Desafio do Nubank nos Estados Unidos
O Nubank (NU; ROXO34) anunciou sua intenção de entrar no mercado dos Estados Unidos. Inicialmente, a reação do mercado foi positiva, com as ações do banco apresentando uma alta com o anúncio. Contudo, na quarta-feira (1º), a percepção dos investidores parece ter mudado, resultando em uma queda significativa no valor das ações.
Aproximadamente às 15h40, os papéis do Nubank registravam uma desvalorização de 4,54%, cotados a US$ 13,64.
Análise dos Especialistas
Embora analistas reconheçam alguns aspectos positivos da expansão, eles consideram a iniciativa como ambiciosa. A XP, por exemplo, menciona que os Estados Unidos representam uma oportunidade, mas também um ambiente de alta fragmentação e intensa concorrência.
Outro ponto levantado pela corretora é que a empresa agora terá que dividir seu foco entre os Estados Unidos, Colômbia e México, sendo que este último é um mercado em crescimento acelerado. Segundo a análise, “as operações no México e na Colômbia ainda precisam alcançar um nível sustentável de rentabilidade, enquanto no Brasil, a operação ainda precisa de mais impulso em algumas iniciativas, como as voltadas para alta renda e empréstimos consignados.”
Além disso, os analistas expressam incertezas sobre o perfil do cliente que o Nubank buscará atender nos EUA. A dúvida principal é se a estratégia irá focar nos consumidores americanos tradicionais ou em estrangeiros residentes no país. Essa definição se mostra crucial para entender a estratégia e os riscos associados à expansão.
Competitividade do Mercado
De forma semelhante, o Bank of America aponta que o mercado americano é altamente competitivo, apresentando forte penetração, alto custo de aquisição de depósitos e bancos tradicionais que já estão investindo massivamente em digitalização.
Visão de Longo Prazo
O JPMorgan, por sua vez, adota uma perspectiva mais equilibrada, destacando que a entrada nos EUA deve ser encarada como uma estratégia de longo prazo. Normalmente, o processo de obtenção da licença para operação bancária nacional nos Estados Unidos pode levar de 2 a 3 anos. Os analistas também afirmam que “esse processo pode se estender por anos, com algumas fintechs optando por adquirir licenças existentes. Portanto, não projetamos um impacto significativo no lucro por ação (LPA) no curto prazo.”
No entanto, a iniciativa pode potencialmente expandir o Mercado Endereçável Total (TAM) e o pool de lucros do Nubank de maneira expressiva. Atualmente, os Estados Unidos detêm mais de US$ 1 trilhão em saldos de cartões de crédito, aproximadamente dez vezes o volume observado no Brasil, que já é quatro vezes superior ao do México. O banco digital havia discutido anteriormente a possibilidade de uma abordagem regional, focando inicialmente em estados como Flórida, Texas e Califórnia. O mercado americano também representa uma nova oportunidade significativa para a Nu, que pretende alcançar um lucro líquido estimado em cerca de US$ 260 bilhões em 2024.
O Desafio: Qual Dor Resolver?
Contudo, o JPMorgan ressalta que ainda não está claramente definido qual problema o Nubank pretende solucionar nos Estados Unidos. No Brasil, a instituição conseguiu se destacar aproveitando as altas tarifas bancárias e a baixa pontuação Net Promoter Score (NPS) do setor tradicional de varejo. Em relação ao México, a estratégia foi baseada nos baixos rendimentos oferecidos por depósitos nas instituições financeiras locais. Contudo, o cenário norte-americano apresenta uma complexidade diferente.
Embora a abordagem de atender clientes já estabelecidos no país possa abrir oportunidades para vendas cruzadas, o JPMorgan menciona que o Inter (INBR32) tentou adotar estratégias semelhantes nos últimos anos sem obter resultados significativos.
Fonte: www.moneytimes.com.br