Ouro em Oscilação
O ouro tem mostrado variações nos últimos pregões, apresentando uma forte alta em agosto, seguida da perda de parte desse impulso em setembro. Segundo analistas de instituições financeiras de grande porte, o metal precioso continua sendo uma opção atraente para a carteira de investimentos e possui espaço para valorização até o final do ano.
Variações no Preço do Ouro
Em agosto, o contrato futuro de ouro para outubro teve um aumento significativo, passando de US$ 4.080 por onça troy no dia 3 para US$ 4.679 por onça troy no dia 25, uma alta de 14,68%. Contudo, essa tendência foi revertida em parte, com o preço atingindo US$ 4.325 por onça troy no dia 10 de setembro, o que representou uma queda de 7,57% em relação ao pico do mês anterior.
Valorização do Ouro em Destaque
A valorização do ouro no último mês foi ressaltada na carta do fundo Verde, um dos multimercados mais reconhecidos no Brasil. O fundo destacou que essa valorização contribuiu com o retorno de 1,98% da carteira em agosto, o que supera o CDI (que é o parâmetro de rendimento de investimentos no Brasil), que foi de 1,09%.
Preocupação com a Trajetória Fiscal
Para a gestora, a trajetória fiscal de longo prazo de muitas economias desenvolvidas apresenta uma preocupação significativa, o que pode aproximar o mundo de um ciclo de repressão financeira. Este termo refere-se à estratégia de governos que, pressionados por dívidas, mantêm os juros artificialmente abaixo da inflação para atenuar o peso do endividamento, embora tal estratégia possa prejudicar investidores e poupadores. Isso levou à afirmação de que “podemos estar vendo o primeiro sinal, ainda que tênue, dessa opção. Ouro e prata se tornam ativos essenciais para esse cenário”.
Projeções da Goldman Sachs
De acordo com a análise da Goldman Sachs Research, o ouro deve ampliar sua valorização no segundo semestre de 2026. Mesmo diante do aumento no uso de derivativos (que são contratos financeiros cujo preço depende diretamente do valor de outro ativo) associados ao metal, o que pode estar tornando os preços mais voláteis, os analistas do banco esperam que o metal precioso atinja US$ 4.900 por onça troy até o final do ano, à medida que os bancos centrais continuam diversificando suas reservas.
Demanda Estrutural por Ouro
Na avaliação de Lina Thomas, analista sênior de commodities da Goldman Sachs Research, e Daan Struyven, cochefe de pesquisa global de commodities, a demanda por ouro pelos bancos centrais é um fator estrutural que sustenta a valorização do metal.
“Continuamos a observar uma elevada acumulação de ouro por parte dos bancos centrais como uma tendência plurianual, à medida que esses bancos diversificam suas reservas para se protegerem contra riscos geopolíticos e financeiros”, destacam os analistas.
Compras pelos Bancos Centrais
Espera-se que, em 2026, os bancos centrais adquiram uma média de 50 toneladas de ouro mensalmente, um aumento considerável em relação à média de 17 toneladas mensais registrada antes de 2022. Uma pesquisa realizada pelo World Gold Council revelou que 89% dos bancos centrais consultados esperam que as reservas oficiais de ouro aumentem nos próximos 12 meses, e 45% afirmaram intenção de elevar suas próprias reservas.
Perspectiva sobre o Dólar
Por outro lado, as perspectivas em relação ao futuro do dólar norte-americano nas reservas foram menos otimistas, com 74% dos entrevistados considerando que a participação da moeda nas reservas globais deve diminuir em cinco anos. A pesquisa foi realizada em parceria com a YouGov, entre 5 de fevereiro e 19 de maio de 2026, e recebeu 76 respostas de bancos centrais ao redor do mundo.
