Os operadores de mercado apostavam nesta quinta-feira, dia 10, que a probabilidade de um aumento na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) na reunião programada para a próxima semana se tornou um pouco maior, após a divulgação do primeiro dos relatórios de inflação desta semana.
### Dados de Inflação
As informações recentes revelaram que os preços ao produtor nos Estados Unidos aumentaram 5,4% no período de 12 meses até agosto. Ao mesmo tempo, os pedidos semanais de auxílio-desemprego indicaram que o mercado de trabalho no país mantém-se estável.
Embora o crescimento geral dos preços no atacado tenha ficado em linha com as projeções de economistas, detalhes contidos no Índice de Preços ao Produtor (PPI) sugeriram que parte da desaceleração da inflação observada recentemente está sendo revertida. Esse fenômeno é atribuído, em parte, à renovação das hostilidades no Oriente Médio, que tem impactado a distribuição global de petróleo, além do aumento dos investimentos em inteligência artificial (IA), que tem elevado a demanda por eletrônicos.
Os dados também mostraram um aumento significativo nos preços pagos pelos produtores em categorias como transporte e armazenamento durante o mês de agosto, assim como nos serviços hospitalares e nas tarifas de passagens aéreas.
### Expectativas do Mercado
Antes da divulgação dos dados nesta quinta-feira, os operadores estimavam cerca de 65% de probabilidade de um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros na reunião do Fed que ocorrerá entre os dias 15 e 16 de setembro. Após os dados divulgados, essa probabilidade foi atualizada para mais próxima de 70%, com base nas cotações dos contratos futuros de juros negociados no CME Group. De acordo com os preços de mercado, até o final do ano, o Fed deverá realizar ao menos um, se não dois, aumentos nas taxas de juros.
### Preços ao Consumidor em Destaque
Um relatório a ser divulgado sobre a inflação relativa aos preços ao consumidor nesta sexta-feira completará o cenário inflacionário que as autoridades do Fed estão avaliando. O objetivo é determinar se a atual taxa de juros de referência está pressionando a inflação de forma suficientemente eficaz para alcançar a meta de 2%.
A inflação nos Estados Unidos se mantém acima da meta estabelecida pelo Fed há cinco anos e meio. Desde dezembro, a taxa de juros de referência está mantida na faixa de 3,50% a 3,75%.
Analistas da Capital Economics comentaram que, com os dados do PPI ainda aparentando níveis elevados, parece provável que o Fed venha a aumentar as taxas ainda neste ano, embora essa decisão possa não ser tomada na próxima reunião.
### O Papel do Índice de Preços ao Consumidor
No que se refere à possibilidade de o banco central agir na próxima semana, os analistas indicaram que essa decisão ainda depende da divulgação do dado mais relevante do Índice de Preços ao Consumidor (CPI), que será apresentado amanhã. O Fed tem como meta uma inflação de 2%, que é medida pela variação em 12 meses do Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE). Esse indicador pode ser estimado assim que os dados do CPI e do PPI estiverem disponíveis.
Os analistas se mostraram divididos nesta quinta-feira em relação à efetiva capacidade dos dados do PPI de elevar a inflação do PCE a um nível que force o Fed a tomar medidas na próxima reunião.
### A Ação do Banco Central Europeu
Além disso, o Banco Central Europeu elevou suas taxas de juros de referência nesta quinta-feira para controlar a inflação gerada pela guerra no Irã, que resultou em um aumento nos preços dos futuros do petróleo Brent, superando a marca de US$ 100 por barril.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
