Órgão francês propõe tarifas ou um euro desvalorizado para competir com a China.

Relatório do Governo Francês sobre Tarifas e Desvalorização do Euro

Um relatório estratégico do governo da França, divulgado nesta segunda-feira, 9, sugere que a União Europeia deve considerar a implementação de uma tarifa inédita de 30% sobre todos os produtos provenientes da China ou uma desvalorização de 30% do euro em relação ao renmimbi, com o objetivo de combater o aumento das importações de produtos chineses a preços baixos.

Ameaça da Concorrência Chinesa

O documento aponta que a Europa está enfrentando uma pressão competitiva crescente advinda das empresas chinesas, que estão conquistando participação de mercado, incluindo setores que anteriormente eram dominados por países europeus. Embora o relatório reconheça que as medidas propostas seriam desafiadoras de serem implementadas, a competição está se intensificando.

O estudo foi elaborado pelo Haut-Commissariat à la Stratégie et au Plan, um órgão consultivo do governo francês que se reporta diretamente ao primeiro-ministro e que orienta as políticas públicas de longo prazo no país.

Setores em Perigo

De acordo com a análise, setores fundamentais para a base industrial europeia, tais como o de automóveis, máquinas-ferramenta, produtos químicos e baterias, estão sob ameaça direta. Um quarto das exportações francesas e até dois terços da produção alemã estão expostos à concorrência dos produtos chineses.

Esse aumento na concorrência é impulsionado pela superioridade de qualidade dos produtos chineses, que, somada a vantagens de custo sustentadas entre 30% e 40%, têm gerado preocupações entre os fabricantes europeus.

Risco de Destruição Industrial

O chefe da instituição, Clément Beaune, alertou que a combinação de uma moeda chinesa "subvalorizada" com o progresso industrial de Pequim pode levar a Europa a um ciclo de "destruição" a menos que medidas adequadas sejam implementadas.

Beaune enfatizou que as ferramentas de defesa comercial atualmente disponíveis na União Europeia, que incluem longas investigações sobre práticas de antidumping, já não são suficientes. Ele defendeu uma mudança política "massiva e vital" para enfrentar a situação.

Desafios e Necessidade de Suporte

O mesmo dirigente reconheceu que provocar uma depreciação do euro, ou uma valorização do renmimbi, seria um desafio maior do que a imposição de tarifas. No entanto, ele também destacou que a implementação de tarifas não é simples e requer o apoio de uma maioria qualificada entre os Estados-membros da União Europeia.

Em uma declaração recente, o ministro das Finanças francês, Roland Lescure, mencionou que poderia incluir a volatilidade do mercado cambial na agenda da Presidência francesa do G7 deste ano, se necessário.

Foco nos Desequilíbrios Macroeconômicos

A França planeja aproveitar sua Presidência de um ano do G7 para abordar os desequilíbrios macroeconômicos globais. Lescure descreveu esses desequilíbrios como resultantes do consumo excessivo nos Estados Unidos, alimentado por crédito, o subinvestimento na Europa e o crescimento orientado para a exportação na China.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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