Queda do Ouro e o Cenário do Mercado
O ouro entrou em território de correção, especialmente agora que as preocupações dos investidores sobre as tensões com a China, a independência do Federal Reserve e a bolha de inteligência artificial foram aliviadas. Após atingir a marca de mais de US$ 4.300 na semana passada, tanto o ouro à vista quanto os futuros do ouro registraram uma rápida queda abaixo de US$ 4.000. Mesmo assim, o metal precioso continua com uma alta superior a 40% em 2025. Esse recuo pode continuar no curto prazo, segundo Maximilian Layton, chefe global de pesquisa em commodities do Citi. Agora que o preço do ouro caiu abaixo de US$ 4.000, Layton prevê que os próximos níveis a serem observados sejam os US$ 3.800, representando uma queda superior a 4% em relação aos níveis atuais. Ele espera um suporte material em torno de US$ 3.600, o que indicaria um deslize de 9%.
Análise do Mercado
Layton observa que “a mudança do Presidente Trump em direção à negociação não apenas com a China, mas também com Malásia, Tailândia, Vietnã, Camboja, e possivelmente em breve com Brasil, Índia e Taiwan — além da aparente disposição do Presidente Xi em colaborar com isso e uma mudança no momentum de preços do mercado de ouro — juntamente com a possível conclusão do shutdown nos EUA — devem levar o ouro a continuar em queda nos próximos dias e semanas”.
Os investidores parecem ter se tornado mais otimistas em algumas áreas que pressionaram o sentimento do mercado neste ano. Além do relaxamento nas tensões entre os EUA e a China, as inquietações sobre a independência do Federal Reserve também foram apaziguadas. No início deste mês, a Suprema Corte permitiu que a Governadora do Fed, Lisa Cook, permanecesse em seu cargo por ora. As apreensões sobre uma bolha de inteligência artificial também diminuíram, com os investidores se mostrando mais receptivos a avaliações mais altas do setor tecnológico.
Na terça-feira, o mercado de ações demonstrou um desempenho positivo, antecedendo relatórios significativos de cinco das empresas que compõem o grupo conhecido como "Magnificent Seven". No entanto, Wall Street continua a esperar que as preocupações que levaram os investidores a buscar ativos de proteção, como o ouro, permaneçam, mesmo que uma correção ocorra no curto prazo.
Expectativas de Correção e Previsões Para o Futuro
Na terça-feira, Michael Hsueh, do Deutsche Bank, expressou sua expectativa de que a correção do ouro chegue a um fundo em torno de US$ 3.700 a US$ 3.800, indicando que a retração poderia estar “mais próxima do fim do que do começo”. Ele também mantém uma visão otimista em relação ao cenário de médio prazo para o metal.
Ainda neste mês, Michael Widmer, estrategista de commodities do Bank of America, afirmou que o ouro pode alcançar US$ 5.000 por onça em 2026, um recorde que ficaria mais de 25% acima dos níveis atuais. De maneira similar, Dan Watrobski, da Janney Montgomery Scott, projeta um alvo de longo prazo na faixa de US$ 4.500 a US$ 5.000.
Layton, do Citi, concluiu que “o raciocínio para alocar recursos em ouro como uma proteção contra possíveis tensões entre a China e os EUA, Rússia e Ucrânia, ou entre China e Taiwan; um colapso do mercado de ações; ou momentos de debasamento/depressão econômica relacionados à dívida pública, permanece forte”. “A questão é a partir de que preço os alocadores de ativos irão entrar (não acreditamos que seja em US$ 4.000/oz em queda)”.
As expectativas em relação ao mercado de ouro continuam a ser um ponto de discussão significativo entre analistas e investidores, refletindo a complexidade das dinâmicas econômicas atuais.
Fonte: www.cnbc.com