuário comum. No entanto, por outro lado, a nova tecnologia reacende o dilema que acompanha toda a indústria criativa: quem deve arcar com os custos quando a inovação avança sobre direitos autorais? Na visão da OpenAI, a resposta é clara: quem não quiser que suas obras sejam utilizadas, deve fazer um pedido formal de exclusão.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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