Caso Chinês
O cenário da China merece destaque. No último dia 7, o Banco do Povo da China (PBoC) anunciou que adquiriu 650 mil onças de ouro (equivalente a cerca de 20 toneladas) em agosto. Esse número foi superior às 640 mil onças compradas em julho e representa o maior aumento mensal desde outubro de 2023. Esta ação prolongou para 22 meses consecutivos a sequência de aquisições feitas pela China.
Projeções do UBS
O UBS prevê que as compras anuais de ouro pelos bancos centrais ficarão entre 750 e 1.000 toneladas, o que também é visto como uma fonte importante para a sustentação estrutural do metal precioso.
Uso de Derivativos e Volatilidade
Com a valorização do ouro em agosto, o metal aproximou-se de níveis significativos que ativaram algumas opções de compra, obrigando operadores que haviam vendido essas opções a adquirir ouro para proteger suas posições vendidas na commodities. Este movimento pode acelerar a valorização dos preços. Em contrapartida, uma queda no preço do ouro poderia levar os negociadores a reverter essas proteções, vendendo suas reservas do metal e, assim, pressionando os preços para baixo.
Previsões e Ações dos Bancos Centrais
A estimativa da Goldman Sachs Research de que o ouro alcance US$ 4.900 por onça troy até o final de 2026 não leva em conta a alta demanda por proteção por meio de derivativos, o que poderia aumentar a probabilidade de o preço do metal superar essa expectativa, ao mesmo tempo que sugere uma maior volatilidade.
Investimento em Ouro
Por um lado, a aquisição de ouro pelos bancos centrais está promovendo a valorização do metal; por outro lado, a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos pode limitar esse movimento.
A plataforma FedWatch, do CME Group, aponta uma probabilidade atual de 67,4% de que os juros norte-americanos sejam aumentados já na reunião do Federal Reserve (Fed) de setembro. O UBS acredita que a pressão por juros reais mais altos e um dólar fortalecido representará um obstáculo para o ouro no curto prazo, prevendo que o Fed deve elevar os juros nos EUA em 50 pontos-base até 2026.
No entanto, o UBS não acredita que as decisões do banco central americano a curto prazo reduzam o papel estratégico do ouro nas carteiras de investimentos.
“Na nossa avaliação, o ouro continua sendo um importante diversificador, especialmente para investidores que preferem ativos reais”, afirmam os analistas em um relatório. O banco também avalia que as preocupações persistentes com a sustentabilidade fiscal dos Estados Unidos podem limitar uma valorização do dólar a longo prazo.
A dívida pública elevada também deve incentivar uma migração gradual dos investidores para longe de uma exposição “excessivamente” concentrada no dólar. Conforme o UBS, essa tendência favoreceria o ouro, considerado uma reserva de valor confiável e uma alternativa às moedas tradicionais.
Fatores de Influência e Oportunidades de Investimento
Além disso, a inflação persistente em diversas partes do mundo e a incerteza geopolítica reforçam a importância do ouro como um ativo defensivo. “Vemos a commodities principalmente como um instrumento de proteção e diversificação de carteira, e não como uma aposta tática relacionada à próxima decisão do Fed”, afirmam os especialistas.
De acordo com o banco, investidores que ainda não possuem uma exposição desejada podem aproveitar períodos de fraqueza do ouro para construir uma posição estratégica dentro de uma carteira diversificada.
Uma das maneiras de investir no metal ocorre por meio de ETFs (fundos negociados em bolsa de valores). Esses produtos frequentemente apresentam taxas de administração inferiores às de fundos tradicionais, além de oferecer liquidez ao investidor, dispensando a necessidade de custódia do ouro físico.
No mercado financeiro brasileiro, diferentes gestoras disponibilizam ETFs vinculados ao metal, como o GLDI11, da Itaú Asset; o AURO11, da Buena Vista Capital; o OROF11, da Galapagos Capital; o OURO11, da Bradesco Asset; o GLDX11, da Investo; o GOLB11, da BTG Asset; além do GOLX11 e do GOLD11, ambos da XP Asset.
Fonte: www.estadao.com.br
